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Moradores de Gaza fogem em massa enquanto Israel mobiliza milícias locais

BRCOM by BRCOM
setembro 18, 2025
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Palestinos deslocados seguem com seus pertences para o sul em uma estrada na área do campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza — Foto: Eyad Baba/AFP

Caminhões, carros, tratores, tuk-tuks, carroças puxadas por burros e até mesmo carrinhos de supermercado foram usados por milhares de palestinos de todas as idades que fugiam para o sul, após Israel iniciar uma ofensiva militar há muito ameaçada na Cidade de Gaza. À medida que o Exército israelense avançava nesta quinta-feira, com novos bombardeios na principal área urbana do território, linhas de internet e telefônicas foram cortadas, deixando palestinos sob um apagão. Além do deslocamento forçado e a incursão terrestre, que agrava a crise humanitária no território, surgem relatos de que Israel passou a recorrer a milícias locais armadas para operar em Gaza em troca de dinheiro e influência territorial.

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A movimentação na estrada para o sul tem sido intensa. A grande maioria dos veículos no enclave está danificada, sem para-brisas e outras peças. Os custos de transporte e combustível dispararam. Alugar um caminhão ou trator — se você conseguir encontrar um — pode custar até US$ 1.500 (quase R$ 8 mil), e algumas famílias se uniram para dividir as despesas. Barracas podem custar US$ 1 mil (R$ 5,4 mil).

Eles levam consigo qualquer alimento que tenham. Os moradores de Gaza lutam contra uma fome generalizada que começou depois que Israel impôs diversas restrições à entrada de ajuda no enclave e continuou mesmo depois que os israelenses suspenderam o bloqueio e revelaram um novo sistema de distribuição de alimentos. Um painel de especialistas em alimentos apoiado pela ONU declarou que algumas áreas estão passando por fome, o que Israel rejeita.

Palestinos deslocados seguem com seus pertences para o sul em uma estrada na área do campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza — Foto: Eyad Baba/AFP

Com o objetivo de “eliminar” o movimento islamista Hamas, cujo ataque de 7 de outubro de 2023 contra o território israelense desencadeou o conflito, os militares israelenses anunciaram no início da semana a abertura de “uma rota de passagem temporária pela estrada Salah al-Din”, que atravessa o centro da Faixa de norte a sul. O corredor, no entanto, permanecerá aberto apenas até sexta-feira ao meio-dia (6h de Brasília).

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Israel estima que mais de 350 mil pessoas já deixaram a cidade. Segundo estimativas da ONU, quase um milhão de pessoas viviam no final de agosto na Cidade de Gaza e suas imediações.

Em meio ao deslocamento forçado, alguns palestinos, como Aya Ahmed, de 32 anos, não sabem para onde ir, ou não têm condições de pagar os custos elevados de transporte.

— O mundo não entende o que está acontecendo. Eles [Israel] querem que sigamos para o sul, mas onde vamos viver? Não temos barracas, nem transporte, nem dinheiro — disse Ahmed, que está refugiada ao lado de 13 parentes na cidade, sob “bombardeios incessantes”.

Outros, porém, se recusam a sair da cidade, por considerar que não existe lugar seguro no enclave.

Palestinos deslocados seguem com seus pertences para o sul, em uma estrada na área do campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, na terça-feira — Foto: Eyad Baba/AFP
Palestinos deslocados seguem com seus pertences para o sul, em uma estrada na área do campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, na terça-feira — Foto: Eyad Baba/AFP

— Não vou sair de Gaza. Há bombardeios frequentes — disse Umm Ahmed Yunes, que mora em sua casa parcialmente destruída. — Onde eu encontraria US$ 1.000 ou US$ 2.000 (R$ 5.300 ou R$ 10 mil) para despesas de transporte? Onde eu compraria uma barraca? Não há barracas e os preços são absurdos. A morte é mais barata e mais misericordiosa.

Mãe de quatro filhos, Fatima Lubbad deixou a Cidade de Gaza com 10 parentes, mas disse que o calvário era insuportável.

