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setembro 30, 2026
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Rússia ameaça usar armas nucleares contra países da Otan em caso de bloqueio de Kaliningrado

Por · setembro 30, 2026
Rússia ameaça usar armas nucleares contra países da Otan em caso de bloqueio de Kaliningrado


A Rússia alertou a Otan de que está pronta para recorrer a armas nucleares caso países da aliança tentem isolar Kaliningrado, enclave russo fortemente militarizado no Mar Báltico, situado entre Polônia e Lituânia. Em nota diplomática enviada à organização nesta semana, Moscou acusou o bloco de adotar um “curso perigoso e imprudente” e advertiu para “altos riscos de eclosão de um conflito armado direto”.
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“[A] Rússia estará pronta para usar todo o arsenal de forças e capacidades à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país”, diz o documento, visto pela agência Reuters e citado também por autoridades familiarizadas com o conteúdo.
A nota advertiu ainda que uma escalada poderia resultar em “ataques russos contra centros de tomada de decisão nos Estados-membros da aliança desde o início do conflito”. A mensagem foi enviada à Otan e ao Ministério das Relações Exteriores da Bélgica e pediu aos integrantes do bloco que se abstivessem de novas declarações e ações que pudessem provocar uma escalada, segundo a agência estatal russa Tass.
‘Abordagem imprudente’
Moscou argumenta que a Otan está se preparando para possíveis operações militares destinadas a bloquear Kaliningrado e cita, entre outros elementos, exercícios realizados pela aliança na região e a missão Baltic Sentry, voltada à proteção de infraestrutura submarina. Exercícios aéreos da Otan realizados em agosto na Polônia e nos Estados bálticos, perto do enclave, também teriam elevado as tensões.
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A Embaixada da Rússia na Bélgica acusou a Otan de adotar uma “abordagem imprudente e irresponsável” em relação a Kaliningrado que “aumenta drasticamente os riscos de um confronto militar direto”. Embaixadas russas em pelo menos três países europeus também acusaram a aliança de elevar as tensões por meio de exercícios militares e do planejamento de cenários envolvendo o território russo.
— É totalmente natural que nossos diplomatas estejam tentando lembrar os exaltados na Europa sobre nossos documentos fundamentais a respeito dessa questão — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo a agência Interfax.
Resposta da Otan
A Otan, por sua vez, condenou as ameaças nucleares russas após reconhecer uma tensa troca de mensagens com Moscou sobre Kaliningrado. A organização militar disse ter respondido “ressaltando que a Otan é uma aliança defensiva” e que nenhuma de suas atividades ou exercícios “representa um risco para qualquer parte da Rússia”. O órgão condenou, ainda, “a ameaça do uso da força”, incluindo o que definiu como “qualquer retórica nuclear irresponsável”.
— O uso de táticas híbridas pela Rússia é um sinal de desespero. Mas isso não nos fará desistir de nosso apoio à Ucrânia — disse a porta-voz da Otan, Allison Hart, à agência Reuters. — Temos o que é necessário para defender cada centímetro do território aliado e permanecemos fortes, preparados e capazes de enfrentar qualquer ameaça.
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Também à agência, um diplomata da Otan disse considerar a mensagem mais uma tentativa de intimidar países europeus e classificou a resposta da aliança militar como “firme e responsável”, destacando que a mensagem reafirma que a organização não será “dissuadida de apoiar a Ucrânia”. Uma autoridade sênior da área de defesa europeia, por sua vez, destacou a gravidade da ameaça e afirmou que não há registro de uma advertência russa semelhante desde o fim da Guerra Fria.
Fonte de tensão
Kaliningrado é um território russo no Mar Báltico separado geograficamente do restante do país e situado entre Polônia e Lituânia. Moscou mantém no enclave uma grande frota naval e diferentes tipos de mísseis capazes de atingir a maioria das capitais da aliança, incluindo os Iskander, que podem transportar ogivas nucleares.
A localização de Kaliningrado é há anos uma fonte de tensão entre Moscou e a Otan. Entre as preocupações está a possibilidade de a Rússia tentar cortar a ligação terrestre dos três países bálticos com o restante dos aliados da organização por meio de um corredor entre Kaliningrado e Belarus, aliado militar de Moscou.
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Na avaliação de Nikolai Sokov, analista nuclear baseado em Viena e ex-diplomata russo, está se tornando cada vez mais difícil para os países ocidentais ampliar seu apoio à Ucrânia sem entrar em um confronto direto com Moscou. O alerta russo, disse ele, pode indicar que setores mais linha-dura estão ganhando influência no debate sobre como responder às ações ocidentais, que incluem o fornecimento de armas a Kiev, novas sanções contra Moscou, interceptações de navios russos, exercícios militares frequentes e voos de inteligência na região.
— Eles (os russos) esperam mais ações, incluindo um bloqueio do Mar Báltico, algo que, nos cálculos europeus, estaria pouco abaixo do nível de uma guerra, mas que, para eles, seria uma guerra aberta. Vejo um risco de erro de cálculo mútuo — disse ele à Reuters, acrescentando que Rússia e Europa estavam em rota de colisão, o que exigia cautela e ponderação.
Governos e serviços de inteligência europeus vêm acusando Moscou de intensificar uma campanha de “guerra híbrida” no continente, envolvendo ações como sabotagens e incêndios criminosos. A Rússia nega as acusações e também rejeita declarações de que estaria se preparando para um ataque militar contra um integrante da Otan. Nesta quarta, porém, o ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, alertou para um aumento das ações híbridas nos próximos meses.
— Será um inverno sombrio para a Europa — afirmou Francken. — A guerra híbrida não é algo que a Rússia tenha começado há dois ou três anos. Eles vêm fazendo isso há 50 anos. Isso é algo em que [o presidente Vladimir] Putin é muito bom.
(Com Bloomberg)

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