
Em eleições que podem definir seu futuro político, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apelou para um expediente de campanhas eleitorais passadas e afirmou que eleitores árabes estão indo em massa às urnas, e que “tentam roubar” a votação. As pesquisas mostram que o premier, o mais longevo da história do país, deve ter problemas para se manter no poder, e os partidos árabes devem ter papel decisivo na formação de um novo governo.
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Em publicações nas redes sociais, Netanyahu fez seguidos apelos para que seus apoiadores saiam de casa para votar, apontando para o que seria um comparecimento acima da média em comunidades árabes. Em uma delas, afirma que hoje “não é dia de ir ao mar nem de fazer churrasco”, e que “na balança está o futuro do nosso Estado judeu: um governo de direita forte ou um governo de esquerda apoiado pelos partidos árabes”.
“Ônibus estão saindo para as urnas, e filas gigantes são relatadas nos povoados árabes. E enquanto isso, os baluartes da direita não acordam! Se não sairmos agora para votar, vamos nos ver com um governo dos partidos árabes”, escreveu na rede social X.
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O premier ainda afirmou que “mulheres judias de esquerda estão levando mulheres árabes às urnas”, e acusou três membros do alto escalão da Lista Árabe Unida (Ra’am) de oferecerem suborno aos eleitores para tentar “roubar a eleição”. Os homens foram detidos, sem maiores detalhes.
“Eu exijo que o sistema de aplicação da lei investigue o incidente”, escreveu Netanyahu na rede social X. “Eleitores da direita, queridos eleitores do Likud, diante das tentativas de prejudicar a pureza das eleições, devem sair e votar em massa, votar no Likud pelo nosso país.”
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O Ra’am diz que os detidos não têm laços formais com a sigla, e que as prisões “não têm base legal”.
Com as acusações e a campanha de medo, Netanyahu repete uma velha tática de eleições passadas, quando também apresentou os árabes como uma ameaça existencial ao seu projeto de um Estado judeu. Em 2015, também disse que os árabes estavam “indo em massa às urnas”, e que “ONGs de esquerda os estão levando de ônibus aos locais de votação”. Nesta terça-feira, ao menos um vídeo publicado pelo premier no X foi identificado como sendo da eleição de 2022.
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Em outro incidente, um homem armado com uma faca foi preso ao tentar se aproximar “de maneira intimidadora” de Yair Golan, líder do Democratas, de esquerda, durante um ato de campanha em Tel Aviv. De acordo com assessores, a proteção de Golan passou a ser feita por agentes do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel, devido a ameaças recentes. Em comunicado divulgado pelo partido, o político afirma que “a incitação e a violência não nos deterão”, e acusou Netanyahu de manter uma “máquina envenenada” contra a oposição.
De acordo com dados preliminares, o comparecimento às urnas no início da tarde é o maior desde 1973, em mais um sinal de como os israelenses encaram as primeiras eleições gerais desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e da sequência de guerras em Gaza e contra o Irã. Há filas em dezenas de seções, inclusive em cidades e vilas de maioria á, e muitos cidadãos que vivem no exterior chegaram para depositar seus votos. As autoridades eleitorais disseram que quem estiver na fila até as 22h (17h em Brasília), quando as seções serão fechadas, poderá votar.
— Estas eleições vão decidir o futuro do nosso país e, para ser sincero, me dão um medo danado, porque temo que os caras maus vençam de novo, e espero muito que isso não aconteça — declarou Yoav Tzivioni, que vive na Nova Zelândia, ao jornal Haaretz, revelando ainda em quem não pretendia votar. — No Bibi (apelido de Netanyahu), não.
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Pesquisas mostram que o Likud, partido de Netanyahu, não deve se manter como a maior sigla no Parlamento, e que a oposição tem boas chances de retomar o controle do governo.
— Estamos no dia mais crítico desde a fundação de Israel — disse Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar e apontado como o possível novo primeiro-ministro, pedindo que os eleitores “não se deixem levar pela campanha de medo” de Netanyahu. — Apelo a todos os cidadãos israelenses que saiam para votar e permaneçam comprometidos com a missão.
Em comunicado, o Yashar creditou a campanha de medo de Netanyahu e aliados como um sinal de pânico dos governistas. Segundo o texto, o premier “já está preparando o terreno para contestar os resultados eleitorais”, e a única forma de impedir qualquer tipo de contestação será através de uma vitória “avassaladora”.
“A vantagem hoje precisa ser enorme — uma diferença que não possa ser manipulada”, diz o partido.