Na madrugada do último domingo, Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, morreu durante uma troca de tiros com policiais do 18º BPM (Jacarepaguá), na comunidade Gardênia Azul, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), agentes da unidade abordavam um veículo na Rua Guilherme Moreira quando foram surpreendidos por disparos de policiais do batalhão da região, que teriam confundido a ação com uma ocorrência criminosa devido à baixa luminosidade no local. Além de Gláucio, outros cinco policiais ficaram feridos. O caso é investigado pela Corregedoria Interna da Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2ª DPJM), e pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Os agentes envolvidos prestaram depoimento, e suas armas foram apreendidas. Além disso, a Polícia Civil solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais ligados ao episódio. Apesar das primeiras informações divulgadas pela corporação, ainda há questões a esclarecer sobre as circunstâncias do confronto. Entre elas, estão a motivação da abordagem realizada pelo Bope, a comunicação entre as unidades e as condições de identificação das equipes no momento dos disparos.
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Por que o Bope estava no local?
Segundo a Polícia Militar, os agentes realizavam uma abordagem a um veículo nas imediações da Gardênia Azul. Até o momento, porém, não foram esclarecidos os motivos que levaram a equipe a realizar a ação naquele ponto.
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Também não há informações sobre o que motivou a abordagem nem sobre a existência de uma operação ou diligência que justificasse a presença dos agentes na região. A Polícia Militar foi questionada sobre as circunstâncias da ação, mas não respondeu.
Falha de comunicação entre os batalhões?
Outro ponto a ser esclarecido é a comunicação entre as equipes. Como policiais do 18º BPM, responsável pelo policiamento da região, não sabiam da atuação do Bope na localidade?
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Ainda não está claro se havia algum tipo de comunicação prévia entre as unidades sobre a presença da equipe de operações especiais na localidade ou se os policiais do batalhão local tinham conhecimento da abordagem em andamento. A corporação foi perguntada sobre o assunto, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Como os policiais se identificavam?
As condições de identificação das equipes também são centrais para esclarecer o confronto. De acordo com a versão apresentada pelo Bope, os policiais do 18º BPM teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa em razão da baixa luminosidade.
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Nesse contexto, é necessário esclarecer se os agentes do Bope usavam uniformes e equipamentos que permitissem sua identificação e quais veículos eram utilizados pelas equipes. Há informação de que um dos grupos estava em um veículo descaracterizado, mas ainda não foi esclarecido qual equipe utilizava o automóvel nem como os policiais se apresentavam no momento da abordagem.
A PM também foi questionada sobre esse tópico, porém, não respondeu.
Entenda o caso
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar, os policiais do Bope realizavam uma abordagem a um veículo quando agentes do 18º BPM avistaram a movimentação. De acordo com a corporação, devido à baixa luminosidade no local, os policiais do 18º BPM teriam confundido a abordagem com uma ação criminosa e efetuado disparos contra a equipe do Bope.
Informações iniciais sobre a ocorrência apontavam que policiais patrulhavam a região quando se depararam com homens armados próximo de um Kia Sportage branco. Houve troca de tiros, e um cabo do 18º BPM foi atingido.
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Após um pedido de prioridade na rede de rádio, equipes de outros setores foram mobilizadas para prestar apoio. Um veículo blindado do Comando de Operações Especiais (COE) e duas viaturas do Bope também chegaram ao local.
Ao todo, seis policiais militares foram atingidos: cinco do Bope e um do 18º BPM. Eles foram socorridos para o Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, chegou morto à unidade. O agente estava na PM havia 26 anos. Ele deixou três filhos.
O velório ocorreu na segunda-feira, no cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste, onde a emoção tomou conta dos familiares. A ex-esposa e os dois filhos do subtenente choraram ao ver o corpo na capela. Antes do sepultamento, marcado para as 16h, um helicóptero do Bope sobrevoou o cemitério e lançou rosas-brancas e vermelhas em homenagem ao policial. Em terra, integrantes da tropa de elite formaram um corredor para a passagem do caixão.
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A despedida ocorreu a poucos dias do primeiro aniversário da morte de Heber, irmão de Gláudio e um dos cinco policiais mortos na megaoperação realizada em 28 de outubro de 2025, no Complexo da Penha. Gláucio estava na Polícia Militar havia quase 26 anos, a maioria deles dedicada ao Bope. Para a família, além da dor de uma segunda perda, permanece a cobrança por esclarecimentos sobre o tiroteio entre policiais militares que terminou com a morte do subtenente e deixou outros cinco agentes feridos.
— Primeiramente, a gente quer entender exatamente o que aconteceu. De primeira mão, foi falado para nós que não houve uma comunicação, e nós já sabemos que foi feita sim uma comunicação. Então, a partir de agora, a gente quer entender: quem foi comunicado? Essa pessoa passou a comunicação para todo o batalhão? Se sabiam que estavam naquela área, por que aconteceu isso tudo? — questiona Aline Viana, ex-esposa do agente.
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Por meio das redes sociais, a Polícia Militar lamentou o ocorrido e afirmou que o Governo do Estado prestará toda assistência necessária às vítimas e aos seus familiares.
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Morte de subtenente do Bope após troca de tiros na Gardênia Azul: o que ainda precisa ser esclarecido
