O primeiro embate entre os principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro foi marcado pelos ataques ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que, mesmo ausente, foi alvo da maior parte das críticas e chegou a ser imitado por um de seus adversários. O encontro também marcou a primeira vez em que o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ) foi testado em embates diretos. Ao final do programa, ele teve o desempenho avaliado positivamente por integrantes da campanha, que argumentam que Ruas cumpriu o objetivo de se apresentar para os eleitores da direita e não caiu em provocações.
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Organizado pela Band, o debate teve início às 20h, mas, desde as 17h, assessores e advogados de campanha circulavam pela Casa Firjan, em Botafogo, na zona sul do Rio, onde o evento foi sediado. Na porta, manifestantes se reuniram em apoio a Ruas, que os cumprimentou na entrada. Ao GLOBO, o grupo relatou ter chegado ao local em uma caravana organizada pela vereadora de São Gonçalo, Patrícia Silva (PL-RJ), que se colocou como responsável pela interlocução da campanha do deputado estadual com as mulheres. Durante a manifestação, ela usava um boné rosa com os dizeres “Estou com Douglas Ruas”.
Já dentro do estúdio, o deputado estadual foi acompanhado pela vice escolhida para a chapa, a vereadora Fernanda Louback (PL-RJ), e pelo presidente do diretório municipal do PL no Rio de Janeiro, o ex-senador Bruno Bonetti. O pai de Ruas, o ex-prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, por sua vez, não esteve presente no encontro, mas foi elogiado pelo filho na abertura do programa. André Marinho, candidato do Novo, repetiu a estratégia e fez um aceno ao pai, o empresário Paulo Marinho, que esteve ausente na ocasião por estar em recuperação após um procedimento.
Os dois candidatos também protagonizaram uma “dobradinha” durante o embate que, segundo integrantes da campanha de Ruas, foi “natural” desde o primeiro bloco, em ataque conjunto contra Paes. O ex-prefeito inicialmente havia confirmado a presença, mas anunciou na véspera que não compareceria em função de uma orientação dada pelo seu departamento jurídico, que o aconselhou a “não participar de debates e sabatinas antes do início oficial da campanha e da confirmação dos registros pela Justiça Eleitoral”. A mudança de planos também foi vista como uma estratégia para evitar confrontos diretos com Anthony Garotinho (Republicanos), ex-governador que está de volta na disputa pelo estado neste ano.
Criticado pela ausência no programa, Paes chegou a ser descrito como “homem de geleia” por André Marinho, que também o imitou ao responder a uma pergunta sobre saúde pública no estado. Hoje na disputa pelo governo, o candidato do Novo ficou conhecido no passado por uma imitação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na época em que era humorista do programa “Pânico”, da Jovem Pan.
— Vocês acharam que o Eduardo Paes não estaria presente? Estou aqui, pô. Estou fraudando todas as OSS [organizações sociais de saúde] que estão por aí. Está faltando dipirona, enquanto milhões estão indo para a Madonna. Esse é o meu jogo — disse Marinho ao imitar Paes durante o debate.
Já Ruas direcionou uma pergunta ao candidato do Novo sobre as propostas de combate à violência contra as mulheres, mas usou a oportunidade para subir o tom contra Paes ao recuperar um episódio de 2016, quando o então prefeito aconselhou uma apoiadora a “fazer muito sexo”. Ruas também relembrou uma acusação feita em 2023 contra Paes pela ex-subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo. Na ocasião, ela interveio num diálogo entre o vereador Marcelo Diniz (Solidariedade) e o então prefeito sobre os critérios para distribuição de licenças para 50 quiosques quando foi cortada rispidamente por Paes, que respondeu que a “mandaria embora”.
Avaliação sobre estreia de Ruas
Para além da dobradinha, a campanha de Ruas considerou que o desempenho dele durante o embate foi positivo, cumprindo a estratégia de se apresentar para os eleitores como o candidato bolsonarista na disputa, em resposta ao alto índice de desconhecimento de seu nome mostrado pela última pesquisa Genial/Quaest.
Aliados também consideraram que Ruas conseguiu desviar das provocações feitas por adversários, que buscaram colá-lo ao ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) e ao ex-presidente da Assembleia Legislativa preso Rodrigo Bacellar. Em uma ocasião, ele chegou a ser criticado pelo ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato pelo Republicanos, por não ter defendido o senador Flávio Bolsonaro ao longo do debate. O deputado estadual corrigiu a rota durante suas considerações finais, quando disse que o parlamentar estará ao seu lado na largada da campanha, no próximo dia 16.
— Ruas ganhou o debate amplamente. Foi firme, sereno e propositivo. Não caiu em provocação e demonstrou que teve um bom plano para o governo do estado — disse Bonetti ao GLOBO. — Claro que nenhum debate faz ninguém ficar conhecido, mas foi um começo.
Em um momento inusitado do programa, Ruas também negou ter solicitado um pedido de resposta contra Garotinho após ser informado pela emissora que o pedido havia sido negado. A confusão, segundo a campanha, foi esclarecida nos bastidores entre o candidato e a âncora do programa, a jornalista Adriana Araújo.
Também estreante na disputa eleitoral pelo governo, André Marinho dividiu as provocações entre os adversários, com exceção de Ruas. Durante o debate, o candidato do Novo se referiu a Garotinho como “fiscalizador retroativo do Rio de Janeiro” e ironizou William Siri, candidato do PSOL, por se descrever como economista.
— William Siri diz que é economista e do PSOL. É, mais ou menos, você ser astrônomo e terraplanista — disse Marinho
