O criador de conteúdo carioca Nathan Santos, conhecido como Fashion Daddy, de 25 anos, parecia estar sozinho quando, em 2021, deixou para trás os looks básicos e abraçou o maximalismo sem moderação. Para compor o novo visual, adicionou anéis em todos os dedos, inseriu colares e passou a sobrepor roupas de diferentes materiais, como crochê e couro. Tudo junto e misturado.
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“Soltar a criatividade traz diversas possibilidades. Gosto de excessos. Quero que a minha presença seja marcante”, diz.
Mas, agora, a exceção virou a regra: o estilo “mais é mais” — protagonista das coleções de inverno 2026 de grifes como Valentino, Louis Vuitton e Dolce & Gabbana — tomou o TikTok de assalto. O movimento surge como uma espécie de resposta ao “quiet luxury”, tendência que enaltece a discrição e as formas limpas, em alta nas últimas temporadas.
Para a criadora de conteúdo nova-iorquina Benulus, “o maximalismo é um estilo de vida”. Fenômeno do TikTok, com mais de 1 milhão de seguidores, ela tem como missão disseminar o vestir sem limites: “Sinto orgulho de dizer que inspirei as pessoas”.
O estilo — que tem ícones como a designer de interiores americana Iris Apfel (1921-2024) — também atravessa o visual de criadores e fashionistas brasileiros. A stylist e multiartista carioca Lulu Novis é uma das mais fiéis representantes. Para ela, o maximalismo valoriza a liberdade e a construção de narrativas únicas.
“Convida à mistura, ao exagero simbólico e à composição que nasce do afeto e da história pessoal”, analisa Lulu. “Não é sobre agradar, é sobre se expressar. As pessoas querem vestir roupas que reflitam quem são de verdade. A expressão está vencendo o silêncio e a singularidade, a padronização”, celebra.
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Quem quer mais? Para a professora de História e Cultura da Moda no IED-Rio Maya Estarque, o maximalismo vem agitando as redes, “que estão muito uniformes”. “Tudo é publicidade. Quando alguém surge com um look realmente criativo, fora do padrão, ganha destaque. É um resgate da linguagem autoral”, afirma.
“O exagero no vestir fala de uma vontade de marcar presença.” A especialista lembra que o estilo é, volta e meia, traduzido em ondas e identificado em territórios. No Japão, o bairro de Tóquio Harajuku virou epicentro dessa estética, a partir dos anos 1990. Também não dá para esquecer as décadas de 1970 e 1980, cada uma com sua própria identidade visual, mas ambas marcantes e nada minimalistas.
Para a artista digital e designer de estampas Hanna Inaiáh, o maximalismo é afirmação cultural. Em suas criações, o exagero é identidade. “Não é bagunça. É uma estética organizada, uma salada bem temperada. No Brasil, especialmente, temos esse espírito tropical, festivo e vibrante, que se desdobra em cores, em formas e em exagero bonito”, avalia Hanna.
Recentemente, ela viralizou com a arte digital “Latina demais para ser minimalista”. “A filosofia maximalista é uma forma de gritar: ‘Eu sou muitas coisas’. Tem tudo a ver com quem somos aqui na América Latina.”
O stylist Felipe Veloso destaca que a juventude enxerga nesse visual uma via de autoafirmação. “Mesmo que, para os mais velhos, as referências pareçam pulverizadas, para quem é jovem simboliza uma maneira de transgredir”, acredita.
A elegância, diz, mora na autenticidade. “O que vale é se vestir de um jeito que te represente. Essa lógica, inclusive, atravessou o guarda-roupa do dia a dia e chegou à indústria do entretenimento. O look ‘bafo’ virou tendência. Antigamente, uma cantora ia a um programa de TV com camisa branca. Hoje, quer algo que crie engajamento.”
O criador de conteúdo Thiago Santos Varella, com mais de 1,6 milhão de curtidas no TikTok, sintetiza: “Faço com que meu look expresse minha intensidade”. Trata-se, também, de fazer barulho.
