Celso Barros, ex-vice-presidente do Fluminense e pré-candidato à presidência do tricolor, morreu neste sábado, aos 74 anos. O médico sofreu um infarto no início da tarde. Barros presidiu a Unimed Rio, que foi patrocinador master do tricolor de 1999 a 2014. Em 2019, ele foi eleito vice-presidente geral no primeiro triênio de Mário Bittencourt à frente do clube (de 2019 a 2022).
O médico também comandou o futebol tricolor no início da gestão de Mário Bittencourt, mas foi afastado do departamento de futebol ainda em 2019. Há um mês, Celso Barros anunciou sua candidatura ao lado Rafael Rolim, advogado e candidato a presidente nas últimas eleições, como vice geral da chapa.
Especializado em pediatria, Barros foi diretor do Sindicato dos Médicos RJ, conselheiro do CREMERJ e diretor da Associação Médica Brasileira.
O Fluminense, seu clube de coração, lamentou a morte do médico, que esteve próximo nas principais conquistas do tricolor nos últimos anos. O clube decretou luto oficial e colocou o salão nobre das Laranjeiras à disposição da família para o velório e homenagens.
“Celso teve papel preponderante como presidente da patrocinadora do time que levantou títulos de relevância nacional, como a Copa do Brasil de 2007 e os Campeonatos Brasileiros de 2010 e 2012, além do vice-campeonato da Copa Libertadores de 2008”, diz a nota nas redes sociais.
A Unimed de Celso e o Fluminense viveram parceria intensa e vitoriosa de 15 anos, de 1999 a 2014. A empresa médica e seus investimentos acompanharam o tricolor da Série C aos títulos brasileiros de 2010 e 2012. No caminho, o clube ainda foi campeão carioca três vezes (2002, 2005 e 2012) e uma vez da Copa do Brasil (2007), bem como finalista de Libertadores (2008) e Sul-Americana (2009). Por outro lado, brigou contra o rebaixamento em algumas temporadas, como a de 2009, famosamente conhecida pela manutenção milagrosa na elite.
Foi durante essa época que o clube viu chegar às Laranjeiras alguns dos grandes jogadores de sua história, como os atacantes Romário e Fred, bem como os meias Deco, Darío Conca, Petkovic e Thiago Neves. A relação de patrocínio evoluiu para uma estrutura financeira mais robusta, no qual a empresa passou a celebrar acordos de direitos de imagem e luvas, além de dividir direitos econômicos de atletas com o Flu. O momento também ficou marcado pelos altos salários praticados pelo tricolor e pela parceira em relação ao restante do mercado.
Nesse processo, a influência do empresário no futebol tricolor cresceu. Celso frequentava as Laranjeiras e tinha contato aberto e frequente com o elenco e com treinadores, além de ter voz forte na sugestão de contratações. Era visto frequentemente em comemorações de títulos. Por outro lado, cresciam as críticas sobre ele pela falta de investimentos estruturais e em outras áreas que não o elenco, mesmo as com conexão direta com o futebol.
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No fim dos anos 2000, ainda durante a gestão do amigo Roberto Horcades (presidente do clube de 2004 a 2010), quando a parceria se encaminhava para seus anos finais, o perfil do empresário mudou, segundo pessoas ao seu redor no clube. Celso passou a ser descrito como um pouco menos torcedor e “mais dirigente”, algo que ele só viria a ser, de fato, em 2019. Um dos símbolos daquela mudança foi a contratação do diretor executivo de futebol Rodrigo Caetano (hoje na CBF).
— O Celso é um cara apaixonado pelo clube e foi o grande responsável pela minha ida para o Fluminense. Além da minha admiração, pela pessoa que é, tem minha gratidão. Essa imagem de que ele investe sem conversar com ninguém não existe. Tudo é discutido internamente, até porque ele apoia e defende esse modelo de gestão profissional. Não fosse assim, não faria sentido a minha contratação — disse Caetano, ao Uol, em 2012.
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A parceria terminou de forma conturbada em 2014, durante a gestão Peter Siemsen. A empresa médica vivia uma grave crise financeira por motivos diversos, mas o momento culminou com a não renovação do patrocínio. A transição foi turbulenta, dada a profunda simbiose entre clube e a então patrocinadora na folha de pagamento do elenco, e culminou em uma série de processos na Justiça. Celso, por outro lado, seguiu nos bastidores da política tricolor, mas se afastou dos holofotes por alguns anos, até retornar brevemente no primeiro mandato de Mário Bittencourt.

