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No Brasil, 20% dos estudantes não concluem o ensino médio e já estão fora da escola dois anos após prazo previsto

Por · setembro 29, 2026
No Brasil, 20% dos estudantes não concluem o ensino médio e já estão fora da escola dois anos após prazo previsto


Dois anos depois do período considerado necessário para terminar o ensino médio, 20% dos alunos que haviam ingressado nessa etapa não tinham obtido o diploma e também já não estavam matriculados até dois anos após o prazo previsto para término, o que significa um em cada cinco estudantes no sistema. No mesmo ponto da trajetória, 79% haviam concluído os estudos e 1% continuava matriculado sem ter terminado a etapa. Os dados são de um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que inclui países membros do grupo, nações que estão em processo de adesão e aquelas que fazem parte do G20.
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A taxa brasileira de conclusão fica abaixo da média de 85% registrada no conjunto analisado pela organização. Na média internacional, 15% dos estudantes haviam deixado o ensino médio sem concluí-lo e sem permanecer vinculados à educação.

A situação varia bastante entre os países. Enquanto a conclusão chega a 93% na Irlanda, fica em 91% na Colômbia e em 90% no Canadá e na Eslovênia, o Brasil aparece com 79%. Na Dinamarca, por outro lado, o percentual é ainda menor: 74%.
Homens abandonam mais
A distância entre quem conclui e quem deixa a escola também é marcada por uma diferença entre homens e mulheres. Condsiderando os países, 14% dos homens deixam o ensino médio sem uma qualificação até dois anos depois do prazo previsto, contra 10% das mulheres. No Brasil, a diferença é mais acentuada, com 23% dos homens não concluindo a etapa e deixando de estudar. Segundo a OCDE, é a maior taxa registrada entre os países analisados com esse recorte.
A desigualdade aparece também quando a organização compara a probabilidade de conclusão. No Brasil, as mulheres têm sete pontos percentuais a mais de probabilidade de terminar o ensino médio do que os homens.
Na educação geral, Brasil e Israel apresentam uma diferença de oito pontos percentuais entre os gêneros nas taxas de abandono. No conjunto dos países analisados, a distância é menor: 9% dos homens deixam a educação geral sem concluir, contra 7% das mulheres.
Na formação profissional, o abandono é mais elevado para os dois grupos. A média da OCDE é de 22% entre os homens e 18% entre as mulheres.
Formação profissional concentra mais abandono
Os estudantes matriculados em programas de formação profissional apresentam, em geral, taxas de abandono mais altas do que aqueles da educação geral. A OCDE afirma que parte dessa diferença pode estar relacionada ao perfil dos alunos que chegam a essas modalidades.
São cursos que, em alguns países, concentram maior proporção de estudantes que já tiveram baixo desempenho acadêmico, repetiram de ano, vivem em condições socioeconômicas desfavoráveis ou apresentam menor vínculo com a escola.
A relação, porém, não se repete da mesma maneira em todos os sistemas educacionais. Na Suíça, por exemplo, onde a formação profissional é fortemente integrada à estrutura educacional, as taxas de abandono são relativamente baixas tanto nessa modalidade quanto na educação geral.
Também há países em que o padrão entre homens e mulheres se inverte. Na Dinamarca, na Hungria e na Lituânia, as mulheres apresentam taxas de abandono superiores às dos homens nos programas profissionais. Na Lituânia, quase metade das mulheres matriculadas nessa modalidade deixa a educação sem concluir o curso. A OCDE ressalta que o resultado deve ser visto com cautela porque a quantidade de mulheres matriculadas em programas profissionais no país é relativamente pequena.
Abandono não acontece de uma vez
Para a OCDE, deixar a escola não costuma ser consequência de um único acontecimento. O relatório trata o abandono como um processo de afastamento que se acumula ao longo do tempo, envolvendo fatores ligados ao estudante, à escola e ao próprio sistema educacional.
Baixo desempenho, faltas frequentes e perda de motivação estão entre os fatores associados ao risco de abandono. Condições socioeconômicas, experiências anteriores na escola, ambiente escolar e nível de apoio oferecido aos alunos também podem interferir na permanência.
A organização chama atenção ainda para aspectos relacionados às políticas educacionais, como a repetência e a oferta limitada de alternativas de formação profissional.
Por isso, segundo a OCDE, estratégias para reduzir o abandono precisam ir além da identificação do momento em que o aluno deixa a escola. A prevenção passa também por reconhecer, ao longo da trajetória escolar, os sinais e as condições que podem aumentar o risco de afastamento.

No Brasil, 20% dos estudantes não concluem o ensino médio e já estão fora da escola dois anos após prazo previsto