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No coração da Floresta da Tijuca, moradores do Alto da Boa Vista criam projeto de turismo com base comunitária

BRCOM by BRCOM
março 28, 2026
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Moradores do Alto participam de capacitação em mínimo impacto ambiental — Foto: Divulgação/Gear Tips

No alto da cidade, onde a floresta ainda dita o ritmo e a memória resiste entre trilhas, hortas e fogões a lenha, moradores do Alto da Boa Vista estão transformando território, afeto e conhecimento em ferramenta de educação ambiental. Criado em 2022, o Agrega Alto reúne famílias da comunidade em uma proposta de turismo de base comunitária voltada a estudantes, visitantes e moradores do Rio interessados em vivências pedagógicas e ecológicas no coração da Floresta da Tijuca.

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Este mês, o grupo deu mais um passo nessa caminhada: participou de uma capacitação em mínimo impacto ambiental e passou a se preparar não apenas para conduzir experiências em áreas naturais, mas também para multiplicar esse conhecimento em cursos, palestras e atividades com novos visitantes.

A iniciativa nasceu da retomada de um espaço que atravessa gerações. O local onde hoje funciona o Agrega Alto é um antigo sítio da década de 1940 onde o avô de Dirlei Silva viveu, criou 14 filhos e sustentou a família a partir do plantio. Na década de 1980, ele chegou a expandir a produção e manteve dois boxes de venda no Cadeg, em Benfica, mas já em meados daquele período o negócio não foi adiante.

Moradores do Alto participam de capacitação em mínimo impacto ambiental — Foto: Divulgação/Gear Tips

A história, que quase se perdeu com o tempo após sua morte, virou base para um novo ciclo de pertencimento, formação e geração de renda. Silva conta que tudo começou durante a pandemia, quando decidiu, ao lado de familiares, olhar novamente para a terra que marcou a trajetória da família. O educador ambiental, agricultor e guia de turismo lembra como o passado se transformou em ponto de partida para o presente.

A partir de uma capacitação em Turismo de Base Comunitária, feita por Silva em 2022, o projeto ganhou forma. Desde agosto daquele ano, o Agrega Alto vem estruturando roteiros que unem trilhas interpretativas, educação ambiental infantil e inclusiva, banho de bicão, agricultura familiar, agrofloresta, horta pedagógica, estufa de mudas, artesanato e gastronomia afetiva preparada na lenha. A proposta também conecta visitantes a outros serviços e produtos do bairro, como restaurantes, comércio, transporte e atividades de voo livre.

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Em três anos, cerca de 2.300 pessoas já passaram pelo espaço, entre visitas técnicas, ecoturismo, vivências na horta, pernoites na área de camping e eventos em geral. O público é diverso: escolas públicas e particulares, universidades, turistas e moradores da cidade. Segundo Silva, o grupo recebe pelo menos uma escola por mês, podendo chegar a cinco em determinados períodos.

O fundador explica que as experiências são adaptadas conforme a demanda de cada instituição ou visitante, mas há um eixo comum: aproximar o público da natureza por meio de quem vive no território.

Silva resume o que sustenta a proposta.

— Nada quebra mais estereótipos do que o visitante ouvir diretamente as histórias de quem vive no lugar . Por isso, nosso papel sempre será capacitar, incentivar e dar voz ao morador local — afirma.

É justamente essa escuta do território que ajuda a explicar por que o Alto da Boa Vista se tornou cenário tão fértil para esse tipo de experiência. Cravado no Maciço da Tijuca, o bairro combina mata, clima serrano, memória e circulação, criando uma sensação rara de refúgio dentro da própria cidade. Para Silva, é um lugar onde o visitante se sente retirado, mas não isolado, e isso amplia a potência das vivências.

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A formação mais recente reforçou esse caminho. Realizado ao longo de um fim de semana, com carga horária de 16 horas, o curso Leave No Trace (Não Deixe Rastro) — Instrutor Nível 1 foi ministrado pelo Gear Tips e seguiu o currículo da organização internacional Leave No Trace, referência em práticas de mínimo impacto em ambientes naturais. Ao fim da capacitação, todos os participantes foram certificados.

