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melhoria da água nas praias da Zona Sul do Rio não se reflete em outros pontos

BRCOM by BRCOM
junho 5, 2025
in News
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Despoluição. Carlos Magno brinca na Praia do Flamengo com seu filho Caetano: 'Nunca vi uma água tão clara' — Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo

Cercada por 17 municípios com quase 10 milhões de habitantes, a Baía de Guanabara reflete hoje, em suas águas, duas realidades bem diferentes. De um lado, trechos da Zona Sul do Rio, como as praias do Flamengo e de Botafogo, ganharam vida nova depois de os rios Carioca, Banana Podre e Berquó terem sido desviados e tratados. De outro, áreas de São Gonçalo, São João de Meriti e Duque de Caxias ainda são castigadas pelo despejo irregular de esgoto, lixo e chorume. Segundo dados do Comitê de Bacias da Baía de Guanabara, dois terços do esgoto da região já são tratados, mas a estimativa é ainda são despejados 18 mil litros por segundo de esgoto in natura. Hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente, a Baía ainda espera que a degradação de todo o seu entorno não seja apenas uma promessa para o futuro.

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Segundo dados do Instituto Trata Brasil, em 2020 apenas 19,6% do esgoto na Região Metropolitana do Rio eram tratados. Dois anos depois, no último período disponível no Painel Saneamento Brasil, esse índice havia subido para 71,1%.

Marcada nas últimas décadas pela poluição, a Praia do Flamengo teve o problema solucionado a partir do desvio dos rios para o interceptor oceânico, um túnel de 9 km de extensão e 5,5 metros de diâmetro na orla de Copacabana, que capta a maior parte do esgoto da Zona Sul e o encaminha para o emissário submarino de Ipanema. Esse coletor passou por uma limpeza, feita pela concessionária Águas do Rio, que retirou 3 mil toneladas de resíduos acumulados. A obra evitou que cerca de 20 milhões de litros de água contaminada com esgoto fossem despejados diretamente no mar.

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Despoluição. Carlos Magno brinca na Praia do Flamengo com seu filho Caetano: ‘Nunca vi uma água tão clara’ — Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo

O efeito apareceu. De acordo com o boletim de balneabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a partir de julho de 2023 a região passou a registrar índices positivos para o banho. Em 2020, a Praia de Botafogo só teve boletins vermelhos; a do Flamengo, apenas um verde. Este ano, o trecho de Botafogo em frente à Rua Marquês de Olinda já teve quatro boletins liberando a praia para banho — inclusive os três últimos, em maio. No Flamengo, na Foz do Rio Carioca, 25 dos 32 relatórios de 2025 deram sinal verde para os banhistas.

Morando há 40 anos no bairro, o empresário Carlos Magno Serqueira acompanhou a evolução das condições do mar com o passar do tempo. Ele conta que até entrava no mar 20 anos atrás, mas com receio, por saber da poluição. Hoje, ele leva sem medo o filho, Caetano, de 7 anos, para brincar na água:

— A água era bem mais suja, não dava para ver o fundo, encontrava muito lixo. Pude acompanhar essa evolução. Anteontem, eu me dei conta que nunca vi uma água tão clara, limpa e transparente como agora. A gente vê tartarugas, siris. A despoluição também trouxe muita gente para praticar esporte, inclusive de natação no mar, isso me surpreendeu muito. É outra relação.

De acordo com a Águas do Rio, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto da Zona Sul e do Centro do Rio chegou a 100% em outubro do ano passado. Ainda assim, o cenário não se repete mesmo no município.

Contraste da qualidade da água na Baía de Guanabara. Na foto o Canal do Cunha, no Caju — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo
Contraste da qualidade da água na Baía de Guanabara. Na foto o Canal do Cunha, no Caju — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo

Entre o Caju e o Canal do Cunha, por exemplo, a poluição da água é visível, que ganha tonalidades variadas por óleo e sedimentos às margens do mangue.

