“Sempre quis ser trilha sonora da vida das pessoas e consegui”, celebra a carioca Marina Lima em entrevista ao GLOBO. Radicada em São Paulo há cerca de 15 anos, a artista volta à cidade natal para um show na Brava Arena Jockey, esta sexta-feira (14). No repertório, hits como “Fullgás”, “Acontecimentos”, “Virgem” e “À francesa” — além do cover de “Lunch”, de Billie Eilish. Veja, abaixo, os comentários da artista sobre cada uma das músicas presentes no seu setlist:
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- ‘Charme do mundo’ (Marina Lima e Antonio Cicero). “Toda idade tem seu charme (risos)”.
- ‘Me chama’ (Lobão). “Essa música que eu gravei é do Lobão. No show, o público todo canta junto”.
- ‘Lunch’ (Billie Eilish e Finneas O’Connell) / ‘Mesmo que seja eu’ (Erasmo Carlos e Roberto Carlos). “Eu estou sempre ligada no trabalho da Billie Eilish e adorei ‘Lunch’ desde que escutei pela primeira vez. Vi que essa música conversava de alguma forma com ‘Mesmo que seja eu’, do Erasmo Carlos, que eu gravei, então fiz um mashup das duas músicas juntas e me divirto cantando”.
- ‘Difícil’ (Marina Lima e Antonio Cicero). “Nem sempre! (risos)”.
- ‘Na minha mão’ (Marina Lima e Alvin L.). “‘Coragem pra qualquer viagem’ (diz o refrão). Não tenham vergonha de serem exatamente como vocês são”.
- ‘Virgem’ (Marina Lima e Antonio Cicero). “Fiz essa música por eu ser carioca e virginiana. Os lugares citados na música eram o trajeto que meu irmão, Cicero, fazia a pé para ir até minha casa. Ele passava pelo Vidigal e pelo Hotel Marina, que nem acende mais (risos)”.
- ‘Preciso dizer que te amo’ (Cazuza, Ezequiel Neves e Roberto Frejat). “Essa é uma música do Cazuza que eu gravei. Sinto muita falta do Cazuza e do Renato Russo. Sempre incluo músicas deles em meus shows”.
- ‘Beija-flor’ (Xexéu e Zé Raimundo). “No show, eu me arrisco a fazer uns passos de dança junto com a maravilhosa bailarina Carol Rangel”.
- ‘Acontecimentos’ (Marina Lima e Antonio Cicero). “A cantora Catto aparece no telão do show para cantar essa música comigo. Eu continuo a esperar e desejar acontecimentos para mim e para todos. Luz”.
- ‘Pessoa’ (Dalto e Cláudio Rabello). “Um momento eu, meu violão e o público cantando juntos esse sucesso do Dalto, que eu adoro”.
- ‘Keep walking’ (Marina Lima) / ‘Bloco do prazer’ (Moraes Moreira e Fausto Nilo) / ‘Pierrot’ (Marina Lima). “É um medley de três músicas juntas, em que eu quero dizer que precisei me ausentar para aliviar a minha dor, mas que agora eu sigo de novo olhando para frente. Keep walking!”.
- ‘Árvores alheias’ (Marina Lima). “Na hora que canto essa música, aparece no telão o clipe, que foi dirigido pelo Esmir Filho”.
- ‘Pra começar’ (Marina Lima e Antonio Cicero). “Essa música foi tema da abertura da novela ‘Roda de fogo’, de 1986”.
- ‘À francesa’ (Cláudio Zoli e Antonio Cicero). “Quando o Cláudio Zoli me mostrou essa música, percebi que ela seria um grande sucesso. Não deu outra: gravei e foi uma loucura . Sucesso absoluto.”
- ‘Não sei dançar’ (Alvin L.). “Essa música eu canto com minha alma.”
- ‘Fullgás’ (Marina Lima e Antonio Cicero). “Foi a primeira parceria minha com meu irmão, Cicero, que veio a estourar nacionalmente”.
- ‘Eu te amo você’ (Kiko Zambianchi). “No show, Carol Mathias canta docemente comigo essa música”.
- ‘Nada por mim’ (Herbert Vianna e Paula Toller). “Eu não cantava essa música havia muitos anos. Estou adorando cantar ela de novo. E o público canta junto”.
- ‘Nem luxo, nem lixo’ (Rita Lee e Roberto de Carvalho). “Gravei essa música e gosto muito de cantá-la no show. Rita faz uma falta danada. Que mulher!”.
- ‘Uma noite e 1/2’ (Renato Rocketh). “Essa música é um estouro desde que gravei. Ela fica no final do show, para todo mundo cantar alto, lavar a alma e voltar pra casa feliz”.
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De todas as músicas de Marina, a esmagadora maioria tem um denominador comum: a parceria com o irmão, o poeta e filósofo Antonio Cicero (1945-2024). Juntos, segundo Marina, eles compuseram quase 200 canções. Membro da ABL, Cicero (que convivia com o diagnóstico de Alzheimer) morreu aos 79 anos em outubro do ano passado, na Suíça, onde realizou o procedimento da eutanásia.
— Cicero foi imenso. Permeou toda a minha vida e minha obra, com 23 discos. Ele partiu repentinamente, mas a presença dele está por toda parte — diz a artista. — Após a partida de Cicero, colocamos no telão dos shows um vídeo em homenagem a ele, e toda vez me encho de emoção e saudade. Penso nele quase o show inteiro. Sinto como se estivesse cantando para ele.
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O tempo é mesmo aliado de Marina, que completou 70 anos em setembro. A artista, que já chegou a sofrer uma lesão nas cordas vocais (seguida por um tempo de depressão), se recuperou e hoje diz se sentir “potente”. Do palco, ela canta junto com a plateia, que não poupa esforços para acompanhar a musa e seus tantos hits.
— Eu já vivi todas as idades e não fiquei presa a nenhuma delas. Agora, estou aberta para entender e aceitar o que os 70 vão me trazer. Cuido do meu corpo desde muito nova e me sinto feliz com a minha saúde hoje em dia. A minha voz voltou — afirma Marina, que diz fazer exercícios físicos e vocais. — Fiquei um tempo sem cantar, precisei frear um pouco. Agora, vivendo os meus 70 anos, me sinto dentro de um foguete indo em direção à luz. Estou potente para a próxima parada.
— Quando comecei a minha carreira, a cena musical no Brasil era totalmente dominada por homens. Naquela época, ser mulher, cantora, compositora, instrumentista e bissexual era muito difícil, ainda mais me assumindo como eu sempre fiz. Apesar disso, sempre me senti livre para ser exatamente como eu sou sem me importar com o que os outros pensam, o que acabou se refletindo na minha música. Até hoje meu trabalho chega nos jovens que se inspiram a ser como quiserem porque eu sempre assumi tudo na minha vida — afirma.
Feliz com a “liberdade para fluir” da nova geração (com a tecladista e baixista Carol Mathias e a dançarina Carol Rangel inclusas nesse grupo), Marina diz gostar de tratar de assuntos “que vão ficar para sempre”:
— As questões que eu falo nas minhas letras são atemporais. São de dentro, e isso acaba tocando o outro. Minha praia é falar de sentimentos.

