BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

No coração do Douro, Alves de Sousa revela vinhos em que a tradição e o território somam prêmios; conheça quatro rótulos da vinícola portuguesa

BRCOM by BRCOM
abril 17, 2026
in News
0
O Alves de Sousa Branco da Gaivosa 2024 — Foto: Divulgação

Produtora de vinhos únicos, que revelam com precisão a belíssima região do Douro, a portuguesa Alves de Sousa é uma vinícola familiar que soma prêmios ao longo de sua história. Ela é comandada por Domingos Alves de Sousa e o filho Tiago, enólogo premiado. Uma das pioneiras na elaboração de rótulos da denominação Douro, a marca é conhecida pelo uso de vinhedos centenários; pela pesquisa do território e das uvas; e pelo emprego de diferentes formas de vinificação.

  • Memórias: Saiba qual o melhor tinto da Península Ibérica pela revista Decanter

Engenheiro civil, Domingos conta que ajudou a projetar a adega, que reúne funcionalidade, além do aproveitamento da luz e da ventilação natural. A beleza da paisagem também foi considerada. O local é bastante difícil de construir em razão das inclinações do terreno.

— O Douro tem uma paisagem grandiosa. Se mostramos tudo de repente, perde força. Em cada ponto da construção, vemos um pouquinho, começando com a loja. Até que chegamos ao topo da adega, com a beleza da vista completa.

Conheça quatro rótulos que contam os segredos do sucesso da vinícola. São três vinhos da DOC Douro e um do Porto.

Conteúdo:

Toggle
  • Tradição de uvas brancas
  • Abandonado: vinhedo com nove décadas
      • No coração do Douro, Alves de Sousa revela vinhos em que a tradição e o território somam prêmios; conheça quatro rótulos da vinícola portuguesa

Tradição de uvas brancas

O Alves de Sousa Branco da Gaivosa 2024 — Foto: Divulgação

O Branco da Gaivosa 2024 é um vinho feito com três uvas nativas portuguesas: Rabigato, Gouveio e Viozinho. Para Tiago, esse vinho revela muito da propriedade:

— Cada uva foi trabalhada de forma diferente e depois complementam-se no corte final. É um vinho que tem realmente uma expressão aromática muito bonita, com um lado bem floral. Depois também nos remete muito para a Quinta da Gaivosa, e o frescor que a localização traz, com essa altitude e com a exposição solar mais protegida. Também traz muito daquilo que é a paisagem da Gaivosa, com muita floresta, muita mata. Encontramos nele elementos mais herbais, mais resinosos, como o pinheiro, e que lhe dão muita identidade.

Tiago explica que a Quinta da Gaivosa sempre teve tradição de cultivar uvas brancas para fazer vinho do Porto branco. Quando decidiu comercializar vinhos brancos do Douro, no entanto, foi preciso um trabalho de pesquisa no território:

— Uma das grandes tradições da família era fazer vinho do Porto. Quando começamos a fazer os primeiros vinhos do Douro, houve uma transição natural com a uva tinta do Porto. No branco, não foi tão natural. Foi um processo de reconhecer os locais vocacionados para ter a uva que permitiria os vinhos brancos que queríamos. Passamos para as cotas mais altas, para as encostas expostas, à Nascente e a Norte, além da seleção das castas que sabíamos estavam que estavam adaptadas às nossas condições naturais, como Malvasia Fina, Rabigato, Viozinho. São as nossas uvas nativas.

Ele brinca que o mundo já tem Chardonnay suficiente:

— É uma uva linda, mas está em todo lado. Já uvas como as que temos cá têm identidade própria e qualidade. Faz todo sentido continuar a estudá-las e a, efetivamente, a tê-las nos nossos vinhos. Elas complementam-se muito, muito bem, mas são uvas bastante diferentes.

O Quinta da Gaivosa Tinto — Foto: Divulgação
O Quinta da Gaivosa Tinto — Foto: Divulgação

O Quinta da Gaivosa 2022 é um blend de dezenas de uvas, como Touriga Franca, Tinto Cão, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Sousão, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Tinta Francisca, Rufete e outras. Para Tiago Alves de Sousa, o vinho é um representante do terroir da propriedade:

— Ele representa o local como um todo, os vinhedos velhos da quinta, a localização. Na fronteira Noroeste do Douro, acabamos por ter naturalmente um clima mais ameno do que grande parte da região. Isso se traduz em vinhos com muito frescor e com essa dimensão própria da floresta que circunda os vinhedos. Temos esses aromas da floresta, do eucalipto, do pinheiro. Lá está também a complexidade que o vinhedo velho traz. Apesar da juventude, ele já dá seu prazer, tem equilíbrio. Mas se pudermos aguardar 30 anos, ele só vai crescer e crescer. Isso está bem evidente em vinhos como o Quinta da Gaviosa 1992, nossa primeira edição, que continua lindo.

Domingos Alves de Sousa no topo da vinícola: a beleza da paisagem do Douro — Foto: Cláudia Meneses / Agência O Globo
Domingos Alves de Sousa no topo da vinícola: a beleza da paisagem do Douro — Foto: Cláudia Meneses / Agência O Globo

Abandonado: vinhedo com nove décadas

O tinto Abandonado é feito com uvas de um vinhedo que soma 90 anos e exigiu muita dedicação para dar resultado:

— É um dos vinhedos mais velhos e mais especiais da família, plantado há 90 anos aproximadamente. Era cultivada com o uso de cavalos, com os meios que existiam. Quando os nossos antepassados estavam a preparar o solo, não conseguiam ir fundo o suficiente porque a rocha fica demasiado próxima da superfície. Não tinha solo suficiente, e a videira tão jovem morria. Metade morria numa fase muito precoce. Como era muito difícil, ele foi esquecido. Todo mundo conhecia este local como abandonado.

