Mais do que protagonizar atuações de múltiplos gols em suas estreias nesta Copa do Mundo, Lionel Messi e Kylian Mbappé estabeleceram de vez uma briga particular pela artilharia histórica do torneio. O francês brilhou ao fazer dois gols na vitória por 3 a 1 sobre Senegal, na terça-feira, e chegou a 14 gols ao todo, empatando com Gerd Müller e ficando apenas dois atrás de Miroslav Klose (16). Logo depois, o argentino tirou do bolso um hat-trick que definiu o triunfo por 3 a 0 sobre a Argélia, e igualou a marca do alemão. A partir de agora, será travada uma batalha de genialidade e tempo.
Messi é o grande ídolo de uma geração e está em seu sexto Mundial, aos 39 anos, após comandar o título argentino em 2022, na final contra os próprios franceses. São 16 gols em 27 jogos — uma média de 0,59. Já Mbappé, em sua terceira Copa, o que inclui o título de 2018, tem apenas 27 anos e estabelece números que o colocam precocemente entre os grandes de todos os tempos do da competição. As 14 bolas na rede em 15 partidas fecham uma média de 0,93 — ou uma a cada 90 minutos.
O jovem pode ter chegado a esta Copa como franco favorito ao posto de melhor jogador e artilheiro, em uma seleção cotada por muitos como a principal candidata ao título. Mas, ao menos neste início, o veterano deu o recado de que não pretende passar este bastão tão cedo, por mais que a edição dos Estados Unidos, México e Canadá seja seu “último tango” em Mundiais.
Para as duas últimas rodadas da fase de grupos e um eventual mata-mata, considerando até que Argentina e França podem repetir a final da última edição, ficam no ar as projeções sobre até onde cada um pode ir. Messi se isolará na artilharia e fechará a própria história na liderança? Mbappé conseguirá igualá-lo? Ou até mesmo já terminar essa Copa no topo do pódio da artilharia?
Pode não parecer, pela facilidade com que o francês marcou diante de Senegal, mas os Le Bleus estão no grupo da morte desta Copa, também ao lado de Noruega e Iraque. A seleção do Oriente Médio deve facilitar a vida de Mbappé, pois tem média de 2,3 gols e 13 finalizações sofridas nos últimos três jogos. Mas os nórdicos são mais casca grossa, com um gol sofrido em média no período, e 11 finalizações.
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A vida do argentino promete ser mais fácil em uma chave com Áustria e Jordânia. Os europeus apresentam uma média baixa — 0,3 gols e 12 finalizações —, mas a equipe do Oriente Médio vem sendo uma “peneira”, com três bolas redes e 14,6 finalizações contrárias recentemente. Messi tem grande chance para desgarrar de Klose nos próximos dias.
No mata-mata, a Albiceleste cruzará com o grupo H, com Espanha e Uruguai como favoritos, um cenário bem diferente: ambas apresentam médias recentes inferiores a um gol sofrido e dez finalizações contrárias. No caso da França, o cruzamento será com o segundo do grupo E ou um terceiro colocado. Atualmente, a Bola de Cristal, ferramenta do GLOBO, aponta que o adversário mais provável é a Costa do Marfim, que passou com a meta intacta na primeira rodada. A partir disso, as projeções se reservam ao campo das ideias.
Para além do debate em torno de Messi e Mbappé, porém, esta Copa deverá mostrar a verdadeira capacidade do francês de ser o artilheiro geral ao fim da carreira. Não é difícil imaginá-lo jogando mais duas ou três edições, e chegando longe em várias. Quem sabe, pode até desafiar o recorde do compatriota Just Fontaine, autor de 13 gols em uma única edição, a de 1958, na Suécia.
— Estou muito feliz por poder entrar um pouco mais na história do meu país, é algo que sempre quis fazer — disse Mbappé à AFP na zona mista. — Mas terei tempo para pensar nesse tipo de coisa mais tarde, quando eu parar de jogar.
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Os dois caçam recordes em meio a outros nomes que já não entram mais em campo, para além de Klose e Müller, como Ronaldo Fenômeno (15) e Pelé (12). Entre os nomes em atividade, o inglês Harry Kane (32 anos), em sua terceira Copa, é quem pode sonhar em chegar a um patamar parecido. Ontem, marcou duas vezes na vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, e chegou a dez gols em todos os tempos. Cristiano Ronaldo e Neymar marcaram oito, mas parecem ainda mais distante de aspirar um lugar no topo do ranking.

