Pular para o conteúdo
outubro 17, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,0820
News

Manifestantes franceses incendeiam prédio de turismo em Lyon durante protestos contra alto custo de vida

Por · outubro 17, 2026
Manifestantes franceses incendeiam prédio de turismo em Lyon durante protestos contra alto custo de vida


Uma filial do escritório de turismo de Lyon foi saqueada e incendiada no sábado durante os protestos contra o alto custo de vida, na Place Bellecour, em Lyon, informou um jornalista da AFP. As forças de segurança usaram um canhão de água para dispersar os manifestantes que atiravam projéteis contra os policiais e que estavam na entrada da praça ou perto dela.
Pressão: Ativista Greta Thunberg participa de protesto estudantil na França durante terceira semana de mobilização
Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Um manifestante segura uma bandeira nacional francesa em frente ao escritório de turismo de Lyon
JEFF PACHOUD/AFP
“As forças de segurança estão realizando manobras para dispersar grupos violentos” porque “numerosos indivíduos hostis estão impedindo os bombeiros de intervir com segurança no incêndio”, afirmou a prefeitura de Rhône.
O protesto ocorreu em um dos lados da Place Bellecour, onde grupos de jovens encapuzados atiravam projéteis e fogos de artifício contra policiais, que responderam com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. Para dispersar a multidão ao redor do prédio e permitir a intervenção dos bombeiros, a polícia lançou granadas de gás lacrimogêneo, dispersando os manifestantes, que se concentraram numa ponte próxima à praça.
Manifestantes se protegem dos canhões d’água da polícia durante protesto contra o alto custo de vida
KIRAN RIDLEY / AFP
Dia de protestos
A França vive neste sábado um dia de protestos contra o aumento do custo de vida que deve servir de termômetro para o mal-estar social na reta final do governo de Emmanuel Macron. A mobilização pode marcar o retorno dos coletes amarelos, movimento que abalou o país entre 2018 e 2019, e ganhou a adesão dos estudantes do ensino médio, que protestam desde o fim de setembro por melhores condições na educação. A seis meses da eleição presidencial que vai escolher o sucessor de Macron, os atos reúnem dezenas de milhares de pessoas em todo o país, marcados por confrontos com a polícia em várias cidades, e já deixaram, até agora, mais de 160 presos.
Sob o lema “Amarelos e Jovens”, a convocatória chama às ruas os coletes amarelos, a geração Z, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. A mobilização expõe desgaste social na reta final do governo Macron e termina com confrontos, gás lacrimogêneo e mais de 160 detidos segundo o site 17octobregiletjaune.net, cerca de 1,5 mil ações estão previstas ao longo do dia. Além de passeatas nos centros urbanos e concentrações em rotatórias, símbolo do movimento, há bloqueios planejados em estações, pontes, pedágios e postos de combustível.
Milhares vão às ruas na França em protesto nacional contra a alta do custo de vida
Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar pessoas encapuzadas e mascaradas que atiravam fogos de artifício e outros objetos contra os agentes na Praça da República, onde se concentrou o principal ato, segundo a agência Associated Press. Grande parte das estações de metrô ao redor da Champs-Élysées, do Palácio do Eliseu e do Parlamento foi fechada a pedido da polícia.
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 33 mil pessoas participaram de 140 ações fora da região de Paris, e ao menos 166 foram presas em todo o país. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, convocou a célula de crise do governo para acompanhar a situação.
Fumaça sobe enquanto manifestantes participam de uma manifestação contra o custo de vida na Place de la République, em Paris
GUILLAUME SALIGOT/AFP
O gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, relatou violência praticada por mascarados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saque, ataques a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ações contra prédios públicos e veículos de imprensa. As autoridades atribuíram os distúrbios ao que chamaram de “ultra esquerda”, segundo a agência Reuters. Em Marselha, lojas e uma delegacia municipal foram danificadas, e manifestantes chegaram a invadir brevemente o saguão da prefeitura. O prefeito, Benoît Payan, falou em “danos limitados” à TV BFM.
Nuñez, inclusive, autorizou o uso de granadas atordoantes neste sábado. Essas armas haviam sido suspensas durante os protestos estudantis depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma mão.
Initial plugin text
Os estudantes do ensino médio, que protestam desde o fim de setembro por melhores condições, aderiram à mobilização. Jovens que participavam do ato na capital disseram à rede britânica BBC que são “pacifistas” e que “apenas estão tentando promover mudanças”.
— Estamos lutando porque o custo de vida está duro demais, porque o preço do combustível está alto demais, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país só por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino — disse à Reuters Lola, manifestante de 19 anos, em Paris.
Na sexta-feira, Macron fez um apelo “à calma” e disse que o “direito de se manifestar” deve vir acompanhado de “respeito”, sem “insultar” nem “quebrar” nada.
Galerias Relacionadas
Pressão sobre o governo
O alcance dos protestos ainda é incerto, porque as convocações circulam pelas redes sociais e, em sua maioria, não foram comunicadas às autoridades. A mobilização também coincide com o primeiro dia de duas semanas de férias escolares.
Dois terços dos franceses apoiariam a volta dos coletes amarelos, segundo uma pesquisa do instituto Elabe de meados de setembro. Os protestos dos coletes amarelos em 2018 e 2019, contra o aumento previsto de um imposto sobre combustíveis, chocaram o país tanto pela destruição no Arco do Triunfo e pelos saques a lojas quanto pela ação policial. O movimento perdeu força depois que Macron anunciou bilhões de euros em cortes de impostos
Contexto: Protestos estudantis na França já levaram à detenção quase 7 mil pessoas, incluindo mais de 5 mil menores
O levantamento aponta a líder da extrema direita, Marine Le Pen, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial, como a candidata mais bem avaliada para aumentar o poder de compra.
Nos últimos dias, Lecornu tentou responder à parte das reivindicações. Anunciou novos recursos para o setor agrícola em 2027, a liberação de 10 milhões de barris de diesel para tentar baixar os preços e ajuda às cidades rurais, entre outras medidas. Os sindicatos, porém, cobram mais.
— O governo tem que dar respostas políticas sobre o seu orçamento, sobre a questão dos salários, sobre o congelamento dos preços dos combustíveis — disse à rádio RMC Agathe Le Berder, do sindicato CGT.
A mobilização ocorre enquanto o governo tenta aprovar no Parlamento o orçamento de 2027, que prevê um forte ajuste fiscal de € 54 bilhões (cerca de R$ 300 bilhões, na cotação atual) para sanear as contas públicas. De olho na eleição presidencial, governistas e a extrema direita acusam o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), do presidenciável Jean-Luc Mélenchon, de se aproveitar da tensão social.
Com AFP

Manifestantes franceses incendeiam prédio de turismo em Lyon durante protestos contra alto custo de vida