Um meteorito encontrado no Deserto do Saara, no Mali, em 2022, foi identificado pelos pesquisadores como um dos fragmentos mais antigos de Marte já encontrados na Terra. Após ser estudado por um grupo de pesquisadores, estes financiados pela Nasa, foram identificadas marcas da ação da água ocorridas em seu planeta de origem. É estimado que esse material tenha 4,1 bilhões de anos. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Science, na quinta-feira (29).
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O material analisado foi batizado de Teghaza 001 (Teg 001), um antigo meteorito ígneo marciano, encontrado no Deserto do Saara. Sua origem foi verificada por meio de medições de isótopos de oxigênio. Teg 001 consiste em oito pedras com uma massa total de 798,5 g, sendo a maior delas de 442 g. Foram usadas diversas técnicas para determinar textura, mineralogia, composição e idade.
A partir da análise foi identificado que o meteorito pertencia a um estágio antigo de Marte, o que ainda revelou que a água já tinha um papel de modificar a crosta do planeta vermelho. Isso contrasta com o que se vê hoje, numa superfície seca e fria. Sua composição conta parte dessa história, apontando um resfriamento lento do magma em seu lugar de origem.
Parte do meteorito Teghaza 001, encontrado no Deserto do Saara, no Mali, em 2022
Reprodução / Science
O pesquisador Yang Liu, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, Estados Unidos, que integra o grupo de especialistas e autores do estudo, destaca que texturas e minerais encontrados no Teghaza 001 não são os mesmo observados em meteoritos marcianos observados em estudos anteriores.
Para analisar o material, a equipe utilizou uma técnica de datação por rubídio-estrôncio (Rb-Sr), método desenvolvido na Caltech para determinar a idade absoluta de rochas e minerais antigos. Isso permitiu analisar grãos minerais individuais usando um fragmento menor que uma unha, sem destruir uma parte significativa do material.
Algumas dúvidas ainda não puderam ser respondidas, como a duração da jornada desse meteorito até a Terra. Para os pesquisadores, esse fragmento de Marte caiu no Deserto do Saara depois que um impacto massivo arrancou parte da crosta marciana e a ejetou para o espaço.
A partir da comparação com outros dados analisados anteriormente, os resultados apontam para as antigas terras altas do hemisfério sul de Marte, onde foram identificadas 13 regiões com características semelhantes às do meteorito, lembra o site Gizmodo. As informações coletadas do Teghaza 001 foram comparadas aos dados da sonda Mars Reconnaissance Orbiter obtidos anteriormente.
Meteorito de Marte encontrado no Deserto do Saara tem 4,1 bilhões de anos e evidências de água
