A Ilha Grande, no arquipélago do Havaí, avaliava neste domingo (16) os danos e iniciava os trabalhos de limpeza após a passagem do furacão Lala, já rebaixado à categoria de tempestade tropical, mas que continua provocando fortes chuvas no estado insular americano. O governador do Havaí, Josh Green, declarou em coletiva de imprensa que autoridades investigam se houve mortes relacionadas à tempestade.
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“Rezamos para que não haja vítimas fatais. A questão é difícil de responder neste momento”, afirmou Green, destacando que ocorreu um “grave acidente de carro” que pode ter tido relação com as condições provocadas pelo fenômeno.
O diretor da Agência de Gestão de Emergências do Havaí, Randy Collins, alertou que, embora a tempestade já tenha passado pela região, ainda persistem riscos nas próximas horas.
A Ilha Grande é a segunda mais populosa do arquipélago, com cerca de 210 mil habitantes, atrás apenas de Oahu, que reúne mais de 1 milhão de moradores.
“Muitas vítimas costumam ocorrer depois do desastre”, afirmou Collins aos jornalistas. “Quando as pessoas começam a limpeza, trabalham com máquinas pesadas, motosserras e geradores. Também atuam perto de linhas de energia derrubadas”, explicou.
Tempestade perdeu força
Lala foi rebaixada para tempestade tropical nas primeiras horas de domingo, segundo boletim do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) divulgado às 2h locais (9h no horário de Brasília).
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No sábado, o fenômeno havia se intensificado para um furacão de categoria 1, com ventos de até 120 quilômetros por hora.
“Ele pode manter essa intensidade por mais algumas horas, mas deverá enfraquecer ao longo da madrugada de domingo, à medida que continua se afastando da Ilha Grande”, informaram meteorologistas do NHC.
Segundo a agência, Lala “parece ter alcançado seu pico de intensidade” ao passar próximo a South Point, na Ilha Grande, na tarde de sábado, sem chegar a tocar o solo.
O olho do furacão passou muito próximo da costa sul da ilha, enquanto chuvas intensas e ventos fortes atingiam o estado americano do Pacífico desde sábado. A previsão era de acumulados de chuva entre 76 e 89 centímetros em algumas áreas da Ilha Grande.
El Niño
O Havaí foi atingido pela última vez por um furacão de grande intensidade, categorias 3, 4 ou 5 na escala Saffir-Simpson, em 1992, quando o furacão Iniki provocou pelo menos seis mortes e prejuízos de bilhões de dólares.
O arquipélago também foi ameaçado no mês passado pelo furacão Fausto, que acabou perdendo força e passando ao norte da cadeia de ilhas.
O fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico central e oriental, tende a favorecer a formação de furacões no Pacífico e reduzir sua atividade no Atlântico.
Neste ano, o El Niño se desenvolveu na região central do Pacífico equatorial, com temperaturas tão elevadas que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê 69% de probabilidade de ocorrência de “um evento histórico, superior em intensidade aos episódios de El Niño registrados desde 1950”, entre outubro e dezembro.
Cientistas alertam regularmente que as mudanças climáticas provocadas pela dependência humana dos combustíveis fósseis têm aumentado a frequência e a intensidade de eventos meteorológicos extremos.

