Terminou no início da tarde desta terça-feira a greve de motoristas da Real Auto Ônibus e da Transportes Vila Isabel, empresas de ônibus que operam linhas que ligam a Zona Norte e o Centro à Zona Sul e a bairros como Barra da Tijuca e Recreio, na recém-intitulada Zona Sudoeste. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, o fim da paralisação ocorreu após negociação, que terminou com o pagamento das férias e do vale-alimentação. Já o FGTS, outra reivindicação dos funcionários das empresas, será pago em duas parcelas, a partir de sábado, informa José Carlos Sacramento, vice-presidente da entidade.
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Ao todo, 20 linhas estavam paralisadas por conta da greve: a previsão é de que a operação desses serviços se normalize nas próximas horas. O que se viu pela manhã foi que terminais importantes, como o Procópio Ferreira, ao lado da Central do Brasil, e o Gentileza, ao lado da Rodoviária, tinham filas de passageiros, enquanto os veículos das duas empresas seguiam estacionados e de portas fechadas.
Em recuperação judicial, as duas viações uniram as operações recentemente. Desde o fim de agosto, ônibus que antes eram guardados numa garagem da Real na Avenida Brasil, na entrada da Maré, passaram a ser estacionados na garagem usada pela Vila Isabel, na Rua Viana Drumond, em Vila Isabel. Anteriormente, as empresas já dividiam a operação das linhas 163 (Terminal Gentileza—Copacabana) e 222 (Vila Isabel—Gamboa).
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- 108 (Troncal 6) – Terminal Gentileza x Ipanema – Via Túnel Santa Bárbara/Túnel Velho
- 110 – Terminal Gentileza x Leblon – Via Estácio/Av.Paulo de Frontin/Túnel Rebouças/Lagoa
- 112 – Terminal Gentileza x Gávea – Via Av.Paulo de Frontin/Túnel Rebouças/Jardim Botânico
- 163 – Terminal Gentileza x Copacabana – Via Túnel Rebouças
- 181 – Rodoviária x São Conrado – Via Av. Brasil/Linha Amarela/Av. das Américas
- 222 – Vila Isabel x Gamboa – Via Central
- 309 – Central x Alvorada – Via Praia do Flamengo/Jóquei/Lagoa – Barra
- 315 – Central x Recreio – Via Av. Brasil/Linha Amarela BRS5
- 460 – São Cristóvão x Leblon – Via Elevado Paulo de Frontin/Túnel Rebouças
- 463 – São Cristóvão x Copacabana/Siqueira Campos – Via Elevado Paulo de Frontin/Túnel Rebouças
- 472 – Triagem x Leme – Via Central/Praia do Flamengo/Rio Sul
- 538 – Rocinha x Leme – Via Botafogo
- 553 (Integrada 8) – Rio Sul x Recreio – Via Lagoa – Barra
- 585 – Largo do Machado x Jardim de Alah – Via Túnel Rebouças/Jóquei
Linhas da Transportes Vila Isabel
- 163 Terminal Gentileza x Copacabana
- 222 Vila Isabel x Gamboa
- 432 Vila Isabel x Gávea
- 433 Vila Isabel x Siqueira Campos
- 439 Vila Isabel x Leblon
- 548 Barra da Tijuca x Metrô Botafogo
Prefeito falou em ‘picaretagem’
Mais cedo, o prefeito Eduardo Paes usou as redes sociais para comentar as paralisações. Em vídeo, ele classificou o movimento como “picaretagem” e “palhaçada”.
Segundo o prefeito, em vídeo publicado nas suas redes sociais, a prefeitura paga nos dias 5 e 20 de todos os meses o subsídio acordado em 2022, junto aos consórcios e ao Ministério Público do Rio, com pagamentos em relação à quilometragem rodada por cada ônibus. Paes pontua que, inicialmente, o valor pago era de R$ 2,55 e passou para R$ 4,08 neste ano, a partir de um novo acordo, totalizando R$ 2,8 bilhões destinados aos operadores desde maio de 2022.
