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No ‘ateliê’ da Ferrari, IA é a caixa de ferramentas para criação de carros exclusivos

BRCOM by BRCOM
junho 8, 2025
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Cada carro que sai do “ateliê”, como eles chamam, já tem um comprador. Com a inteligência artificial, a montadora trabalha para produzir de forma mais personalizada, segundo Alfonso Fuggetta, Chief Digital Transformation Officer da Ferrari — Foto: DIVULGAÇÃO/FERRARI

Conhecida pelo trabalho quase artesanal de fabricação de carros e pela produção limitada, a Ferrari tem ampliado o investimento em inteligência artificial (IA) e simulações virtuais para desenvolver novos modelos, criar simulação para veículos personalizados e ganhar eficiência em etapas do design e manufatura.

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A marca italiana de luxo produz cerca de 13,7 mil carros por ano, menos da metade do que uma grande montadora convencional vende no Brasil em um único mês. Cada unidade já tem destino certo: todos os modelos que saem da fábrica de Maranello, na Itália, já têm comprador definido.

Dentro desse universo de compradores ultrarricos é possível ter experiência mais exclusiva. Em cada um dos quatro “ateliês” da Ferrari no mundo (em Maranello, Xangai, Londres e Nova York), o cliente define de forma personalizada materiais, cores, acabamentos e acessórios do carro que serão produzidos depois nas instalações italianas da empresa.

Com a inteligência artificial, a montadora trabalha para personalizar ainda mais a experiência do cliente, além de acelerar testes virtuais. No primeiro trimestre, em que reportou €1,536 bilhão em receitas com carros, a fabricante de luxo indicou que o impulso veio principalmente da venda de modelos de alto valor e do aumento das personalizações.

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A percepção sobre como a tecnologia agrega valor vai na contramão da ideia de mais produção com menos recursos e substituição de mão de obra por IA. Em entrevista exclusiva ao GLOBO na sede da companhia, na Itália, Alfonso Fuggetta, diretor de Transformação Digital da Ferrari, diz que a IA tem sido aplicada para ampliar a capacidade de resposta da companhia a processos cada vez mais complexos, como o de pedidos sob medida.

— A complexidade do nosso produto está na diferenciação entre os modelos e nas possibilidades de personalização que oferecemos, não no volume — afirma Fugetta.

Com trajetória acadêmica, o executivo assumiu o posto inédito na empresa no fim de 2024.

Cada carro que sai do “ateliê”, como eles chamam, já tem um comprador. Com a inteligência artificial, a montadora trabalha para produzir de forma mais personalizada, segundo Alfonso Fuggetta, Chief Digital Transformation Officer da Ferrari — Foto: DIVULGAÇÃO/FERRARI

Segundo o executivo, o uso de tecnologias emergentes, como gêmeos digitais e IA generativa, começa nos estágios iniciais de criação de um carro. Essas ferramentas ajudam a simular virtualmente projetos, reduzir atividades repetitivas e são incorporadas em todo o ciclo de desenvolvimento dos veículos.

Nos bastidores, modelos de IA de big techs, como Claude, da Anthropic, e LLaMA, da Meta, integram a infraestrutura digital da Ferrari, que migrou para a nuvem da Amazon (AWS) e passou a adotar soluções em larga escala como de réplicas digitais, aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural. Com as ferramentas, a montadora afirma que reduziu em 20% o tempo de configuração dos veículos e acelerou em 60% as simulações de engenharia.

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Nas réplicas digitais, é possível visualizar desde rodas até o acabamento interno com animação 3D. Com milhões de simulações em paralelo, a empresa consegue experimentar mais rapidamente novos conceitos de aerodinâmica e componentes, reduzindo a necessidade de protótipos físicos. Ferramentas de texto-imagem treinadas internamente permitem ajustes rápidos em renderizações de veículos a partir de descrições simples.

O objetivo das tecnologias, segundo Fuggetta, é criar uma “caixa de ferramentas” que permita que engenheiros e técnicos escolham o instrumento mais adequado para cada projeto, mantendo o artesanato como marca da empresa.

