A dobradinha formada pelas candidaturas de Márcio Canella a deputado estadual e Antônio Rueda a federal, ambos pelo União, rendeu um total de mais de 350 mil votos à dupla. Foram 197.178 para Canella e 155.836 Rueda. A maior parte dos votos veio de Belford Roxo, redutor político de Canella, eleito prefeito em 2024 no primeiro turno e que ficou à frente do município até abril deste ano, quando deixou o cargo para concorrer a vaga na Alerj deixando em seu lugar a vice Mariana Malta. A cidade da baixada deu a Rueda 93.874 votos, o equivalente a mais de 60% do total. No caso de Canella, seu reduto eleitoral garantiu 133.956 votos, quase 68% da votação obtida em todo o estado.
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A parceria com Márcio Canella foi desde o início um dos principais eixos da campanha de Rueda no Rio. Presidente nacional do União Brasil, o advogado transferiu seu domicílio eleitoral para o estado em janeiro deste ano e disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Os dois passaram a participar de agendas conjuntas em Belford Roxo, onde Rueda chegou a se apresentar como “o federal do Canella”.
As duas candidaturas estiveram sob a mira da Justiça antes do pleito. Em julho, Canella chegoua ser preso por ter no carro, de forma ilegal, um fuzil. Em setembro a Procuradoria Regional Eleitoral citou novas provas e pediu o indeferimento do registro por indícios de ligação com milícias. O Ministério Público Eleitoral (MPE) também defendeu o indeferimento do registro de candidatura de Antônio Rueda sustentando que o candidato se beneficiou de uma estrutura político-territorial ligada a organizações paramilitares na Baixada Fluminense.
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No dia 22 de setembro, apenas doze dias antes da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) aceitou por unanimidade o registro de candidatura de Rueda. O voto do relator, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, foi vitorioso. Nele, o magistrado entende que as diligências determinadas pelo tribunal não encontraram elementos que comprovassem que lideranças locais associadas às milícias tenham empregado sua capacidade de mobilização territorial e coerção em benefício da candidatura de Rueda.
Já no caso de Canella, a decisão do TRE-RJ foi proferida apenas na terça-feira passada, dia 29. Por 6 votos a 1 o registro de candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo foi deferido. O julgamento ocorreu depois que a Procuradoria Regional Eleitoral mudou de posição no processo e passou a defender o indeferimento da candidatura por indícios de ligação de Canella com milícias na Baixada Fluminense. A estrutura cita envolvimento do candidato com Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, e Luiz Eduardo Santos de Araújo, que já tiveram as candidaturas indeferidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em por envolvimento com milícias armadas.
Durante a sustentação oral, o advogado de Canella afirmou que o ex-prefeito já havia dito que sua principal meta à frente da prefeitura era o “combate intransigente” às milícias, às narcomilícias e aos “terroristas”. Para sustentar o argumento, citou ações de Canella em Belford Roxo contra facções criminosas, entre elas uma ocasião em que o então prefeito subiu em uma retroescavadeira durante a derrubada de barricadas. O advogado classificou como uma “narrativa estapafúrdia” a afirmação de que Canella teria envolvimento com milícia.
Marcio Canella e Rueda, a dobradinha que garantiu mais de 350 mil votos no Rio
