O governo do México buscará a responsabilização criminal, nos Estados Unidos, por casos envolvendo a morte de imigrantes mexicanos durante a campanha de deportações em massa do presidente americano, Donald Trump, informaram autoridades na quinta-feira.
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Pelo menos 17 cidadãos mexicanos morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE, na sigla em inglês) ou durante operações federais desde que Trump retornou à Casa Branca no ano passado, disse o chanceler mexicano, Roberto Velasco.
O caso mais recente ocorreu na terça-feira, quando Lorenzo Salgado, de 52 anos, foi morto a tiros por um agente do ICE enquanto estava em seu caminhão de trabalho, em Houston.
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O governo americano afirmou que o agente disparou em “legítima defesa” após Salgado, que vivia e trabalhava nos EUA havia mais de 30 anos, tentar escapar da prisão e “usar seu veículo como arma na tentativa de atropelar um agente do ICE”.
Acredita-se que Salgado seja a primeira pessoa morta a tiros por agentes federais de imigração desde que dois americanos foram baleados e mortos em Minneapolis, em janeiro, episódio que desencadeou protestos.
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Velasco, durante a entrevista coletiva diária da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo pretende deixar de atuar apenas pela via diplomática.
— Vamos sair da esfera diplomática e recorrer diretamente aos promotores nos EUA — declarou.
Sheinbaum, por sua vez, disse que encaminhará um pedido às empresas privadas responsáveis pela administração dos centros de detenção para que respeitem os direitos humanos dos cidadãos mexicanos.
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A presidente afirmou ainda que o Ministério das Relações Exteriores buscará apoio dos procuradores federais mexicanos e solicitará ao alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que pressione pela proteção dos mexicanos mantidos em centros de detenção.
As declarações ocorrem em um momento de aumento das tensões diplomáticas entre EUA e México, após revelações sobre operações de inteligência americanas em território mexicano e o início de negociações comerciais consideradas delicadas.
A deputada federal americana, Sylvia Garcia, pediu a abertura de uma investigação sobre a atuação do ICE e afirmou à emissora FOX 26, de Houston, que Salgado e seu irmão não eram os alvos pretendidos da operação migratória.
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Segundo Garcia, o ICE informou que uma pessoa que estava no veículo de Salgado possuía um mandado administrativo de imigração. Ela acrescentou que os agentes envolvidos na ocorrência não estavam usando câmeras corporais.
— Esse homem não tinha antecedentes criminais. Estamos realmente mais seguros porque ele morreu? — questionou a congressista. — Não podemos aceitar a versão apresentada pelo ICE.

