A Prefeitura de São Paulo deu início na semana passada a uma série de obras na Liberdade, bairro da região central famoso entre paulistanos e turistas pela variedade de comércios, feiras e restaurantes orientais. Dentre as mudanças, o projeto prevê o alargamento das calçadas, melhorias nos cruzamentos para pedestres, aumento da arborização e adequações nos pavimentos para garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência. O objetivo é fortalecer o caráter turístico da região e reorganizar a circulação do público visitante. Sob gestão da SP Urbanismo, as intervenções estão previstas para serem concluídas em nove meses.
Com custo estimado de R$ 4,6 milhões, financiados pelo Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb), as reformas abrangem uma área de 14.500 metros quadrados entre a Rua dos Estudantes, o Beco dos Aflitos, a Praça da Liberdade-África-Japão, a Rua Galvão Bueno, a Rua Américo de Campos e a Rua Thomaz Gonzaga.
— O principal objetivo é favorecer a “caminhabilidade. Queremos inverter a lógica de hierarquia comum em São Paulo do carro em primeiro lugar e colocar o pedestre nessa posição. Vamos tomar um pouco do espaço do carro e ganhar para o pedestre — disse Letícia Ferreira, gerente de obras da SP Urbanismo.
Na requalificação, as calçadas serão padronizadas com o uso dos mesmos materiais e regularizadas (ou seja, ficarão mais contínuas) a fim de torná-las mais acessíveis. A largura de alguns passeios também será praticamente duplicada. Já em cruzamentos serão instaladas travessias elevadas, que obrigarão os carros a reduzir a velocidade.
Apesar das mudanças, as vias não deixarão de ser destinadas para os veículos. A intervenção no espaço para carros acontecerá em maioria na redução de áreas de estacionamento, como no caso das vagas do sistema rotativo pago, a Zona Azul. Por outro lado, a arquiteta explica que também serão incorporados pontos de carga e descarga em trechos estratégicos do bairro.
— A gente tem que garantir (o bem-estar) do pedestre, mas também tem que viabilizar as demandas das atividades comerciais da região — reforçou.
A primeira etapa das obras começou na semana passada na Praça da Liberdade-África-Japão, próxima ao metrô Japão-Liberdade da Linha 1-Azul. O acesso de veículos à praça, hoje feito na Rua dos Estudantes, será transferido para a Avenida da Liberdade, a fim de garantir que a circulação continue quando o tráfego for interrompido por conta das obras na rua.
O novo acesso terá a substituição completa dos ladrilhos do piso, com a preservação do mosaico original. Quanto a pontos de acessibilidade, serão implementados pisos táteis no perímetro da praça.
Segundo a gestão, as obras no local estão previstas para terminarem no final do mês. A ideia é que a intervenção siga para a Rua dos Estudantes. No momento, a SP Urbanismo aguarda a revisão do projeto pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), responsável por reger as vias — como no caso da aprovação dos desvios de carros, por exemplo — e as datas de cada trecho.
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A Rua dos Estudantes, no trecho entre a Avenida da Liberdade e a Rua da Glória, terá as calçadas ampliadas e requalificadas e receberá também jardins de chuva, novas árvores, bancos e lixeiras. Já no Beco dos Aflitos, o desnível entre calçada e via será terá diminuição de quinze para cinco centímetros. Também será implementado no local um novo sistema de drenagem.
— Há uma revisão da drenagem tradicional, como em tubulações, mas também acoplamos outros elementos para auxiliar na microdrenagem, como os jardins de chuva. Esses serão incorporados em alguns trechos de alargamentos de calçadas, onde parte da água de escoamento superficial será direcionada para eles e filtrada. São várias camadas de filtragem, com plantas, terra e pedras e pedriscos, para depois a água ser devolvida ao solo — explica Letícia.
A Rua Galvão Bueno também terá a via elevada e calçadas requalificadas, além do plantio de novas árvores e da implementação de espaços de permanência. Para a gestão, esse será o trecho mais desafiador durante as obras, pois além da grande circulação de carros, a via dá acesso ao Hospital Leforte Liberdade — que não será afetado.
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Já as ruas Américo de Campos (entre a Avenida da Liberdade e a Rua da Glória) e a Thomaz Gonzaga (entre a Avenida da Liberdade e a Rua Galvão Bueno) terão as calçadas ampliadas e receberão novos paisagismos e mobiliários urbanos.
De acordo com a gestão, cada trecho de obra terá cronograma e planejamento específicos, que serão compartilhados com os comerciantes a fim de informá-los sobre eventuais impactos.

