
Em mais um passo para reforçar as operações na área de Nutrição e Saúde — uma das quatro prioritárias globalmente para a Nestlé —, a companhia anuncia a construção de uma nova fábrica de fórmulas infantis no Brasil. Projeto de R$ 600 milhões, ficará em Ituiutaba, Minas Gerais, e irá produzir Nestogeno, Nestonutri, Ninho 1+ e Ninho 3+. O foco inicial é suprir a demanda o mercado doméstico e, na sequência, ser usada como um hub de exportação.
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Ao todo, a divisão de Nutrição e Saúde vai totalizar R$ 2 bilhões em investimentos previstos no país até 2028, já incluindo projetos anunciados, como a expansão da fábrica de Araçatuba, a maior da Nestlé no Brasil e principal em fórmulas infantis, que consumirá R$ 540 milhões. Na prática, a área terá perto de 30% do aporte total previsto pela multinacional suíça no Brasil entre 2025 e 2028.
— O mais importante dentro desse investimento é que a gente deixa de importar para começar a exportar. É uma grande mudança que vai acontecer, e gerando empregos, sendo 700 indiretos (na fase de construção) e 100 diretos (na operação), num hub de 300 trabalhadores — destaca Marcelo Citrangulo, vice-presidente de Nutrição e Saúde da Nestlé Brasil. — Com essa nova unidade, o Brasil se torna um hub de exportação de fórmulas infantis.
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Com a demanda em alta, explica o executivo, foi preciso importar parte dos produtos de fórmulas infantis hoje consumidos no país. Com o novo projeto em Ituiutaba, o Brasil passa a contar com um centro para a Nestlé começar a exportar produtos para outras regiões. O município mineiro já é sede da maior fábrica de lácteos da companhia na América Latina.
Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil
Pageio Gordon
Em paralelo, há um investimento para produção de soro de leite, em Carazinho (RS). A capacidade de produção das novas unidades não foi divulgada. Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil, pontuou que, com o advento das canetas emagrecedoras no país e a crescente demanda por produtos proteicos, “tudo o que é soro de leite virou uma matéria-prima extremamente estratégica para” toda a indústria.
Nutrição e Saúde é uma das quatro áreas prioritárias para a Nestlé globalmente, ao lado de café, produtos para pets e alimentos e lanches, em meio a uma reestruturação da companhia para ampliar vendas e resultados. Esta semana, foi selada a venda da divisão global de vitaminas, minerais e suplementos para o fundo de private equity americano Yellow Wood Partners por US$ 1 bilhão.
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No Brasil, terceiro maior mercado para a companhia no mundo, Nutrição e Saúde são a segunda área em resultado, atrás apenas da de café, representando 27% das operações, segundo o executivo. No alvo, produtos que cobrem todas as etapas da vida do consumidor, desde o planejamento de uma gravidez à longevidade.
Ainda que a nova unidade de Ituiutaba vá dispensar a necessidade de importações em fórmulas infantis, Melchior avalia que é cedo para discutir se isso vai representar redução de preço dos produtos:
— É prematuro falar nisso. O que queremos é assegurar um abastecimento correto, ter umas coisas mais verticalizadas, depender menos de variações cambiais, de produtos importados. Fica sempre uma logística mais complicada quando não se tem autossuficiência na produção de algum produto. A gente procura ter menos dependência de importação — explicou, destacando que o foco é produzir para abastecer o Brasil, mercado de grande importância para a Nestlé, e exportar.
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A companhia vem avançando em pesquisa e inovação para entregar produtos que supram as demandas de um consumidor em transformação, dizem os executivos. Em fórmulas infantis, por exemplo, a Nestlé lançou o Nutrem Ultra, com 32 gramas de proteína, e também uma opção com probióticos do Brasil.
Em março, a Nestlé lançou o Vital, suplemento nutricional para adultos com mais de 40 anos de idade.
Para Melchior, o cenário de consumo não mudou significativamente nos últimos anos:
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— Sempre tem desafios novos. Antes a gente falava de bets; agora, de canetas, depois começa a falar do endividamento das famílias. Então, o que fazemos constantemente é estarmos alinhados com o que está acontecendo lá fora. Estamos constantemente reformulando nossos produtos, vendo novos formatos, trabalhando para manter o crescimento e ganhar lá fora — diz.
Segundo ele, a Nestlé está em 99% dos lares do país, incluída em compras frequentes do consumidor com valores médios relativamente baixos, entre R$ 10 e R$ 20. E isso pede sintonia da operação com a demanda desse mercado.
