Mudanças importantes devem marcar a Maratona do Rio em 2026. A tendência é que ao menos as provas de 21 km e 42 km tenham critérios prévios para a inscrição como índice e/ou sorteio, e, no caso da maratona, mudança de percurso. A meia maratona é a prova mais disputada do evento. Neste ano, teve 25 mil corredores. O total de inscritos para as quatro provas foi de 60 mil.
Segundo a organização, em algum momento, o evento como um todo adotará índice e/ou sorteio. Isso porque, a prioridade “é a experiência e o conforto do corredor”. E, além do congestionamento na prova dos 21 km, há ainda a questão da fila de espera no ato da inscrição. Para a edição atual, assim que as inscrições foram abertas, havia uma fila online de 420 mil pessoas.
A Maratona do Rio cresceu 33% em número de inscritos em relação ao ano passado. De 45 mil corredores passou para 60 mil. De 2015, quando 17.200 pessoas correram a Maratona do Rio, para cá, o crescimento foi de 248%. E os organizadores querem mais.
— É uma tendência e provavelmente o sorteio será feito para todas as provas. A questão do índice ainda está em estudo e não sabemos ainda se será utilizado em 2026 — admite Claudio Romano, vice-presidente de marketing e negócios da Dream Factory, que afirma que a experiência para o usuário será melhor com esta mudança — Assim, o tempo de espera no ato da inscrição também será resolvido. No caso de corrida de rua, é preciso preencher formulário e por isso o tempo para a compra é maior. Com o sorteio, a inscrição passa a ser feita em um período maior, em uma janela, e não haverá pressa.
Esses critérios como índice e/ou sorteio são amplamente utilizados pelas maiores e mais cobiçadas provas do planeta. As maratonas de Boston, Londres, Chicago, Nova York, Tóquio, Berlim e Sydney, as sete majors, exigem tempo de qualificação e/ou sorteio para a maioria dos participantes. E esses tempos mudam a cada ano, exigindo melhor performance dos corredores.
— Hoje não existe sorteio no Brasil. Mas, como a Maratona do Rio é a principal prova do país e a que mais inova, a gente está nessa trilha. A Maratona do Rio tem a obrigação de inovar. E quanto mais corridas fizerem o mesmo, se precisarem, claro, mais a cultura da corrida de rua vai se aprimorar no país — comenta Cláudio, que lembra que ainda há questões legais a serem analisadas para a implementação do sorteio. — Quanto mais a prova cresce, quanto mais a prova se torna desejo, mais pessoas encaram a fila para comprar a inscrição. É assim com as majors. E o que se faz? A organização fica cada vez mais criteriosa. No caso das majors, o tempo já é um critério para a inscrição. A cada ano ele se torna mais rígido. E isso vai ter de acontecer com a Maratona do Rio. Ela vai passar por isso. Não tem muito jeito.
Ele explica, porém, que diferentemente do Desafio da Ponte que estabeleceu para este ano um tempo de corte igual para homens e mulheres, no caso da Maratona do Rio os critérios seriam distintos para homens e mulheres e também para cada faixa etária (a Dream Factory e a Spiridon organizam ambas corridas).
Ele ainda não descartou a inclusão do desafio das quatro provas. Somente na edição atual cada prova foi disputada em um dia próprio. E a partir desta conquista, seria possível incluir este novo desafio no evento — além do já existente 21 km + 42 km.
Outro desejo da organização é que a prova dos 42k seja mais rápida. E, neste caso, parte do percurso teria de mudar.
João Traven, diretor da Spiridon e idealizador da Maratona do Rio, explica que a mudança afetaria cerca de 1/3 da prova, logo a parte inicial, quando a corrida entra em ruas mais estreitas do Centro do Rio. A vontade da organização é trocar os zigue e zagues pela reta da Presidente Vargas, trecho aliás que fez parte da maratona olímpica nos Jogos da Rio-2016.
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Na Olimpíada de 2016, o vencedor foi queniano Eliud Kipchoge, com 2h08m04s. O recorde da Maratona do Rio foi quebrado na edição passada, pelo queniano Josphat Kiprotich, que conquistou o bicampeonato entre os homens, com o tempo de 2h12min35.
— Seria um novo percurso. Tiraríamos o trecho da roda gigante, depois da Praça Mauá, e incluiríamos as duas pistas centrais da Presidente Vargas até a Praça da República e a Avenida Chile, entrando pela Almirante Barroso até a Rua dos Inválidos. É necessário colocar vias mais largas para dar velocidade à prova — explica Traven, que comenta que ainda não houve negociação com a Prefeitura do Rio e a CET para estas mudanças.
Traven comenta ainda que faz parte deste projeto alteração nas ruas das praias da Zona Sul. O ideal seria, de acordo com ele, usar as duas pistas para melhor fluxo, “com a maratona indo pela pista dos prédios, uma faixa e meia, e voltando com ela inteira na pista da praia”. Hoje a pista é dividida, com a ida e a volta.
— É assim: ou queremos ser eternamente uma prova para o primeiro corredor, ou queremos ser uma prova também de performance. A gente quer atender os dois, claro. Manter o caráter democrático, mas também ter mais performance. Até porque esta é a principal maratona da América Latina. E precisamos também entregar performance. Será necessário dar uma balanceada — avalia Claudio, que sonha com recorde de tempo nas ruas cariocas — Queremos que os 42 km seja mais rápido, que atraia mais estrelas mundiais e que o tempo da maratona olímpica disputada na Rio-2016, de 2h08, seja superado na Maratona do Rio.
Com as mudanças, Traven aposta em crescimento também na prova de entrada:
— Vai crescer naturalmente, muitas pessoas não estão preparadas para chegar no Rio antes mas poderiam participar dos 5 km, uma prova festiva, de aquecimento, para correr com a família, um fan run. Essa pode crescer também. E a Maratona, claro, que precisa de avenidas mais largas. Tem hoje 15 mil corredores e num piscar de olhos chegará aos 20 mil.