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‘Não se pode sentar em cima dos dados da geolocalização de crimes’, diz a especialista em segurança pública Joana Monteiro

BRCOM by BRCOM
julho 22, 2025
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Os bairros onde há mais roubo de celulares na cidade do Rio — Foto: Editoria de Arte

O segundo capítulo da série de reportagens com base nos dados da ferramenta Mapa do Crime, do GLOBO, mostra que apenas dez dos 147 bairros analisados na cidade do Rio acumulam um terço (ou 5.067) de todos os 14.196 casos registrados em 2024. No ranking de roubo de celular, a Tijuca, com 581 ocorrências, só perde para o Centro, que teve 1.622 casos. A rota dos bandidos inclui o Maracanã (455 registros), a Barra da Tijuca (424) e Botafogo (423), bairros de classe média e média alta.

CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME COMO SÃO OS ROUBOS NO SEU BAIRRO

Esta centralização não é recente. Em 2019, a especialista em segurança pública e diretora do Laboratório para Redução da Violência (Leme), Joana Monteiro, ao lado do pesquisador Spencer Chainey, dividiu a cidade do Rio em células de 150 metros quadrados e analisou como as ocorrências de roubos e furtos se espalharam por essas unidades espaciais em 2015 e 2016. O resultado escancarou a concentração do crime. Em 2015, só 3,3% das células acumularam metade do total de casos. No ano seguinte, o acúmulo se repetiu, com taxa estável em 3,5%. A mesma metodologia foi repetida para dados de 2019, e o resultado foi parecido: metade dos roubos e furtos aconteceu em 5,3% do território da cidade (Centro, Madureira, Pavuna, Bangu e Tijuca).

  • Mapa do Crime revela os bairros mais perigosos do Rio: Centro, Grande Tijuca e Flamengo estão na lista de onde os roubos mais aumentaram
  • O gatilho da violência: Rio concentra 43% das apreensões de fuzis, armas de guerra que desconfiguraram o estado em cinco décadas

Leia abaixo a entrevista com a pesquisadora Joana Monteiro.

O que esses dados revelados pelo Mapa do Crime, dez anos após sua pesquisa sobre o assunto, diz sobre os crimes no Rio?

Os resultados mostram um padrão tão forte que é quase uma lei natural: cerca de 5% do território concentram metade dos crimes de rua. Os “pontos quentes” se mantiveram estáveis mesmo com o passar dos anos. Por isso, a resposta do poder público deve ser bastante específica, com intervenções focadas nesses pontos.

Os bairros onde há mais roubo de celulares na cidade do Rio — Foto: Editoria de Arte

Qual é a política pública mais eficaz para reduzir os roubos nas ruas, que afetam a rotina da população?

Várias pesquisas já demonstraram que roubos são muito concentrados. Por isso, o policiamento precisa ser calibrado onde o problema é maior, de uma forma precisa. O foco da política pública precisa ser no policiamento preventivo no território, e não em operações. Nas últimas décadas, também evoluíram muito as discussões sobre intervenção focada no local, ou seja, ações no território que vão além do policiamento e ajudam na diminuição de roubos e furtos, como iluminação, mobiliário urbano, ordem pública. A polícia é só uma parte do processo.

Quando a senhora era presidente do ISP, em 2018, assinou uma portaria que tornou sigilosos os dados georreferenciados de crime no Rio, que podem basear estudos e políticas públicas. Por quê?

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Na época, estávamos organizando a instituição e organizando suas bibliotecas. Minha posição era que deveria haver transparência, mas o momento político era o da Intervenção Federal e o direcionamento era o oposto, para fechar tudo. Eu cedi, mas achava que isso passaria e seria revertido, mas continua valendo até hoje. Qualquer gestor do instituto pode mudar. Sigo defendendo que esses dados precisam ser públicos. Não são informações sensíveis, e o valor que têm para políticas públicas e estudos é inestimável. Não se pode sentar em cima de informações importantes para outros entes federativos criarem políticas públicas. O Rio precisa fazer uma análise mais científica dos seus dados.

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