“Oooh Ancelotti, oooh Ancelotti!…” Desde que chegou ao Equador, o técnico Carlo Ancelotti tem dominado os holofotes e tirado a própria seleção brasileira da mira, apesar de ter jogadores como Vinicius Júnior, Marquinhos e Richarlison, com quem só conseguiu conquistar um ponto.
Em sua primeira partida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, o italiano de 65 anos — conhecido como “Mister” ou “Carletto” — estreou nesta quinta-feira em Guayaquil como técnico do Brasil, a primeira seleção que ele comanda em suas três décadas de prestigiada carreira no futebol europeu.
Sua estreia no comando do Brasil e nos gramados da América do Sul terminou com um empate em 0 a 0 contra o Equador, para somar 22 pontos e prolongar o sofrimento da classificação para a Copa do Mundo da América do Norte.
Com a carranca de sempre, o que não significa necessariamente que esteja chateado, e vestindo calça, paletó, camisa e gravata de cores diferentes, Ancelotti estava na beira do gramado bem cuidado do Monumental, sendo centro das atenções em sua segunda visita ao país. Segundos antes do início do jogo, o treinador fez o que costuma fazer: colocou um chiclete na boca para mascar, o que o ajuda a controlar a ansiedade durante as partidas, como ele mesmo explicou.
Suas mãos não pararam de se mover, aplaudindo seus discípulos, sobretudo ao conseguirem chutes a gol, apoiando-as na cintura, segurando-as atrás das costas e com ambas apontando para dar instruções.
Em outras ocasiões, ficou com os braços cruzados, mas sempre observando e andando de um lado para o outro em seu espaço. Por volta do minuto 11, na primeira chegada com perigo à rede brasileira, Ancelotti não se moveu à beira do campo. Em outros ataques, preferiu se refugiar um tempo no banco de reservas.
Como uma velha raposa, simulou manter a calma. Mão no bolso e outro chiclete na boca, e assim… Em uma ocasião, aproximou-se do bandeirinha como se fosse reclamar algo. Também gesticulou com o árbitro central. Ao apito final, abraço com o treinador do Equador, o argentino Sebastián Beccacece.
O italiano se tornou um showman dentro e fora de campo. Na terça-feira, após a chegada do time a Guayaquil, um grupo de torcedores esperou do lado de fora do hotel, apesar de ser madrugada, para gritar “Oooh Ancelotti” antes de vê-lo descer do ônibus carregando uma mochila.
No Estádio Monumental, do popular clube equatoriano Barcelona, ele continuou a ser a estrela que brilha intensamente. A presença do técnico “nos enche de satisfação; é um espetáculo”, disse à AFP Jorge Jiménez, “torcedor do Barcelona de longa data, até a medula”.
— O espetáculo só vale a pena para ver a qualidade do técnico de sucesso que ele tem sido na Europa, porque ninguém pode negar — acrescentou o engenheiro químico de 70 anos, que, depois do Barcelona e do Equador, se declara “torcedor” do Brasil.
A fama de “Carletto” se espalhou pelas ruas.
— Ele é um técnico bastante famoso — disse Carlos Carrillo, que, vestindo a camisa do Equador, percorria apressadamente o centro de Guayaquil.
Com Ancelotti, o Brasil pentacampeão, que está em crise e conquistou sua última Copa do Mundo há duas décadas, “vai melhorar”, acrescentou o engenheiro eletrônico de 34 anos, que gosta de “jogo bonito” e para quem “Pelé é o verdadeiro rei do futebol”.
Com o semblante sério e a habitual sobrancelha esquerda erguida, mas sem perder o sorriso fácil, o “Mister” encantou a todos. Na coletiva de imprensa pré-jogo, ele arrancou risadas dos jornalistas com suas declarações.
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— A escalação inicial; parece demais — respondeu ele com um sorriso e sem hesitar quando um repórter lhe pediu para revelar sua escalação inicial com antecedência: — Não quero dizer que não sei, eu sei.
Ele expressou seu prazer em conhecer o Brasil e seu povo.
— Desde o Cristo Redentor, a recepção do povo, os estádios… tudo perfeito. Vamos ver amanhã — disse, provocando ainda mais risos.
Ancelotti “não parece convencido”, foi o comentário entre os jornalistas na tribuna de imprensa do estádio.
— Obrigado pelo professor — exclamou quando um repórter equatoriano o chamou assim, como é costume no futebol nacional, acrescentando com um toque de orgulho que “quando me chamam de professor, eu adoro”.
Durante sua passagem por Guayaquil, ele afirmou:
— Sei que preciso cantar para os jogadores. Não tenho medo algum de fazer isso porque adoro cantar.
Quando convidado a fazê-lo diante da imprensa, respondeu:
— Agora não, é impossível — concluiu com uma risada.
