A Nestlé está recorrendo ao executivo que comanda seu império de cafés Nespresso para tentar estabilizar a maior empresa de alimentos do mundo, depois de ter sido abalada pela demissão de seu segundo CEO em pouco mais de um ano.
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Philipp Navratil está assumindo como diretor-presidente da companhia suíça, após a saída de Mark Schneider por baixo desempenho no ano passado e de Laurent Freixe, na segunda-feira, por não ter revelado um relacionamento com uma subordinada direta.
Trata-se de uma turbulência sem precedentes para uma empresa conhecida por seu planejamento interno de sucessão e sua cultura corporativa conservadora.
A demissão de Freixe “nos deixou chocados”, afirmaram os analistas do RBC, incluindo James Edwardes Jones, em nota. “Nós o víamos como um homem de carreira na Nestlé que restauraria a reputação da companhia de previsibilidade um tanto entediante. Estávamos muito enganados.”
A rápida reestruturação levanta a questão de por que a Nestlé nomeou imediatamente um CEO interno permanente, “em vez de tirar tempo para realizar uma avaliação completa de candidatos internos e externos”, disseram analistas do Jefferies.
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As ações da Nestlé caíram 3,6% no início da terça-feira antes de reduzir parte da queda.
Agora, os olhos dos investidores estão voltados para Navratil, veterano da empresa há mais de 20 anos, que aos 49 anos pode, em tese, comandar a fabricante das barras de chocolate KitKat por uma década ou mais. Ele ingressou na Nestlé em 2001 e passou grande parte de sua carreira na América Central, incluindo o México, com foco no negócio de cafés.
Posteriormente, chefiou a unidade global de café do grupo, supervisionando a marca Nescafé e o contrato de licenciamento com a Starbucks, que os analistas veem como uma das áreas mais promissoras da Nestlé. Ele se tornou CEO da Nespresso, fabricante de máquinas de café e cápsulas de dose única, em julho de 2024.
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A nomeação de Navratil, junto com a mudança de presidente do conselho no próximo ano, é “o verdadeiro passo geracional que provavelmente deveria ter ocorrido 12 meses antes”, afirmou o analista Andreas von Arx, do Baader, em nota.
Ainda assim, Navratil enfrenta ceticismo sobre sua capacidade de revitalizar uma empresa cujas ações despencaram mais de 40% desde o pico no início de 2022. A queda, que começou sob a gestão de Schneider, era justamente o desafio que Freixe deveria reverter.
Mas os esforços do ex-CEO chegaram a um fim abrupto depois que uma investigação concluiu que Freixe havia violado o código de conduta da Nestlé, segundo comunicado divulgado na noite de segunda-feira. Ele não receberá pacote de saída, uma prática na alta gestão que garante vultuosas remunerações a executivos afastados do cargo.
A questão foi levada inicialmente à atenção dos dirigentes da empresa por meio de um sistema interno chamado “speak up”, segundo uma pessoa próxima ao caso que pediu anonimato. Como as acusações não puderam ser comprovadas em uma primeira investigação, novas preocupações foram levantadas pelo mesmo sistema interno, levando ao início de uma apuração com assessoria externa, acrescentou a fonte.
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Comentando sobre seu novo cargo, Navratil disse que irá “abraçar plenamente a direção estratégica da empresa” — um sinal claro de que continuará a estratégia de Freixe de aumentar os gastos com publicidade, apostar em menos, porém maiores, iniciativas de produto e se desfazer de unidades com baixo desempenho.
Ele herda reestruturações em andamento, incluindo a possível venda das marcas de vitaminas em dificuldades e a busca por um parceiro para o negócio de água engarrafada da Nestlé, que Freixe havia separado em uma unidade independente.
“Estamos desapontados que, por ora, o CEO esteja engessado para seguir a estratégia de seu antecessor em um momento em que o mercado duvida dos resultados”, afirmou a analista do JPMorgan, Celine Pannuti, em nota.
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Alguns dos desafios da Nestlé estão além de seu controle direto. Embora Freixe tenha destacado com frequência que cerca de 90% dos produtos vendidos pela empresa nos EUA são fabricados domesticamente — e, portanto, estão fora do alcance das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump — uma exceção importante são as cápsulas de café da Nespresso, fabricadas na Suíça. Agora, elas enfrentam uma tarifa de 39%.
Esse é um negócio que, ao menos, Navratil conhece bem.