O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, determinou a realização de uma perícia rigorosa no corpo de Herus Guimarães Mendes, de 23 anos, morto durante operação na madrugada do último sábado (07/06), no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio. A ação policial foi comandada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). Um legista e três técnicos, responsáveis por operar um scanner de última geração contratado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), realizaram a necropsia.
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— Não é aceitável que um batalhão de elite tenha cometido o que, até agora, tudo indica: uma intervenção absolutamente irresponsável em um local onde, como todos sabem, ocorria uma festa junina — declarou Campos Moreira. — O Ministério Público, no exercício do controle externo da polícia, deve instaurar procedimento investigatório próprio e realizar uma perícia independente — acrescentou.
‘Não é aceitável que batalhão de elite possa ter praticado uma intervenção irresponsável’
O chefe do MPRJ classificou a operação do Bope como “desastrosa”. Campos Moreira afirmou aguardar o relatório da operação e as imagens das câmeras corporais dos policiais. Até o fim da tarde de segunda-feira (09/06), a instituição ainda não havia recebido nenhum desses materiais da Secretaria de Polícia Militar.
— Estamos fazendo nossa parte. A perícia paralela à oficial, realizada por peritos do Instituto Médico-Legal, não significa desconfiança em relação à perícia oficial. Trata-se apenas do cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF-635 — justificou Campos Moreira.
Segundo o MPRJ, o scanner usado em Herus faz escaneamentos tridimensionais, capazes de mapear com precisão vestígios e lesões, e permite a elaboração de laudos interativos para reconstruir a dinâmica do ocorrido. Foram identificadas duas perfurações no abdômen da vítima. Uma bala foi retirada do corpo e será comparada com as armas dos policiais envolvidos, que já foram apreendidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

