Aos 29 anos, Marina Moschen atravessa uma fase de mudanças que vão além da sequência de trabalhos no cinema. Solteira desde o término do relacionamento com a diretora de fotografia e cineasta Emília Sauaia, a atriz também vive um momento de maior maturidade profissional, com quatro filmes em diferentes estágios de produção e lançamento. Entre dramas, romances e thrillers, ela aproveita a variedade para experimentar novos registros e olhar para a própria trajetória com mais consciência.
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“Foi algo que aconteceu de forma muito natural. Eu estou feliz por viver esse momento e por ter essas oportunidades no cinema, principalmente em projetos tão diferentes entre si. A nossa carreira, às vezes, segue caminhos que a gente não espera e, de repente, a gente percebe que está construindo algo consistente e bonito. Acho que não houve um momento específico de ‘virada’. Sinto que é resultado de um processo de continuidade. Hoje, com 29 anos, consigo viver esse momento com mais consciência e aproveitar cada projeto de uma forma muito especial”, avalia à revista ELA.
Entre os trabalhos está “Loucos Amores Líquidos”, filmado na Itália e já apresentado internacionalmente no Festival de Cinema de Ischia. Na produção, Marina interpreta Julia, uma jovem que viaja com outras duas gerações de mulheres em busca das próprias raízes familiares. A experiência no set acabou se misturando à proposta da história, que trata justamente de heranças, mudanças e descobertas.
“Esse filme fala sobre heranças. Na história, a gente acompanha três mulheres vivendo suas próprias histórias, em tempos diferentes, mesmo que juntas. Elas viajam para a Itália em busca das origens do avô, e essa viagem acaba sendo também um momento de muitas descobertas, cada uma à sua forma. Filmamos durante um mês na Itália, e isso trouxe um brilho a mais para o processo. Tive uma troca pessoal e profissional especial com a Ângela Vieira e a Daíse Amaral, e essa conexão entre gerações aconteceu de forma muito verdadeira, dentro e fora de cena. Como atriz e como mulher, é impossível não se identificar com alguma delas, porque o filme fala sobre fases, escolhas e se permitir mudar”, relata.
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Divulgação Emília Sauaia
A diversidade de papéis também aparece em “Minha Vida com Shurastey”, dirigido por Diego Freitas. Inspirado na trajetória de Jesse Koz, o longa traz Marina como Dora, par romântico do personagem vivido por Nicolas Prattes. Para a atriz, interpretar uma história baseada em acontecimentos reais exige um cuidado diferente, já que existe uma memória concreta por trás da ficção.
“Fazer uma história real traz uma responsabilidade muito grande, porque a gente está contando a vida e a memória de alguém. Existe algo muito bonito e sensível nisso, e a história do Jesse é inspiradora. Acredito que conseguimos criar algo muito delicado e verdadeiro. Filmamos em Balneário Camboriú e, durante esse processo, tivemos a oportunidade de ver onde ele morava, conhecer a família dele, e isso nos aproximou da história e trouxe ainda mais verdade e proximidade com o trabalho”, afirma.
Já em “Ataque ao Metrô”, Marina aparece em uma participação como Jane, uma presidiária que surge em um momento decisivo da trama. O trabalho exigiu uma caracterização diferente das que havia experimentado até então e levou a atriz a buscar uma construção menos previsível para a personagem.
“No ‘Ataque ao Metrô’, eu fiz uma participação interpretando a Jane, que aparece no meio do filme em um momento de virada da história. Foi interessante porque teve toda uma caracterização de um jeito que nunca fiz antes. Isso ajudou muito na construção dessa personagem. Procuramos também algo fora do óbvio, que envolvia algo mais próximo de uma loucura do que da força física. Foi divertido”, conta.
Marina Moschen
Divulgação Emília Sauaia
A vontade de experimentar também aponta para o próximo passo. Depois de transitar por diferentes registros, Marina diz que gostaria de voltar à comédia, gênero que já explorou como Luna em “No Mundo da Luna”, série da Max.
“Tenho vontade de me arriscar mais na comédia também. Tive a oportunidade quando interpretei a Luna de ‘No Mundo da Luna’, série da Max. Acho que não me imaginam tanto dessa forma. Com certeza, me tiraria da zona de conforto”, admite.
Uma escolha que começou ainda na adolescência
A relação com a atuação, no entanto, não começou no cinema. Marina se aproximou da arte ainda criança, quando estudava piano e se dedicava ao balé e ao jazz. Aos 15 anos, experimentou o teatro e percebeu que havia encontrado um caminho profissional.
“Por volta dos meus 15 anos. Sempre tive uma ligação forte com a arte… tocava piano desde pequena e me dediquei muito à dança (ballet e jazz). Eu levava realmente a sério, fazia horas de aulas todos os dias da semana e era onde eu me encontrava até então, mas eu sabia que, apesar de amar, não seria o caminho profissional que eu seguiria. Eu era curiosa e, nesse processo, experimentei fazer um curso de teatro que comentaram comigo na época e me apaixonei. Entendi que queria ser atriz e que era com a atuação que eu queria realmente me comprometer. Um ano depois, tomei a decisão de me mudar de Angra para o Rio para continuar meus estudos de forma profissional e comecei a trabalhar dois anos depois. E é esse caminho que sigo até hoje”, lembra.
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Divulgação Emília Sauaia
Agora, olhando para o momento do audiovisual brasileiro, ela se mostra especialmente interessada pela variedade de histórias que chegam às telas. A força dessa produção também ajuda a explicar o reconhecimento conquistado fora do país.
“Eu acho que as duas coisas caminham juntas, mas o que mais me anima são as histórias. A gente está vivendo um momento de muita potência criativa, com narrativas mais diversas e novos olhares. E quando essas histórias são potentes, elas naturalmente ganham força dentro e fora do Brasil. É bonito ver o cinema brasileiro ocupando esses espaços. Isso amplia o alcance do que a gente está contando e valoriza ainda mais a nossa produção”, observa.
Mais presença nas redes, menos exposição da vida pessoal
Embora seja presente nas redes sociais, Marina prefere escolher o que divide com o público. Gosta do contato com os seguidores e de compartilhar momentos do dia a dia, mas não se sente à vontade para mostrar tudo o que acontece longe das câmeras.
“Para ser sincera, eu sou presente nas redes sociais, gosto de usar. Faz parte da minha geração. Indo para um lado pessoal de como eu uso, eu tenho mais dificuldade em me expor, mas não tenho problema nenhum em compartilhar. Gosto de postar, de dividir momentos, das mensagens que recebo… Só não consigo abrir tanto minha vida pessoal. Me sinto mais segura e com mais controle do que é só meu, mas acho que é bom também para as pessoas me encontrarem mais nas personagens. Não é algo pensado, faço o que dá vontade naturalmente e, até agora, foi assim”, explica.
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Divulgação Emília Sauaia
No trabalho, por outro lado, a atriz parece disposta a deixar a vida surpreender. Quando perguntada sobre quem gostaria de encontrar em um próximo projeto, cita Adriana Esteves, mas sem transformar o desejo em uma lista de nomes.
“Tem coisas que eu gosto de manifestar e outras nem tanto… Sobre os encontros, eu gosto de deixar a vida surpreender. Mas eu admiro muito o trabalho da Adriana Esteves”, diz.

