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Frequentemente apontada como um dos países mais felizes e seguros do mundo, a Dinamarca combina salários altos, saúde pública universal e uma das melhores qualidades de vida do planeta. Em contrapartida, o custo de vida está entre os mais altos da Europa e a política migratória é uma das mais restritivas do continente para quem não se enquadra nos perfis de alta qualificação.
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Considerada um dos países mais seguros e pacíficos do mundo, a Dinamarca ocupa a 11ª posição no Global Peace Index 2026. Sua qualidade de vida está no topo dos rankings internacionais, com IDH de 0,952, considerado muito alto.
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A jornalista carioca Thamila Soares morou em Arhaus, na costa leste da Dinamarca, por um ano como parte de um programa de mestrado. Para ela, uma das principais diferenças foi a sensação de segurança.
— É realmente algo de outro mundo, eu só percebi o quanto a segurança pública do Rio de Janeiro me estressava depois que eu fui para a Dinamarca. Em Aarhus, eu pude fazer coisas sem receios, como voltar para casa andando às 4 horas da manhã, sozinha, de uma festa, com a absoluta certeza de que eu chegaria em casa em segurança. Sair para fazer caminhadas nas florestas só com amigas mulheres ou sozinha mesmo, algo que eu não faria no Rio, por medo — disse a Thamila em entrevista ao GLOBO.
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Salários altos, mas custo de vida proporcional
A Dinamarca tem um dos maiores salários da Europa, com média em torno de US$ 6.100 mensais, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC). Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos.
Vale notar que o país não tem salário mínimo definido em lei. A remuneração é regulada por acordos coletivos de cada setor. O valor efetivo para a maioria das áreas gira em torno de 135 a 145 DKK por hora, que resulta em um salário mensal bruto de aproximadamente 22.000 a 24.000 DKK (cerca de R$ 20 mil) para um trabalho de tempo integral.
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O custo de vida, porém, acompanha os salários altos, sendo um dos mais altos do continente, sobretudo em moradia e alimentação.
Em Copenhague, o aluguel de um apartamento de um quarto varia entre 10.000 e 14.000 DKK (cerca de R$ 8 mil a R$ 11.500) por mês. Fora do centro, em cidades como Aarhus ou Odense, os valores para 1 quarto caem para 5.700 a 8.000 DKK (de R$ 4.600 e R$ 6.500).
O sistema de transporte é integrado (trem, metrô e ônibus), com o passe mensal (Pendlerkort custando entre 300 e 800 DKK (entre R$ 250 e R$ 650), dependendo da quantidade de zonas que você precisa percorrer.
Para um estudante focado em economia (fazendo marmitas e comprando a granel), é possível gastar entre 800 e 1.200 DKK mensais. Para um adulto com um orçamento realista, o valor fica entre 1.500 e 2.000 DKK (entre R$ 1.170 e R$ 1.500).
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O sistema de saúde é público e universal, financiado por impostos. Ao se registrar, o imigrante recebe o CPR, número de identificação equivalente ao CPF, e o cartão amarelo de saúde (sundhedskort), obrigatório em toda consulta. Consultas com clínico geral e tratamento hospitalares são gratuitos e o sistema divide os cidadãos entre dois grupos, os que precisam passar por um encaminhamento e os que podem escolher os especialistas com maior flexibilidade. Para mudar de grupo, é necessário pagar uma taxa de cerca de DKK 190 ou R$ 150.
Apesar da universalidade, Thamila comenta que sistema de saúde não funciona de maneira igualitária para dinamarqueses e imigrantes.
— A única coisa que eu e meus amigos temos para reclamar é sobre o sistema de saúde, que apesar de ser gratuito, é muito difícil, ainda mais para imigrantes. O lema da área da saúde na Dinamarca é “menos é mais”, então, eles são muito sistemáticos e evitam a todo custo tratamentos que precisem de remédios, ainda que você diga que vem de outro país e que está habituada de determinada forma, os médicos dirão que é preciso se habituar com as novas condições, isso quando também não acreditam que você está sentindo o que diz estar sentindo — comentou a brasileira.
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País tem política migratória restritiva
O sistema dinamarquês é seletivo e gerido pela SIRI, a agência de recrutamento e integração. Não existe visto de turismo que se converta em residência, e todo processo precisa começar antes da viagem. A Dinamarca é extremamente restritiva para imigração não qualificada, e quem não se enquadra nos perfis de alta demanda encontra poucas portas abertas.
Para profissionais qualificados, há três rotas principais. O Pay Limit Scheme concede residência a quem tem oferta de emprego com salário anual acima de DKK 552.000 (mais de R$ 430 mil), sem exigir que a profissão esteja em lista de escassez. O Positive List Scheme é o caminho para ocupações com falta de mão de obra, hoje mais de 220 cargos, de médicos e engenheiros a técnicos e ofícios manuais, sem teto salarial alto, mas com salário compatível com o mercado local. E o Fast-Track Scheme é voltado a empresas certificadas que querem contratar talentos estrangeiros de forma acelerada, permitindo até começar a trabalhar antes da aprovação final do visto.
Há caminhos para outros perfis. Empreendedores contam com o Start-up Denmark, que exige um plano de negócios inovador aprovado por um painel do governo e comprovação de cerca de DKK 153 mil (mais de R$ 120 mil) para o primeiro ano.
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Os estudantes podem trabalhar 90 horas por mês durante o curso e, ao se formar, recebem automaticamente uma autorização de seis meses a três anos para procurar emprego no país, um dos principais incentivos da Dinamarca para reter talentos.
A residência permanente, em geral, só vem após oito anos de residência legal, prazo que pode cair para quatro com emprego contínuo, dinamarquês avançado e integração comprovada.
— Apesar desses problemas com o sistema de saúde, eu indicaria muito para brasileiros, porque a cultura é diferente e dá para entender porque o país está sempre associado aos lugares mais felizes do mundo. É muito interessante ver e aprender com os dinamarqueses na forma como eles se relacionam com a cidade, com o trabalho, com o clima. Há realmente uma sensação de que as coisas são mais simples e mais tranquilas — destacou Thamila.
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Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Júlia Vidotti, aluna do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.

