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O julgamento começou em abril, e Sarkozy é acusado de corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha, acobertamento de desvio de dinheiro público e associação criminosa, delitos que ele nega ter cometido. Além da pena de sete anos, os promotores pedem uma suspensão de cinco anos dos direitos civis, cívicos e familiares do ex-presidente.
Em março de 2011, quando a Líbia estava envolta nos protestos que levariam à queda do regime de Kadafi, meses depois, uma agência de notícias revelou que o então ditador teria ajudado a financiar a campanha de Sarkozy ao Palácio do Eliseu, em 2007. Naquele mesmo ano, o já eleito presidente recebeu Kadafi com honras em Paris, e o líder líbio disse, em entrevista, que era “graças a eles (líbios) que ele (Sarkozy) chegou à Presidência”, e que Tripoli havia fornecido os meios para sua vitória, sem dar detalhes.
Em uma reviravolta política, Sarkozy foi um dos primeiros líderes ocidentais a defender publicamente a intervenção armada na Líbia, um dos atos iniciais da guerra civil que se estende até hoje. Kadafi foi morto em outubro de 2011, após ser encontrado em um cano de esgoto de sua base política, Sirte, por opositores.
No ano seguinte, um veículo de notícias francês, o Mediapart, divulgou um documento que comprovaria o financiamento de ao menos € 50 milhões (R$ 309,8 milhões) à campanha de Sarkozy, cujo custo declarado às autoridades francesas foi de € 20 milhões (R$ 123,95 milhões). Quando as investigações já estavam em curso, um primo do ex-ditador disse à Associated Press que sabia do dinheiro de campanha, e que o processo contra o ex-presidente francês “era uma punição de Deus”.
Ao apresentar o pedido de sete anos de prisão para Sarkozy, o Ministério Público disse que o caso é um “quadro muito sombrio de uma parte da nossa República”, marcado pela “busca frenética por financiamento para suas ambições avassaladoras”, se referindo ao ex-presidente. Os promotores denunciaram ainda um “pacto de corrupção faustiano com um dos ditadores mais desonrosos, cuja loucura assassina causou a morte de centenas de pessoas”, e pediram uma multa de € 300 mil (R$ 1,85 milhão).
Além de Sarkozy, o processo tem mais 11 réus, incluindo seus ex-ministros Claude Guéant e Brice Hortefeux, apontados como responsáveis por ajudá-lo a montar o esquema de financiamento, o empresário franco-libanês Ziad Takieddine, que em 2016 chegou a confessar ter transportado malas de dinheiro, mas depois recuou, e integrantes do regime de Kadafi. As penas pedidas aos demais acusados chegam a até seis anos de prisão.
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A partir de segunda-feira, as defesas terão a chance de contestar as acusações, e os advogados de Sarkozy devem falar no dia 8 de abril. Segundo o jornal Le Figaro, a decisão dos juízes deve levar alguns meses até ser proferida, e eles podem aumentar ou diminuir o tempo de prisão em relação ao que pediu o Ministério Público, ou mesmo absolver os réus.
No X, Sarkozy criticou as acusações.
“O PNF (Ministério Público Nacional Financeiro, sigla em francês) insiste há 13 anos em tentar provar a minha culpabilidade”, escreveu o ex-presidente. “Continuarei, portanto, a lutar com unhas e dentes e a acreditar na sabedoria do tribunal. No final, resta a falsidade e a violência das acusações e o excesso da pena pedida que apenas visam mascarar a fragilidade das alegadas acusações. Por fim, quero dizer enfaticamente que aquele que é vítima de injustiça é menos digno de pena do que aquele que a comete. O primeiro defende a verdade. O segundo desrespeita isso. Perante o tribunal da história, o lugar reservado a estes últimos não é dos mais invejáveis. Deixo isso para meus acusadores.”
Analistas veem uma eventual condenação no processo como a mais grave e potencialmente danosa ao legado de Sarkozy dentre os muitos problemas que ele tem com a Justiça francesa.
Em fevereiro do ano passado, ele foi condenado por financiamento ilegal de sua fracassada campanha de reeleição, e ao invés de cumprir a pena de seis meses de prisão, o juiz determinou que ele usasse uma tornozeleira eletrônica, algo comum para penas inferiores a dois anos na França. Em dezembro, a Corte de Cassação confirmou a condenação por corrupção e tráfico de influência quando era presidente, relativa a um processo de 2021, determinando pena de um ano de prisão, a ser cumprido também com uma tornozeleira eletrônica.
