A maior operação policial do Rio de Janeiro, que mira o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, realizada nesta terça-feira, matou dezenas de suspeitos. Durante a ofensiva, contra-atacada pelos criminosos com drones equipados com granadas, o governador Cláudio Castro cobrou auxílio do governo federal, por meio de blindados, relatando envio de três pedidos, todos negados, a Brasília. Em resposta, o Ministério da Defesa argumenta que, no início deste ano, a Advocacia-Geral da União (AGU) analisou o caso e orientou que a solicitação “somente poderia ser atendida no contexto de uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO)”. A tréplica de Castro, por sua vez, é de que não adiantava ele fazer os pedidos, mencionando, por exemplo, que o presidente Lula já disse publicamente ser contra GLOs.
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A GLO é um instrumento legal necessário para o uso das forças armadas nas ruas e precisa ser pedida pelo governo. Ela pode ser válida para toda a cidade ou para pontos específicos, o que deve ser especificado no pedido.
O GLOBO teve acesso a alguns ofícios trocados entre os governos fluminense e federal no começo do ano. Direcionado ao ministro da Defesa José Múcio Monteiro Filho, um documento, assinado pelo secretário Felipe Curi, titular da pasta da Polícia Civil, em 28 de janeiro, pede “cooperação e apoio logístico da Marinha”, com o uso de veículos blindados, como o carro lagarta anfíbio (Clanf). O uso seria durante “intervenções policiais em áreas conflagradas” do estado. A Cidade da Polícia, no Jacarezinho, foi oferecida como base nos dias dessas possíveis ações conjuntas.
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“Esclarecemos que as forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro estarão prontas para iniciarem suas atividades em dia, local e horário a serem previamente definidos”, diz trecho do ofício assinado por Curi.
Na mesma data, o governador Cláudio Castro também oficiou Múcio, a partir do pedido da Secretaria de Polícia Civil, reiterando a solicitação. Em 12 de fevereiro, o ministro da Defesa, então, respondeu, solicitando ao governador do Rio que agendasse uma reunião para tratar do tema, com o vice-chefe de Operações Conjuntas da pasta, o general Alcio Alves Almeida e Costa. O processo está fechado ao público-geral.
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Em nota, o Ministério da Defesa argumenta que “quando o Governo do Estado do Rio de Janeiro encaminhou ofício solicitando o apoio logístico da Marinha do Brasil (em janeiro de 2025), por meio do fornecimento de veículos blindados (Clanf), o referido pedido foi submetido à análise da Advocacia-Geral da União (AGU)”. Na ocasião, informa a pasta, o pedido estava relacionado à morte da médica da Marinha Gisele Mendes de Souza e Mello, de 55 anos, morta por uma bala perdida, dentro do Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte da capital fluminense, ocorrido em dezembro do ano passado.
A pasta menciona ainda que, após o ocorrido na unidade de saúde, a Marinha colocou blindados no entorno do hospital, “respeitando o limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares”. Na ocasião, então, a AGU “emitiu parecer técnico indicando que a solicitação do governo do RJ somente poderia ser atendida no contexto de uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que demandaria Decreto Presidencial”.
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Castro: ‘Não adiantava eu pedir’
Mais cedo, o governador afirmou em uma coletiva que entendeu que a política do governo federal é de “não ceder” blindados e que, apesar da necessidade de GLO, “o presidente já falou que é contra” a medida.
— A gente não vai ficar chorando pelos cantos, vamos ficar trabalhando — disse.
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No início da noite, à TV Globo, o governador respondeu à repercussão do Ministério da Defesa, citando novamente o posicionamento de Lula.
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— A pergunta do repórter foi se o governo federal estava participando da operação. Eu falei que não. E perguntaram por quê. Eu falei que em outras três ocasiões nós solicitamos os blindados, da Marinha, que nós não conseguimos adquirir porque é de uso exclusivo (das Forças Armadas), propiciam que as forças de segurança entrem em qualquer território. E o motivo da negativa nas últimas três ocasiões foi a exigência de uma lei da garantia e da ordem, em virtude do operador do blindado. E o presidente da República (Lula), publicamente, já disse que é contra a GLO. E não adiantava eu pedir, já que eu já tinha tido três negativas antes — argumentou à emissora. — Houve uma leitura errada da minha fala.
Conduzida pelas polícias Civil e Militar, a operação Contenção empregou 2.500 agentes. Mais de 60 suspeitos foram mortos, além de policiais. Moradores e agentes ficaram feridos.

