A britânica Virginie Liba, de 49 anos, passou quatro anos convivendo com sintomas que, segundo ela, foram atribuídos a alergias e à menopausa precoce antes de descobrir que tinha leucemia mieloide crônica (LMC), um tipo raro e de crescimento lento de câncer no sangue. Mãe de três filhos, ela começou a apresentar sinais da doença em 2015, aos 39 anos, mas só foi diagnosticada em novembro de 2019.
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Os primeiros sintomas foram episódios intensos de suor noturno, que a faziam acordar e trocar o pijama e os lençóis. Depois, ela desenvolveu uma tosse persistente. Ao procurar atendimento médico, diz ter sido informada de que estava passando por uma menopausa precoce e que sofria de alergias sazonais.
— Eu tinha que ficar trocando meu pijama e os lençóis. Pesquisei no Google, que dizia se tratar de uma possível menopausa. Eu tinha apenas 39 anos na época, então deixei pra lá — contou Virginie à agência de notícias britânica Southwest News Service.
A tosse continuou apesar do uso de medicamentos vendidos sem receita. Nos anos seguintes, Virginie também apresentou inchaço nas pernas e perda de peso. Ela afirma que procurou médicos e serviços de atendimento diversas vezes, mas continuou recebendo explicações relacionadas à menopausa precoce e a alergias.
A situação mudou em 2019, quando Virginie e a família se mudaram e ela passou a ser atendida por um novo clínico geral. Naquele período, ela começou a sentir uma dor aguda no lado esquerdo do abdômen e percebeu um grande volume na região.
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Ao analisar o histórico médico da paciente, o novo médico teria se surpreendido com o fato de ela nunca ter sido encaminhada para um exame de sangue, apesar dos sintomas apresentados durante anos. Virginie recebeu, enfim, uma solicitação para realizar o teste.
Diagnóstico de leucemia mieloide crônica
Antes da data marcada, porém, seu estado de saúde piorou. Ela procurou novamente atendimento de emergência, e o médico entrou em contato com o hospital durante a consulta. Virginie foi encaminhada diretamente ao departamento de hematologia.
Em 21 de novembro de 2019, ela recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide crônica. A doença afeta a medula óssea e provoca a produção anormal de células sanguíneas.
O tratamento começou imediatamente e teve efeitos colaterais intensos. Virginie perdeu os cabelos, ficou extremamente cansada e apresentou falta de ar, náuseas constantes, sangramento nas gengivas, erupções na pele e escurecimento das unhas.
Depois de deixar o hospital, ela continuou o tratamento em casa, com medicamentos e acompanhamento médico mensal durante cerca de sete anos. Atualmente, Virginie já concluiu o tratamento e realiza exames de sangue regularmente para monitorar sua saúde.
Ela decidiu tornar pública a história antes do Mês de Conscientização sobre o Câncer do Sangue, celebrado em setembro no Reino Unido, em uma campanha de conscientização da organização Leukaemia UK.
— Os médicos estão lá para salvar a vida das pessoas e para ouvir você. Os sintomas estavam lá. Nenhum médico parou para ir além dos sintomas ou perguntar por que aquela mulher continuava voltando — afirmou. — Eu tenho sorte, mas existem outras pessoas que não têm. Há famílias e crianças sem os pais porque médicos cometem erros e não tiram nem cinco minutos para dizer: “Você precisa fazer um exame de sangue”.
Segundo Fiona Hazell, diretora-executiva da Leukaemia UK, os sinais da leucemia podem ser pouco específicos e acabar confundidos com outras doenças.
— Somos muito gratos a Virginie por compartilhar sua história para ajudar a conscientizar sobre a leucemia. A maioria dos sinais e sintomas não é específica e, por isso, pode ser confundida com outras doenças ou simplesmente descartada. O diagnóstico precoce salva vidas — afirmou.
Sintomas da leucemia mieloide aguda
Os principais sintomas desse tipo de câncer são:
Fadiga;
Cansaço;
Falta de ar durante atividades físicas normais;
Tonturas ou desmaios;
Dores de cabeça;
Palidez;
Infecções frequentes;
Febre;
Hematomas;
Manchas vermelhas na pele (petéquias);
Sangramentos;
Perda de apetite;
Perda de de peso sem motivo aparente;
Aumento do baço e do fígado.
Por se tratar de uma doença bastante agressiva, a leucemia mieloide aguda deve ser tratada assim que feito o diagnóstico. O tratamento varia de acordo com a idade do paciente, assim como fatores de risco citogenético e molecular. As opções são: quimioterapia, terapia alvo e transplante de medula óssea.