— Quando a gente pensa nos rios urbanos, mesmo que não pegue para fazer análise, a gente sabe que tem esgoto que não foi tratado. Há ainda outros problemas, como na área de fundeio, onde tem uma quantidade enorme de navios atracados e afundados, que derramam óleo, resíduos sólidos acumulados irregularmente em muitos pontos, o chorume vindo dos lixões desativados — avalia Rejany Ferreira dos Santos, presidente do Comitê de Bacia da Baía de Guanabara.

As maiores médias de saneamento do estado estão em Niterói e Petrópolis, onde 95,5% e 80,8% do esgoto é tratado. Entre as outras 15 cidades da bacia hidrográfica, em seis delas não há tratamento. O prazo para a universalização do saneamento básico no Brasil, como previsto no Novo Marco Legal do Saneamento, é 31 de dezembro de 2033. Até essa data, 99% da população deve ter acesso à água tratada e 90% à coleta e tratamento de esgoto.

A falta de regramento urbano, o descontrole da ocupação do solo e as obras de saneamento que não acompanham o crescimento da população são os principais fatores para a recuperação ainda desigual da Baía, segundo o ambientalista Emanuel Alencar.

— O cenário, como um todo, continua bastante ruim. Tirando a interligação do Rio Carioca até o emissário de Ipanema, que trouxe melhores condições para praias do Flamengo e Botafogo, as outras porções ainda sofrem muito com esgoto. A última grande obra, nessa porção mais pobre da Baía, da Zona Norte do Rio até a São Gonçalo, foi a do tronco coletor de Manguinhos. Um importante tronco coletor, o Faria Timbó, prometido para o ano passado, não foi concluído — explica Emanuel, que lembra ainda das obras do tronco coletor de Alcântara, que começaram em 2014 e ainda não terminaram.

De acordo com o governo do estado, as obras do Coletor Tronco Faria Timbó estão em andamento, com 94,99% de avanço e têm previsão de conclusão para novembro deste ano. Já o Sistema de Esgotamento Sanitário de Alcântara, que vai conduzir 1.242 litros de esgoto por segundo, de Mutondo para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alcântara, tem previsão de entrega para 2027.

Além do esgoto, São Gonçalo e Duque de Caxias sofrem com o despejo de milhares de litros de chorume, que vazam de lixões desativados do entorno da Baía, como os de Itacoa e de Gramacho. Ontem, o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), através do Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE) e do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA), fez uma vistoria para verificar o nível de contaminação em determinados pontos dos corpos hídricos da bacia, no município de Duque de Caxias.

— O chorume e os poluentes lançados nas águas não ficam restritos ao município. Eles se espalham e atingem ecossistemas sensíveis, chegando à Baía de Guanabara, bem como às suas áreas de manguezais, contribuindo para o agravamento da crise ambiental que há anos compromete esse patrimônio natural, além de prejudicar as comunidades ribeirinhas e o sustento dos pescadores — destaca Rosani da Cunha Gomes, procuradora de Justiça do GAEMA.

Gonçalense nascido e criado no Engenho Pequeno, o historiador Erick Bernardes guarda a lembrança de quando mergulhava nas praias da Luz e de São João:

— Meu sonho é ver as praias de São Gonçalo limpas de novo. Elas são lindas, mas não são acessíveis. Quero poder tomar banho sem medo da poluição.

Há esperança. Na região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, uma família de cerca de 30 botos continua morando na Baía de Guanabara, no ponto considerado o mais preservado, berço dos manguezais e alvo de uma série de projetos de reflorestamento, que ajudam a oxigenar a água. Dois filhotes nasceram este ano.

— Eles estão reproduzindo, só que esse conjunto de poluições acaba impedindo os filhotes de chegar à vida adulta. Mas estamos acompanhando. Se eles não desistiram da Baía, quem somos nós pra desistir? — questiona José Lailson Brito, coordenador do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Uerj.

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