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MP arquiva denuncia de lesão corporal contra motoboy negro agredido com canivete por idoso no RS

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junho 9, 2025
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O Ministério Público do Rio Grande do Sul arquivou a denúncia de lesão corporal contra o motoboy Éverton Henrique Goandete, de 40 anos. Em fevereiro de 2024, o trabalhador foi agredido com um canivete no pescoço pelo aposentado Sérgio Kupstaitis, de 71 anos, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre (RS). A decisão é do dia 29 de maio de 2025.

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Éverton também havia sido indiciado por desobediência policial. No entanto, de acordo com o advogado da vítima, Ramiro Goulart, a acusação foi arquivada posteriormente.

— Foi reconhecido que não houve resistência. A defesa celebra o entendimento das decisões judiciais. Segue, porém, luta contra o racismo institucional e estrutural — declarou o criminalista.

No caso do aposentado que agrediu o motoboy, também houve indiciamento por lesão corporal e o Ministério Público ofereceu uma transação penal — ou seja, uma proposta para evitar o andamento do processo criminal. Ele aceitou essa proposta e, como pena, pagará o equivalente a um salário mínimo.

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Éverton Goandete contou ao GLOBO como foi a dinâmica do ataque que sofreu. De acordo com a vítima — que é um homem negro —, ele estava sentado quando Sérgio Camargo Kupstaitis, um idoso de pele branca, chegou pela frente e o feriu no pescoço. Éverton alega ter sofrido uma tentativa de homicídio, mas o caso foi investigado pela polícia como “agressão mútua”.

— Estou magoado por tudo o que aconteceu. Eu estava sentando de cabeça baixa, mexendo no celular, quando ele chegou de frente apontando a faca e tentou me matar. Naquele momento, só estava eu de motoboy porque os outros tinham saído para fazer entregas. Não tinha nenhum barulho. Se eu não tivesse conseguido esquivar, não estaria aqui hoje — relatou Éverton.

O motoboy disse, na época, não lembrar o que Sérgio o disse antes e depois do ataque. No entanto, ele admite que após ser golpeado, reagiu em legítima defesa atacando pedras contra o idoso. O GLOBO não conseguiu contato com a defesa de Sérgio.

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  • Motoboy diz ter sofrido racismo por parte da PM
  • PMs tiveram transgressão de conduta
      • MP arquiva denuncia de lesão corporal contra motoboy negro agredido com canivete por idoso no RS

Motoboy diz ter sofrido racismo por parte da PM

Sobre a abordagem policial, Éverton afirmou ter sido vítima de racismo. De acordo com ele, os policiais militares sequer o perguntaram o que estava acontecendo e já tentaram o imobilizar como se ele “tivesse atacado o idoso primeiro”, e não o inverso.

— Houve diferença porque ele é um cidadão branco e eu negro. Eles deveriam ter perguntado o que, de fato, estava acontecendo — disse.

Antes da conclusão do inquérito, o motoboy esteve na Assembleia Legislativa do estado em reunião com membros do Movimento Negros para debater as principais preocupações sobre a investigação do caso. Entre as principais demandas se destacou a necessidade de encaminhar o caso à 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa, a fim de que fosse investigada como tentativa de homicídio.

— Isso além de injusto, é totalmente desleal com as informações. Meu cliente se defendeu de uma facada e está sendo indiciado por isso. O fato do agressor admitir que havia uma desavença anterior ao fato, só torna o caso premeditado e não uma briga de vizinhos. Ele desceu armado para finalizar a desavença. Repito: não permitirei que o óbvio seja negado — afirmou o advogado Ramiro Goulart.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul apontou, no ano passado, que Sérgio já havia ligado para o 190 (Polícia Militar) três vezes reclamando dos motoboys que ficam parados em frente ao seu prédio. Duas das ligações ocorreram em 8 de outubro e em 17 de novembro de 2023, e a terceira em 24 de janeiro de 2024, quando o idoso teria relatado que havia um grupo de pessoas tentando “derrubar uma banca de jornal” na rua em que mora. Uma das pessoas envolvidas, de acordo com a polícia, era Éverton.

Ao todo, 27 pessoas foram ouvidas na investigação, sendo que 22 são testemunhas. Doze vídeos foram analisados, mas nenhum deles mostra o momento em que Sérgio agride o motoboy com o canivete.

Uma das gravações exibidas pela corporação mostra apenas o idoso saindo de seu prédio com a arma branca em mãos e, posteriormente, Sérgio tentando se desviar das três pedras arremessadas contra ele por Éverton. O entregador alega que reagiu como forma de defesa ao golpe que sofreu no pescoço.

— Não há imagens que mostrem o momento em que o agressor foi até o Éverton. Foi uma investigação totalmente parcial — comentou o advogado do motoboy.

PMs tiveram transgressão de conduta

A investigação concluiu ainda que não houve racismo na abordagem policial contra Éverton e que a atuação dos quatro policiais militares envolvidos foi correta e técnica. De acordo com o corregedor-geral da Brigada Militar, Vladimir Luís Silva da Rosa, o único erro dos agentes foi na condução de Sérgio e Éverton à delegacia, visto que apenas o motoboy foi levado no camburão.

— Ambos possuíam desentendimento no prédio desde 2023. Ambos foram abordados e algemados. Ambos foram presos. Ambos apresentaram lesões mútuas e ambos foram encaminhados à delegacia de polícia e ficaram em uma sala reservada — disse o corregedor-geral, ressaltando que, diferente do motoboy, Sérgio foi “solícito” com os agentes.

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