O advogado Nelson Wilians decidiu se afastar, por prazo indeterminado, da administração do escritório que leva seu nome, a NWADV. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira nas redes sociais do escritório, um dia após Wilians ser alvo da Operação Arena, da Polícia Federal.
De acordo com a nota, Wilians decidiu se afastar para se dedicar ao cuidado da família e acompanhar os desdobramentos da investigação, permanecendo à disposição das autoridades. A administração da NWADV passará a ser exercida por um Comitê Executivo.
A operação Arena investiga um grupo empresarial suspeito de usar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos de jogos de azar e apostas esportivas. Segundo a PF foram cumpridos, nesta quinta-feira, 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, além de medidas de quebra de sigilos e de sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
A nova investigação da PF envolve empresas de apostas esportivas, entre elas a PixBet, que tem relação profissional com o escritório de Wilians. A defesa do advogado afirmou que o vínculo entre a NWADV e a empresa é estritamente jurídico e decorre da prestação de serviços de advocacia.
A PixBet não se manifestou sobre o tema, o espaço segue aberto.
A Operação Arena foi realizada pela PF em parceria com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. De acordo com a PF, os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A investigação é a segunda a atingir Wilians em menos de um mês. Em 15 de julho, o advogado e seu escritório foram alvos da Operação Distrato, conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), que apura um suposto esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS. Segundo a investigação, a fraude poderia envolver R$ 3,8 bilhões em créditos tributários. O escritório de Wilians foi apontado como ligado a um dos núcleos centrais da apuração.
Na investigação sobre os créditos tributários, a apuração apontou o uso de empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional para criar uma circulação artificial de créditos de ICMS. Os créditos seriam vendidos principalmente a pequenas e médias empresas.
Segundo o Fisco paulista, o esquema também envolvia consultorias e escritórios de advocacia, responsáveis por prospectar clientes, elaborar contratos e produzir pareceres para dar aparência de legalidade às operações.
Wilians também já havia aparecido no radar de autoridades na Operação Sem Desconto, que apurou descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O advogado chegou a prestar depoimento à CPMI do INSS em 2025.

