Em novo capítulo do embate vigente no campo bolsonarista, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse nesta sexta-feira ao pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) estar sendo provocado “há três anos”, mas ressaltou “ter um limite”. A declaração do parlamentar ocorre após desentendimentos públicos com os demais filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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“Com o passar do tempo, vários aliados de longa data, leais e íntegros tem sido alvo da mesma turma que nada agregam, a não ser gerar divisão e até mesmo fiscalização/perseguição a quem não posta uma porcentagem que eles desejam. Isso tem gerado um clima que ninguém mais suporta. Poucos tem coragem de enfrentar, e quando enfrentam, recebem o rótulo de ‘traidores’”, escreveu Nikolas em postagem nas redes sociais.
O deputado afirmou que permanecerá “calado” apesar das provocações e disse que fará “de tudo” para que Flávio chegue ao Planalto. O mineiro afirma que, apesar dos pedidos de pacificação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), as divergências permanecem e “até cor de camisa é argumento para conflitos”.
De forma indireta, Nikolas também rebate uma fala do pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro (PL-SC) nesta semana na qual o ex-vereador anunciou que faria um “levantamento” de correligionários que não divulgam a candidatura de Flávio nas redes sociais.
“Postar você todos os dias, qualquer um faz. Porque isso é fácil. Mas conquistar os votos, através das ideias que você representa, isso sim é um trabalho efetivo, e que poucos fazem, porque exige trabalho, preparo e inteligência” afirmou Nikolas.
Carlos, por sua vez, alega que a iniciativa visa levar o assunto à executiva partidária para “corrigir” a postura daqueles que não estejam vestindo a camisa da postulação do irmão.
“Quem quer vencer precisa agir, comunicar e vestir a camisa. Neste momento, muitas vezes, basta o básico: marcar posição e se manifestar com… postagens. Seguimos tentando ajudar a manter vivos politicamente, inclusive muitos que por algum motivo ignoram Flávio Bolsonaro e não dão bola para a situação do Brasil”, completou Carlos.
Também nesta sexta-feira, Nikolas voltou a subir o tom contra os filhos do ex-presidente e chamou o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL) de “toupeira cega”.
Divisão na direita
No início do mês, Eduardo havia publicado um longo desabafo sobre Nikolas, a quem chamou de “versão caricata de si mesmo”. O ex-parlamentar, que está radicado nos Estados Unidos, disse que o mineiro estaria desrespeitando sua família.
“Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoie e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente”, afirmou Eduardo Bolsonaro.
A divergência pública de Eduardo Bolsonaro contra Nikolas começou antes, após o deputado federal fazer um post de apoio a Jair Bolsonaro. O parlamentar compartilhou um vídeo do perfil no X chamado “Space Liberdade” onde Lula ironizava Trump, afirmando que o Pix era do Brasil. Junto com a mídia, o mineiro afirmou que quem criou a transação bancária foi o ex-presidente.
Apesar do tom bolsonarista, a postagem desagradou Eduardo Bolsonaro, que já havia criticado o mesmo perfil horas antes em sua conta no X. “Denunciei que o Space Liberdade não votará em Flávio Bolsonaro, ao menos no primeiro turno. Adivinhem quem prontamente compartilhou o perfil no mesmíssimo dia? Esta é só mais uma das várias coincidências do pessoal que pede ‘união da direita'”, discorreu Eduardo.
Em entrevista ao GLOBO, na semana passada, Nikolas se descreveu como “atacante”, alegou que sofre “ataques unilaterais” e citou membros de seu grupo político que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”. São, segundo ele, os “experts em afastar as pessoas”.

