A destituição de Lara Marina Soares Tosta, de 20 anos, do título de Miss Brasil Supranational 2026 envolve diferentes versões. Enquanto a organização do concurso afirma que a miss descumpriu o contrato ao submeter sua participação no período de uma gestação, Lara alega que não sabia que estava grávida. No entanto, um laudo médico ao qual o GLOBO teve acesso contradiz a versão da participante.
Camilly Ceccon: Quem é a catarinense que assumiu o Miss Brasil após ficar em segundo lugar no concurso
Aos 30, Priscilla revê a carreira e revela o que mudou: ‘Hoje me sinto mais livre’
Um registro de ultrassonografia realizado em 22 de abril, no Espírito Santo, aponta uma gestação estimada em sete semanas — quase três meses antes de Lara viajar para a Polônia para representar o Brasil no concurso internacional.
Lara embarcou em 13 de julho e terminou a competição em terceiro lugar, em 31 de julho. Segundo o Concurso Nacional de Beleza (CNB), responsável pela franquia brasileira do Miss Supranational, ela só comunicou oficialmente a gravidez à organização em 12 de agosto, depois de retornar ao Brasil. O laudo médico enviado pela própria modelo, no entanto, trazia anexado o histórico do exame realizado em abril.
A divergência veio à tona depois que Lara afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais e em declarações à imprensa, que só havia descoberto a gestação após voltar da Polônia, no início de agosto. A modelo também relacionou a perda do título à gravidez.
Em nota, o CNB afirmou que a destituição não ocorreu como punição pela maternidade, mas por “descumprimento de obrigações contratuais consideradas incompatíveis com a manutenção do título”. A organização disse que a decisão levou em conta, entre outros pontos, a falta de comunicação sobre a gestação e outros episódios registrados antes e durante a viagem internacional.
Justificativas da destituição
Segundo o CNB, o contrato estabelece que candidatas grávidas não podem participar das etapas de preparação, representação e competição. A organização argumenta que a regra se aplica indistintamente às participantes e está relacionada à rotina de viagens, ensaios, compromissos oficiais e exposição física envolvida no concurso.
A entidade também afirma que Lara teria descumprido orientações relacionadas a figurinos. Em diferentes ocasiões, segundo o CNB, peças previamente determinadas pela produção foram substituídas por roupas escolhidas ou produzidas por iniciativa da candidata, sem autorização.
Galerias Relacionadas
Outro ponto citado pela organização é a comunicação com a equipe. De acordo com o CNB, o contrato determinava que a representante deveria manter contato regular com a produção e não poderia permanecer mais de 24 horas sem responder. A entidade afirma que houve momentos em que integrantes da equipe tentaram localizar Lara sem obter retorno.
Um dos episódios teria ocorrido antes da viagem à Polônia. Após alguns dias sem responder às mensagens da produção, Lara teria informado que estava passando mal e atribuído a indisposição a um quadro de dengue.
Durante o concurso internacional, segundo a organização, também houve um episódio relacionado ao figurino. Em uma ocasião em que deveria usar biquíni, Lara entrou em cena usando um maiô. Conforme o CNB, ela posteriormente justificou a mudança alegando dificuldade para evacuar e prisão de ventre. Na ocasião, afirma a entidade, a gravidez não foi informada como motivo para a alteração.
O CNB ressalta que Lara continua reconhecida como terceira colocada no Miss Supranational 2026. A destituição se refere exclusivamente ao título nacional e às funções associadas à faixa brasileira.
Com a saída da capixaba, a vice-campeã Camilly Ceccon, representante de Costa Verde e Mar, deve assumir oficialmente o título de Miss Brasil Supranational 2026.
A organização do concurso internacional flexibilizou recentemente parte de suas regras e passou a aceitar mulheres divorciadas e mães. A participação de mulheres grávidas, porém, continua proibida, assim como a de mulheres casadas, segundo as regras mencionadas pelo CNB.
Internação
Poucos dias após a destituição, Lara deu entrada no Hospital das Clínicas de Vitória, no Espírito Santo, onde permanece internada. Em nota publicada nas redes sociais, foi informado que o quadro de saúde da modelo é estável.
“Lara está bem e o bebê permanece saudável. Por orientação médica, ela deverá continuar hospitalizada e em acompanhamento contínuo, priorizando sua segurança e a do bebê ao longo da gestação”, informou a publicação.
O namorado da modelo, Gustavo, porém, afirmou ao UOL que a situação seria mais grave. Segundo ele, Lara teria sido internada em razão de estresse e correria risco de morte.
— A situação é bem grave, a vida dela está em risco e a do nosso filho principalmente — afirmou.
O CNB sustenta que a perda da faixa não foi causada pela gravidez em si, mas pela combinação de supostos descumprimentos contratuais e, principalmente, pela ausência de comunicação sobre uma gestação que, segundo a documentação apresentada, já existia antes da participação no concurso internacional.