O Alves de Sousa Abandonado — Foto: Divulgação
O Alves de Sousa Abandonado — Foto: Divulgação

Segundo Tiago, muitos anos mais tarde, quando ele e o pai já estavam trabalhando juntos, os dois passavam ali, olhavam o cenário abandonado e queriam fazer alguma coisa no local.

— Pensávamos que tínhamos que fazer alguma coisa. Quase não se produzia, havia muitas falhas. Mas se replantássemos, morreria tudo outra vez porque estávamos a plantar sobre a rocha. Pensamos em ser mais drásticos, colocar dinamite para quebrar tudo. Mas meu pai quis preservar tal e qual como era.

A sala de barricas da Alves de Sousa — Foto: Cláudia Meneses / Agência O Globo
A sala de barricas da Alves de Sousa — Foto: Cláudia Meneses / Agência O Globo

Tiago contou que a solução foi recuperar uma parcela ao lado, que também estava invadida por outras plantas:

— Na verdade, era ainda mais abandonada porque tinha sido muito invadida até pela floresta. Na primeira fase, criamos um corredor entre a floresta e o vinhedo. Plantamos o porta-enxerto americano, e demorou anos para conseguirmos enxertar, quando o comum é no ano seguinte. As condições dali são tão pobres que não permitiam que ganhasse o vigor suficiente. E que é que nós enxertamos? A lenha de poda do abandonado. Acabamos mais ou menos a clonar, a recriar não apenas as mesmas castas, mas literalmente as mesmas plantas. É o mesmo DNA, com as condições mais próximas possíveis.

Ele explicou que a segunda etapa foi avançar para o vinhedo mais antigo, que foi recuperada.

— Plantamos a seleção ainda mais profunda das castas que já existiam, para prepararmos o Abandonado para o futuro. Até temos Touriga Francesa, algum Sousão, mas usamos Malvasia Preta, Tinta Francisca, Tinta Carvalha. Acabamos por ir precisamente a algumas fundamentais no Douro atual. Mas também muitas das variedades antigas que ainda existem no primeiro vinhedo abandonado, para garantir que se mantenha.

Tiago Alves de Sousa em meio aos vinhedos da família — Foto: Cláudia Meneses / Agência O Globo
Tiago Alves de Sousa em meio aos vinhedos da família — Foto: Cláudia Meneses / Agência O Globo

O Quinta da Gaivosa Porto Branco 20 anos é, segundo Tiago, um corte muito especial para a família, por ser um trabalho de gerações:

— Em 20 anos, acabamos por cruzar várias gerações. Os elementos mais antigos são vinhos que foram ainda feitos pelo meu avô Edmundo, que quase não conheci. Ele faleceu quando eu tinha um ano. Minhas memórias dele de alguma forma estão nesse vinho também. Parte significativa dos vinhos é feita pelo meu pai, Domingos. E eu, como enólogo, concluo esse trabalho. As três gerações se reencontram no mesmo vinho. Um vinho do Porto velho pode ser o trabalho de uma vida inteira. Podem ser 50 anos a trabalhar no mesmo vinho ou podem ser essas diferentes vidas a se reunirem, a se reencontrarem então de novo no vinho.

Para o enólogo, trata-se de um vinho muito complexo do ponto de vista aromático:

— Encontramos uma nota floral, uma casca de laranja confitada. Tem ainda especiarias como curry, pimenta e gengibre. E sempre tem frescor.

O Quinta da Gaivosa Porto Branco 20 anos — Foto: Divulgação
O Quinta da Gaivosa Porto Branco 20 anos — Foto: Divulgação

Tiago Alves de Sousa explica que é exatamente nos vinhos do Porto de 20 anos que ocorre um grande salto, que é “muito bonito”.

— Essa é precisamente aquela idade em que a maturidade se afirma em pleno. Enquanto nos 10 anos temos uma transição, com um pouquinho de juventude e os primeiros traços de evolução, aqui é precisamente a maturidade no seu pleno. Por isso é um momento muito bonito para o vinho. É o grande salto. Os outros saltos que vêm a seguir, por exemplo, de 20 para 30, ou 30 para 40, são sempre especiais. Vai sempre crescendo, mas nunca na mesma dimensão. Também é a categoria que permite uma experiência incrível do Porto Towny sem os valores mais caros que os vinhos mais velhos têm.

Os vinhos são trazidos para o Brasil pela Decanter. Os preços no site da importadora são: Alves de Sousa Branco da Gaivosa 2024(R$ 302); o Quinta da Gaivosa Douro Tinto 2022 (de R$ 912 por R$ 775,20); e o Abandonado (R$ 1.795). O Quinta da Gaivosa Porto Branco 20 anos ainda será lançado no mercado.

No coração do Douro, Alves de Sousa revela vinhos em que a tradição e o território somam prêmios; conheça quatro rótulos da vinícola portuguesa

Previous Post

Mel Maia relembra 'Avenida Brasil' e fala do desafio de se desvincular da imagem de atriz mirim

Next Post

Esposa do primeiro-ministro belga relata seu sofrimento como mulher anoréxica; veja fotos

Next Post

Esposa do primeiro-ministro belga relata seu sofrimento como mulher anoréxica; veja fotos

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.