A Disney teve neste fim de semana um tropeço com uma de suas franquias mais populares. O remake em live-action de “Moana” arrecadou cerca de US$ 95 milhões em sua estreia mundial — US$ 43 milhões na América do Norte e US$ 52 milhões no restante do mundo. Embora tenha liderado as bilheterias americanas, o resultado ficou abaixo das expectativas para uma produção que custou cerca de US$ 250 milhões (sem contar os gastos com marketing) e reacendeu o debate sobre o desgaste da estratégia de transformar animações consagradas em filmes com atores.
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O desempenho contrasta com o histórico recente da própria franquia. A animação original, lançada em 2016, arrecadou mais de US$ 640 milhões nos cinemas e ganhou uma sobrevida impressionante no streaming, tornando-se um dos filmes mais assistidos da plataforma Disney+. Em 2024, “Moana 2” superou US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais.
Segundo a revista Variety, trata-se de uma das estreias mais fracas entre os remakes em live-action da Disney. Para analistas do mercado americano, um dos fatores que podem ter limitado o interesse do público é justamente a rapidez com que o estúdio decidiu revisitar a história. Em média, o estúdio espera 27 anos para transformar uma animação em live-action. No caso de “Moana”, foram apenas dez anos desde o lançamento do original — e menos de dois anos depois de uma sequência ainda fresca na memória do público.
Esse intervalo menor reduz um dos principais motores comerciais desses remakes: a nostalgia. Filmes como “A Bela e a Fera”, “Aladdin”, “O Rei Leão” e “Lilo & Stitch”, baseados em animações dos anos 1990 e 2000, encontraram um público formado por adultos que cresceram com esses clássicos e voltaram aos cinemas acompanhados dos filhos. Já “Moana” ainda é uma lembrança relativamente recente para boa parte dos espectadores.
O desempenho também ganha peso por ocorrer em um momento de maior competição entre produções familiares. Nos cinemas, “Moana” disputa espaço com “Minions e monstros” e “Toy Story 5”. Lançada há poucas semanas, a nova animação da Pixar já ultrapassou US$ 700 milhões em bilheteria mundial e segue forte nas salas. Também ajuda a explicar esse resultado o intervalo entre os filmes: foram sete anos desde “Toy Story 4”, tempo suficiente para o público sentir falta de Woody, Buzz e companhia.
Segundo análise do New York Times, o resultado reforça uma pergunta que Hollywood vem fazendo há algum tempo: a fórmula dos remakes estaria começando a perder força? O jornal observa que, por anos, a Disney transformou releituras em uma máquina de arrecadação, mas o público parece estar cada vez menos disposto a pagar por versões que reproduzem quase cena por cena histórias que continuam facilmente acessíveis no streaming.
As críticas ao novo “Moana” seguiram justamente essa linha, apontando que o filme reproduz grande parte da animação de 2016 sem acrescentar novidades significativas. Entre o público, porém, a recepção foi mais positiva: o longa recebeu nota A- nas pesquisas do CinemaScore, indicador tradicional de satisfação dos espectadores.
Apesar da abertura abaixo do esperado, ainda é cedo para decretar um fracasso definitivo. Produções voltadas para famílias costumam permanecer em cartaz por mais tempo durante as férias escolares e podem recuperar parte do investimento nas próximas semanas. Ainda assim, a estreia de “Moana” reforça os primeiros sinais de que a estratégia que transformou os live-actions em uma mina de ouro para a Disney talvez não seja infalível — especialmente quando a nostalgia ainda não teve tempo de fazer efeito.

