A menos de uma hora do início da partida que definirá o próximo campeão mundial do futebol, uma multidão vestida com camisetas com as cores branca azul celeste se reúne no bar Moocaires, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, e nos arredores, na torcida pela Argentina. A seleção de Lionel Messi enfrenta a Espanha às 16h pela final da Copa do Mundo.
A torcida é tanta que não se limita ao bar, e na rua, especialmente em um posto de gasolina que fica ao lado do bar, centenas de pessoas gritam cânticos em espanhol celebrando Maradona, enquanto seguram bandeiras da Argentina.
Apesar de haver alguns cidadãos do país vizinho, boa parte dos frequentadores é formada por brasileiros e o espanhol se ouve mais nas músicas do que nas conversas. Nas mãos de muitos torcedores, cervejas de marcas argentinas e o coquetel Fernet Cola dão lugar às bebidas brasileiras — mas o cheiro defumado vindo das “parrilhas” na rua não se difere do churrasco brasileiro.
Puxando o coro, há até integrantes da Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians. Alex Oliveira, 45 anos, conta que há cerca de cem integrantes da Gaviões que se reúnem há anos no local para celebrar a Albiceleste.
— Eu fui para a Argentina com seis anos, a passeio, e já me apaixonei pelo futebol de lá. Depois, morei seis anos em Buenos Aires, já adulto, e comecei a torcer para eles, porque é um futebol de raça. É o futebol que você tira o chapéu, diferente do futebol da seleção brasileira, que hoje em dia tem virou uma seleção de TikTok — contou ele ao GLOBO.
Faixas na Rua da Moooca provocam brasileiros
Hyndara Freitas
A Rua da Mooca, onde fica o bar, foi parcialmente bloqueada por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), devido a grande quantidade de pessoas.
O Moocaires foi fundado em 2007 por argentinos e virou um reduto de cidadãos do país vizinho em São Paulo, mas há anos passou a concentrar também “argentinos-brasileiros” que passaram a acompanhar os jogos da seleção de Lionel Messi ali. O nome do local é a junção dos nomes Mooca e Buenos Aires e, por lá, a camisa da seleção albiceleste é regra.
Após um vídeo do GLOBO que mostrava o bar ter viralizado nas redes sociais, os donos do estabelecimento reforçaram a segurança por conta de ameaças. Nas redes, a maioria dos comentários manifesta reclamação de brasileiros deixarem de torcer para seu país para celebrarem a seleção argentina, rival histórica da seleção brasileira.