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— Claro que esse aumento (no subsídio) vem acompanhado de uma gestão mais rigorosa e exigente do serviço prestado. As adequações do plano operacional, (com) a redução das viagens no entrepico, buscam justamente isso: uma maior eficiência do sistema. E tiveram um impacto muito pequeno no total pago. O que a gente está vendo é que, à medida que a gente vai fiscalizando; nós temos o Jaé agora, o controle; os sensores de ar-condicionado, a gente começa a glosar (rejeitar). Você paga por um serviço, e o serviço não é entregue, você começa a glosar — afirmou Eduardo Paes em vídeo publicado no X e no Instagram.
De acordo com a Secretaria municipal de Transportes (SMTR), “o repasse de subsídios da Prefeitura aos consórcios está em dia”. A partir do acordo com os empresários, ficou definido que linhas que não cumprem a quilometragem mínima exigida pelo município não recebem subsídio. O prazo da concessão, que ia até 2030, também foi encurtado e vale até 2028. A cidade será dividida em dezenas de áreas, com o primeiro lote, que engloba a Zona Oeste, previsto para ser licitado ainda este ano.
— Essa é mais uma picaretagem das empresas de ônibus. A vida delas está ficando cada dia mais complicada, mas não é por falta de pagamento. É porque acabou a farra delas — completou o prefeito. — Tenho uma péssima notícia para eles: vai continuar assim. A gente vai ficar em cima de vocês, para que prestem um serviço adequado à população.
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Em nova nota, divulgada após a fala de Paes, o RioÔnibus reconhece que, “desde o acordo firmado em maio de 2022, as empresas de ônibus que operam no Rio de Janeiro receberam subsídios que possibilitaram a aquisição de 2.800 novos veículos, sendo 1.700 zero km, a retomada de mais de 160 linhas e a contratação de 1.600 rodoviários, resultando em melhorias percebidas pelos passageiros de ônibus”. A nota diz ainda que, “no entanto, o setor está enfrentando dificuldades com o recente corte da Prefeitura de 20% na quantidade de viagens planejadas e da redução de 40% no valor do subsídio pago, em descumprimento aos compromissos assumidos em contrato, provocando um novo desequilíbrio econômico no setor e consequentes paralisações de operações nas empresas mais afetadas”.
Porta-voz do RioÔnibus, Paulo Valente afirma que o prefeito foi “infeliz” em suas falas, já que o valor recebido via subsídios é todo investido no sistema, segundo ele. Valente pontua que os operadores reclamam, por exemplo, sobre sensores de funcionamento de ar-condicionado, instalados recentemente nos ônibus da cidade. Essa medição é usada como parâmetro para não-pagamento de subsídios e as empresas questionam o município sobre o funcionamento dos equipamentos.
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A mudança na grade das linhas também é apontada como problemática para o setor, visto que “é impossível cumprir a programação” em alguns horários, sob o argumento de que o número de viagens é maior num sentido, em relação ao outro.
— A programação vem sendo feita por uma pessoa que não está acostumada a operar ônibus. É muito fácil (a prefeitura) olhar dados estatísticos (para determinar a operação das linhas). Mas ônibus não é teletransportado. Tem que ter lugar para estacionar, banheiro para os motoristas… o avião que vai para Nova York, por exemplo, tem que voltar para o Brasil. Hoje, é como se eu só tivesse voos para Nova York e não tivesse de volta para o Rio de Janeiro — observa Paulo Valente. — Depois do acordo feito, a prefeitura deu um jeito de fazer com que o valor do subsídio fosse reduzido, para caber dentro do seu orçamento.
Juntas, Real e Vila Isabel são responsáveis por linhas que ligam parte da Zona Norte e do Centro até a Zona Sul e a nova Zona Sudoeste, em bairros como Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. O Terminal Gentileza, por exemplo, é atendido por seis linhas operadas por essas empresas.