Nesta terça-feira (4), o “Conversa com Bial” exibirá uma entrevista com Wagner Moura direto de Atenas, na Grécia. O ator está em turnê pela Europa com a peça “O julgamento”.
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O espetáculo foi criado por ele, Cristiane Jatahy e Lucas Paraízo a partir da obra “Um inimigo do povo”, de Henrik Ibsen. A peça propõe uma reflexão sobre democracia, verdade, polarização e participação popular:
— Eu me lembro de uma época em que esquerda e direita brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos já não importam mais. Se os fatos deixam de existir e passam a existir versões da realidade, isso me assusta.
Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama este ano pelo filme O Agente Secreto”, Moura fala ainda sobre a importância das novelas em sua carreira. Ele fez, por exemplo, “A lua me disse” e “Paraíso tropical”, na TV Globo:
— A novela me preparou porque você tem que chegar e fazer. Esse sentido de sobrevivência a novela me deu.
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O ator também comenta a escolha de manter seu sotaque em produções estrangeiras:
— Eu não quero falar sem sotaque. Acho que represento uma parcela gigante das pessoas que moram naquele país: gente que fala com sotaque, gente imigrante. Politicamente, me sinto muito confortável em dizer que não quero fazer isso.
Pai de três filhos (Bem, Salvador e José), Moura opina sobre a decisão dos dois primeiros de seguirem na atuação. Salvador fez uma participação em vídeo na peça. Bial questionou se eles pediram licença ao pai:
— Não tem essa coisa de pedir licença. Acho muito legal. Salvador fez aquela participação porque quis. Falou que queria fazer e fez superbem. Achei lindo. Mas o Bem é artista. O Bem estuda cinema, ele quer ser diretor, escreve superbem. Aí a Monique Gardenberg, nossa amiga, tinha um personagem e colocou na cabeça dela que deveria ser o Bem. Ele fez teste, passou e vai fazer um filme dirigido pela Monique, com Marieta Severo e Humberto Carrão, que são grandes amigos meus. São basicamente três personagens. Acho um filme maravilhoso para ele começar.
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