O entorno e o jardim do Museu de Arte do Rio (MAM) andam bastante animados. O espaço reabriu totalmente repaginado no final do ano passado, e ainda mais carioca. A notícia parece velha para quem não passa na porta do museu – um patrimônio cultural ímpar – nos fins de semana, ou então não se deu ao direito de desfrutar das novas atrações ali em constante diálogo com a riqueza mais valiosa do seu acervo: a cidade do Rio de Janeiro. Da novíssima Cantina no pátio, restaurante de João Vergara (filho e braço direito do artista plástico Carlos Vergara) até o projeto Super Sábados no MAM Petrobras no jardim, com atividades externas gratuitas, o espaço consolida o entorno como ponto de encontro e convivência na construção de uma instituição inclusiva e acolhedora. Os cariocas agradecem.
“A ideia é aproximar o MAM de agentes culturais de toda a cidade, intensificando o diálogo entre a instituição e expressões artísticas diversas como o teatro, a música, a dança e a performance “, diz Yole Mendonça, diretora-executiva do museu.
Antes de fechar por sete meses para o G20, a média de público mensal do MAM era 7.600 visitantes. Este ano, esta mesma média mais do que dobrou e subiu para 15.910 visitantes.
A atriz Malu Galli (a Celina da nova “Vale Tudo”), de volta ao Rio depois de uma temporada em São Paulo, atualmente mora no Flamengo, razão pela qual tornou mais fácil suas visitas ao museu e seu entorno. “Já frequentei muito o MAM quando morava em Copa e ia até lá de bike no domingo. Amo a arquitetura, a cinemateca e as exposições.”
Uma das edições mais badaladas do Super Sábados no MAM Petrobras foi em março, reunindo centenas de pessoas para conferir a turma do Baile de Favela. A edição de maio está prevista para o dia 17, com tema ainda não definido.
A recente reabertura da Cinemateca faz parte desse momento de fortalecimento do burburinho na porta. “Com novos equipamentos, nossa histórica sala de cinema voltou a cumprir sua importante missão de divulgar e discutir a produção cinematográfica brasileira e internacional, contribuindo para a geração de novos frequentadores, amantes e estudiosos do audiovisual.
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O jardim do museu também está um fervo só, sobretudo nos fins de semana, mas pela turma que é fã de teatro. Até 27 de abril, está em cartaz a peça “Todo Mundo Vai Morrer no MAM”, uma comédia itinerante e de suspense queer do Coletivo Circular, na qual o público participa jogando com os atores para descobrir quem é o assassino.
“O MAM é um espaço que faz parte da minha história no Rio, não só pelas exposições e por sua belíssima arquitetura, mas por ser um espaço de tantos encontros, de blocos de carnaval, de shows, intervenções artísticas”, declara todo o seu amor o diretor da peça, Breno Sanches.
Se o objetivo de Sanches era proporcionar ao público a experiência de conhecer o MAM na sua intimidade, inclusive em passando por lugares desconhecidos, como uma cozinha industrial desativada que fica no interior, uma salva de palmas para o diretor. No fim de semana de estreia (05 e 06/04), foram cem espectadores.
“É uma honra fazer parte da programação do espaço, e agora, da história artística de um local tão importante para a cidade.”
Uma das mais importantes coleções de arte moderna e contemporânea brasileiras, num complexo arquitetônico e paisagístico reconhecido internacionalmente, o MAM vive sua melhor fase. Uma das responsáveis por isso é a programação potente, vinculada a políticas de acessibilidade e diversidade, com foco em ações culturais que contribuem para a discussão de temas essenciais no mundo contemporâneo.
A biblioteca do MAM será reaberta agora em abril, com visitas públicas mediadas.
Acervo riquíssimo, Baía de Guanabara e um panorama da arte brasileira
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro promove experiências participativas e inclusivas a partir da arte. Fundado em 1948 com a premissa de ser um museu-escola, é referência como plataforma de criação e formação para artistas e públicos, alcançando diferentes gerações e territórios. O MAM Rio é responsável por um extenso acervo de arte moderna e contemporânea, com focos na arte brasileira e em fotografia. Atualmente, abriga três coleções de artes visuais, com um total de cerca de 16 mil obras.
Anna Bella Geiger, Carlos Vergara, Iole de Freitas e Waltercio Caldas estão entre os artistas com maior relação afetiva com o MAM. “Arte moderna era uma coisa estranha, mais de decoração, mais acadêmica. Havia a Escola de Belas Artes só, e quando surgiu o MAM, jovens artistas se reaproximaram, inclusive eu, querendo uma brecha para mostrar o trabalho”, disse Vergara, em depoimento ao MAM nos seus 75 anos em 2024.
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Bernardo Magina, artista plástico e professor no Parque Lage, é um frequentador do MAM, com profundo afeto pelo museu.
“A minha relação afetiva com o MAM começa pela história do museu”, lembra. “Meus dois mestres professores lá no Parque Laje, Orlando Mollica e José Maria Dias da Cruz, têm trabalhos na coleção do MAM, e o Orlando, por exemplo, fez performances na década de 70. Então, começa sendo essa relação mais de uma história mesmo profissional, das artes visuais, mas também tem uma relação ali muito de um espaço da cidade em que abriga muitas iniciativas culturais, já fui ver vários shows no MAM para além das exposições de arte que também está muito conectado com o meu trabalho.”
Atualmente em cartaz, a exposição em diálogo íntimo com a Baía de Guanabara responde por “Formas das águas”, coletiva com curadoria de Raquel Barreto e Pablo Lafuente. São mais de 40 obras em diferentes formatos, de 14 artistas de geografias e gerações distintas, reunindo acontecimentos que tiveram lugar na Baía de Guanabara e definiram as histórias do museu e da cidade, ou oferecem experiências de imersão. Entre as novidades em cartaz, trabalhos de Arthur Bispo do Rosário, Jota Mombaça e Lia Mittarakis.
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Realizada no Bloco Escola do museu, para a Cúpula do G20, no ano passado, “Uma História da Arte Brasileira – Coleções MAM Rio” apresenta um panorama diversificado da arte brasileira, desde os anos 1920 até o presente, por meio do acervo, com cerca de 65 obras (pinturas, esculturas e fotografias) de grandes nomes como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Anna Bella Geiger, Antonio Bandeira, Carlos Vergara, Cícero Dias, Cildo Meireles, Di Cavalcanti, Flávio Shiró, Ivan Serpa, Lygia Clark, Mestre Didi, Tarsila do Amaral e Tunga, entre outros.
“As exposições do MAM Rio propõem relações entre artistas de diferentes gerações, conectando passado e presente em todas as linguagens e manifestações, pautados por temáticas diversas e equitativas do mundo e do fazer artístico”, acrescenta Yole Mendonça.
A Cinemateca do MAM oferece programação presencial e online, dando acesso à nova produção cinematográfica e a filmes históricos, brasileiros e internacionais.
O prédio do MAM Rio no Parque do Flamengo, desenhado por Affonso Eduardo Reidy e com jardins projetados por Roberto Burle Marx, é uma referência para a arquitetura mundial. Cada vez mais, o museu e seu entorno oferecem um espaço de convivência e experimentação que impulsiona processos de troca, circulação, vivências e cultura.
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MAM: Av. Infante Dom Henrique, 85 Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro (21) 3883-5600 Instagram: @mam.rio
O MAM Rio não tem cobrança de ingressos, a entrada é gratuita para todos os públicos. Visitação: quartas, quintas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual.
