Morreu nesta segunda-feira o jornalista Gelcio Cunha, aos 71 anos. Dono de uma voz inconfundível e de uma presença calorosa no ar, ele construiu quase cinco décadas de trajetória no jornalismo e, sobretudo, no rádio carioca. Foram cerca de 40 anos na Rádio Globo, onde se tornou parte da rotina de milhares de ouvintes e ganhou do público o apelido de “Amarelinho da Globo”. Seu último trabalho na mídia foi no canal independente Conexão com o Mundo.
Segundo familiares, Gelcio morreu em decorrência de complicações após uma cirurgia. Ele estava internado no Hospital Rio Laranjeiras, na Zona Sul, para tratar da síndrome de Wallenberg, distúrbio neurológico causado por um AVC isquêmico que o havia deixado sem fala.
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, Gelcio valorizava suas origens em falas e publicações nas redes sociais. Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Profissional (CUP), iniciou a carreira na Rádio Capital e, em seguida, ingressou na Rádio Globo, em 1980. Lá, viveu capítulos marcantes da profissão, entre eles os mais de vinte anos como presença fixa no Show do Antônio Carlos e como repórter “Amerelinho da Globo”.
Gelcio trabalhou ainda na Rádio Tupi e Rádio Nacional, sempre se destacando pela versatilidade. No blog que criou em 2008, escreveu sobre o prazer de “informar, divertir, prestar serviços, criticar, comentar, extravasar emoções de jornalista e compartilhar indignações e alegrias com uma grande rede de amigos”.
Apaixonado por cinema, Gelcio tinha entre seus filmes favoritos clássicos como Zorro, E o Vento Levou, Ray e Ben-Hur. Na música, reunia brasilidade e identidade carioca em títulos como Aquarela do Brasil, Hino do Flamengo, Cidade Maravilhosa e Emoções, de Roberto Carlos. Entre os livros, destacava O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, e Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.
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Além do rádio, atuou como assessor de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), da prefeitura do Rio e de sua cidade natal. Trabalhou em campanhas eleitorais, entre elas a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-deputada Denise Frossard.
Após deixar a Rádio Globo, ele criou o canal “Conexão com o Mundo”, dedicado a entrevistas e conversas, e em 2019 voltou ao rádio na SulAmérica Paradiso FM, integrando o programa “Rio na Palma da Mão”, de Ernani Alves.
Gelcio era pai dedicado. Orgulhava-se da trajetória da filha Jaqueline e do filho Diego, com quem compartilhava a paixão pela comunicação.
Nas redes sociais, o jornalista costumava refletir sobre a vida e a finitude. “Deus é quem sabe quando chegamos nessa vida e quando partimos dela”, escreveu em dezembro de 2023, após visitar o locutor Luiz Nascimento, internado em Botafogo.
Vários colegas e fãs lamentaram a morte de Gelcio. A repórter da TV Globo, Bette Lucchese, lembrou a importância de Gélcio em sua carreira: “Janeiro de 1991. A data em que comecei a trabalhar na Rádio Globo. A data em que conheci esse cara aí da foto: GELCIO CUNHA. Escrevo o nome dele em letras maiúsculas porque GELCIO foi um dos jornalistas que mais acreditou no meu potencial. Ficará para sempre na minha história profissional e na história do rádio brasileiro”.