— Gostaria que todos morrêssemos juntos — disse. — Ontem à noite dormimos na rua perto do mar em Deir el-Balah. Não havia onde montar uma barraca… Chorei a noite toda olhando meus filhos dormindo no chão.

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Em meio ao deslocamento da população palestina, emergem relatos de que soldados israelenses e agentes do serviço de segurança Shin Bet estariam utilizando milícias formadas em Gaza para executar operações militares em troca de pagamento e controle de território.

Segundo reportagem do jornal israelense Haaretz, desde o início da guerra civis têm sido usados em tarefas pontuais, como localizar túneis e inspecionar prédios, mas esse recrutamento teria se expandido para grupos armados organizados que operam em coordenação com as tropas israelenses, embora nem sempre sob seu controle direto.

Essas milícias, compostas por dezenas de homens de grupos influentes, como a família Abu Shabab, recebem dinheiro e autorização para portar armas, diz o jornal. Com isso, passaram a lucrar também controlando a circulação de caminhões de ajuda humanitária e cobrando por espaços para instalação de tendas em áreas populosas. Supervisionados pelo Shin Bet, eles deixaram de ser simples auxiliares e hoje participam de combates no sul de Gaza, especialmente em Rafah e Khan Younis.

Soldados que falaram anonimamente ao Haaretz afirmaram que o Exército parece não estar mais escondendo o fenômeno.

— Eles treinam para missões bem na nossa frente — disse um soldado. — Já os vimos em grupos de cinco a dez homens armados. Às vezes, isso até alarma nossas forças, porque ninguém se dá ao trabalho de nos atualizar.

Segundo a reportagem, nas últimas semanas, as Forças Armadas de Israel passaram a registrar moradores armados de Gaza em seus sistemas de comando e controle como se fossem integrantes do próprio Exército israelense.

Um anúncio de recrutamento “para pessoal de segurança” postado semana passada no Facebook, reportado pela rede al-Arabiya, mostrou que os salários oferecidos são de 3 mil shekels por mês (R$ 4.700) para um combatente e 5.000 (R$ 7.900) para um oficial.

A Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU, que não fala em nome das Nações Unidas, afirmou na terça-feira que “está acontecendo um genocídio em Gaza”. Israel, por sua vez, rejeita “categoricamente” o “relatório tendencioso e mentiroso”.

“A incursão militar e as ordens de evacuação no norte de Gaza estão provocando novas ondas de deslocamentos, o que obriga famílias traumatizadas a buscar refúgio em uma área cada vez menor e inadequada para a dignidade humana”, denunciou na rede social X o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Os hospitais, já sobrecarregados, estão à beira do colapso, já que a escalada da violência bloqueia o acesso e impede a OMS de entregar suprimentos vitais.”

A ofensiva israelense na Cidade de Gaza foi amplamente condenada no exterior, mas também em Israel, onde grande parte da população está preocupada com os reféns sequestrados em outubro de 2023 pelo Hamas. Parentes dos reféns protestaram na quarta-feira diante da residência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém, contra a ofensiva.

— Meu filho está morrendo. Em vez de trazê-lo de volta, você está fazendo exatamente o contrário: tem feito de tudo para impedir seu retorno — disse Ofir Braslavski, cujo filho Rom permanece em cativeiro em Gaza.

Palestinos deixam Cidade de Gaza de carro e bicicleta após ultimato israelense — Foto: Eyad Baba/AFP
Palestinos deixam Cidade de Gaza de carro e bicicleta após ultimato israelense — Foto: Eyad Baba/AFP

Durante o ataque de outubro de 2023, combatentes do Hamas mataram 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em fontes oficiais. Das 251 pessoas sequestradas naquele dia, 47 permanecem em cativeiro em Gaza, 25 delas declaradas mortas pelo Exército israelense.

A campanha de represália israelense matou mais de 65.100 palestinos na Faixa de Gaza, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, que a ONU considera confiáveis.

Com New York Times e AFP.

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