A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro deve acompanhar a apuração dos votos da eleição neste domingo em casa, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena no imóvel da família, em Brasília. Segundo pessoas próximas, a ex-primeira-dama ainda pode mudar de ideia, mas a tendência é que passe a noite da apuração ao lado do marido. Depois, segundo interlocutores, ela deve se reunir com seu grupo de oração.
Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista e cumpre prisão domiciliar. Além de não poder deixar o imóvel, o ex-presidente também não pode votar neste domingo.
Michelle concorre a uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, em uma chapa que também tem a deputada Bia Kicis (PL-DF). Na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, ela aparece numericamente à frente na disputa, com 23% das intenções de voto, seguida por Leila Barros (PDT), com 18%, Bia, com 18%, e Erika Kokay (PT), com 13%.
A decisão de acompanhar a apuração em casa é também um reflexo da rotina que Michelle manteve durante boa parte da campanha. Embora tenha participado de eventos no entorno de Brasília, ela abriu mão de uma presença mais constante nas ruas para acompanhar Bolsonaro no cumprimento da pena. Em algumas ocasiões, ela chegou a deixar compromissos eleitorais mais cedo para voltar para casa e cuidar do marido, em função de horários de refeições, medicamentos e da rotina dele.
Foi por conta dessa limitação, também, que Michelle justificou sua ausência em viagens do enteado pelo país durante a campanha presidencial.
Segundo aliados, Bolsonaro tem recebido a assistência necessária, mas chegou à reta final da eleição mais angustiado. A preocupação, relatam pessoas próximas, está especialmente ligada à disputa presidencial de Flávio Bolsonaro. O senador foi escolhido pelo pai para disputar o Palácio do Planalto e passou a concentrar parte importante das expectativas da família para o futuro político do ex-presidente.
Bolsonaro também está impedido de receber visitas de Flávio, em razão das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Ambos só devem voltar a se ver em meados de outubro.
A rotina de visitas ocorre às quartas e aos sábados, e o domingo da eleição não está entre os dias previstos. A expectativa, portanto, é que a apuração seja acompanhada apenas por Michelle e pela filha Laura, que também estará em casa.
A eleição de Flávio ganhou peso adicional para Bolsonaro porque o senador tem prometido conceder anistia ao pai caso seja eleito presidente. O resultado da disputa pelo Planalto, portanto, pode ter consequências diretas para o futuro político e jurídico do ex-presidente, além de definir o espaço que o bolsonarismo terá no cenário nacional a partir de 2027.
Michelle deve acompanhar apuração em casa, ao lado de Bolsonaro, enquanto disputa vaga no Senado pelo DF