Em termos de produção, a Ferrari inaugurou em 2024 novo complexo industrial conhecido como e-building, na sede da empresa na Itália. Projetado para acomodar modelos a combustão, híbridos e o primeiro elétrico da marca, previsto para 2026, o espaço tem capacidade anual para produção de 20 mil unidades.

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A fábrica da Ferrari em Maranello mantém acesso restrito: além dos cerca de 5 mil funcionários, só clientes da marca e patrocinadores da Fórmula 1 podem visitar o espaço. O GLOBO fez uma visita ao local em que acompanhou o funcionamento da linha de produção, em um espaço iluminado por luz natural e marcado pelo contraste entre robôs autônomos e o trabalho manual.

Com investimento de € 200 milhões, o e-building combina máquinas autônomas e estações digitais com a montagem manual dos motores. A unidade inclui tecnologias como visão computacional e sensores inteligentes para controle de qualidade, e tarefas de acabamento, como o dos painéis de couro, são artesanais.

— Contamos ainda com duas equipes ‘horizontais’: de IA e governança de dados. Elas dão suporte aos demais times com conhecimento específico sobre aplicação de IA nos diferentes processos da empresa — explica o diretor de Transformação Digital da Ferrari, que acrescenta que o processo precisa estar adaptado para clientes da marca que hoje não apenas “escolhem” um carro, mas “desenham” um.

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  • Primeiro elétrico em 2026
      • No ‘ateliê’ da Ferrari, IA é a caixa de ferramentas para criação de carros exclusivos

Primeiro elétrico em 2026

o novo complexo industrial conhecido como e-building, em Maranello, na Itália, que foi projetado para integrar a produção de veículos a combustão, híbridos e, a partir de 2026, do primeiro modelo 100% elétrico da marca. — Foto: DIVULGAÇÃO/FERRARI
o novo complexo industrial conhecido como e-building, em Maranello, na Itália, que foi projetado para integrar a produção de veículos a combustão, híbridos e, a partir de 2026, do primeiro modelo 100% elétrico da marca. — Foto: DIVULGAÇÃO/FERRARI

Para analistas, a digitalização no segmento de luxo esportivo tem ganhado novas camadas. Com consumidores ricos e “conectados”, a personalização dos veículos e jornadas de compra digitais tornaram-se essenciais. Geraldo Victorazzo, vice-presidente da Auto Avaliar, diz que tecnologias de IA já são comuns entre marcas de alto desempenho:

— Dentro dos carros, especialmente em modelos da Ferrari e da Porsche, a IA ajuda a ajustar tração, suspensão e modos de condução em tempo real, priorizando o prazer ao dirigir com máxima segurança. A IA generativa começa a aparecer nos bastidores, ajudando no design de peças e na escolha de materiais, o que acelera a inovação.

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No caso das réplicas virtuais, os testes que simulam o carro real e avaliam desempenho de motor, suspensão e aerodinâmica são inspirados, no caso de Ferrari e McLaren, por exemplo, em abordagem originalmente da Fórmula 1. Nos bastidores, a empresa testa IA em visão computacional para inspeção de peças e controle de torque na montagem dos motores, especialmente nos modelos de Fórmula 1, onde os erros não são tolerados. A lógica, segundo Adrian De Luca, diretor da AWS, é clara:

— Com IA, conseguimos substituir sensores físicos por sensores virtuais, economizando peso e custo, sem abrir mão da precisão.

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Os modelos da empresa já contam com soluções integradas de conectividade, que incluem acesso a diagnósticos remotos e experiências imersivas dentro do carro, em linha com uma tendência de esportivos de luxo cada vez mais smart.

— O mercado de luxo esportivo vive de detalhes e sensações. Nada entra em uma Ferrari por modismo. Tudo que a marca adota tem motivo claro: reforçar sua identidade de performance, emoção e luxo — acrescenta Victorazzo.

A expectativa é que os investimentos digitais tenham reflexos também no primeiro elétrico da marca, previsto para 2026. Embora a Ferrari mantenha discrição sobre o modelo, a empresa já sinalizou que ele terá arquitetura própria e atenção à experiência sensorial.

*A jornalista viajou a convite da AWS

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