Mais do que uma aula sobre trilhas, o treinamento combinou rodas de conversa, atividades em campo e momentos em que os próprios alunos assumiram o papel de instrutores. Cada participante preparou e ministrou uma atividade curta sobre um dos sete princípios do método, com temas definidos previamente. A proposta foi desenvolver habilidades de ensino, comunicação e avaliação, preparando os moradores para repassar esse conhecimento adiante.

Entre os conteúdos abordados estavam o planejamento prévio de atividades ao ar livre, a escolha de superfícies duráveis para caminhada e acampamento, o descarte correto de resíduos, a preservação de elementos naturais e históricos, a redução do impacto das fogueiras, o respeito à vida silvestre e a convivência responsável com outros visitantes e com a comunidade local.

Pedro Lacaz Amaral, fundador do Gear Tips, defende que a formação técnica é decisiva em um momento de crescimento das atividades em parques e trilhas.

Ele destaca que a conservação precisa fazer parte da vivência.

— Quem visita áreas ao ar livre deve saber quais impactos causa e quais ações tomar para evitar que eles aconteçam. A conservação precisa fazer parte da experiência — diz Amaral.

Segundo ele, o curso já foi levado a áreas como o Parque Nacional da Tijuca, a Serra dos Órgãos, a Chapada dos Veadeiros e a Chapada Diamantina, sempre com foco em formar pessoas capazes de orientar outros visitantes de maneira mais consciente.

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No Agrega Alto, a capacitação também teve um efeito simbólico: consolidou a passagem dos moradores de participantes a protagonistas e multiplicadores. Para quem já conhecia a floresta pelo convívio cotidiano, o curso trouxe novas lentes sobre como ocupar o ambiente natural com responsabilidade. Silva explica que a familiaridade com a mata, sozinha, não basta.

— Mais do que conhecer a natureza, as pessoas precisam desenvolver o senso de pertencimento para preservá-la. A capacitação técnica orienta os profissionais a guiarem de forma mais sustentável e consciente e a replicar esse conhecimento para os visitantes — afirma. — Na prática, isso significa ensinar por que é importante caminhar por trilhas demarcadas, como lidar corretamente com o lixo, por que não se deve retirar galhos, pedras ou plantas do caminho e de que forma gestos aparentemente simples podem desequilibrar um ecossistema inteiro — exemplifica.

Silva ressalta que essa dimensão pedagógica aparece com força, especialmente, quando o público é infantil. Uma das propostas centrais do Agrega Alto é criar experiências sensíveis e concretas para que crianças e adolescentes saiam dali não apenas com informação, mas com memória.

Silva resume o que espera deixar em cada visita.

— Uma das nossas maiores propostas é sensibilizar as crianças com atividades na prática, criando lembranças para que se tornem adultos conscientes — diz.

Ao longo desses encontros, o projeto já coleciona histórias que ajudam a medir o impacto da iniciativa. Uma das mais marcantes, segundo ele, foi a de uma professora descendente de indígenas que, durante uma trilha interpretativa, reconheceu ervas e árvores que não via desde a época em que morava no Pará. O reencontro com esses saberes, no meio da floresta carioca, reforçou algo que o Agrega Alto visa a cultivar em cada roteiro: a natureza como ponte entre lembrança, identidade e pertencimento.

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Silva destaca que o projeto não oferta apenas passeio:

— Ele oferece leitura de paisagem, memória compartilhada e uma forma de enxergar a comunidade para além dos estereótipos. Ao colocar moradores no centro da experiência, como anfitriões, narradores, educadores e também beneficiários da renda gerada, o Agrega Alto aposta em um modelo em que preservação, autonomia e valorização do território caminham juntas.

Para Silva, há também uma dimensão íntima nesse processo: a sensação de que o legado do avô segue vivo, agora alcançando muito além da família.

Ao imaginar o que ele diria ao ver o antigo sítio transformado em espaço de formação e acolhimento, Silva se emociona.

— Cada plantio e cada gota de suor valeram a pena, pois o meu legado está sendo levado não somente para a família, mas para contribuir com outras gerações — afirma.

Silva traduz o espírito do projeto em poucas palavras.

— Roteiro novo, raízes antigas — resume.

As atividades do Agrega Alto incluem roteiros abertos ao público e experiências privadas, com opções para diferentes faixas etárias e níveis de dificuldade. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp 99106-0874 ou pelo Instagram @agrega_alto. A programação das próximas visitas e atividades é divulgada nas redes sociais do projeto.

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