O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou tropas no sul do Líbano nesta terça-feira e prometeu que as forças de seu país permanecerão na região enquanto o movimento Hezbollah, apoiado pelo Irã, continuar sendo uma “ameaça”. A declaração ocorre enquanto milhares de libaneses desabrigados pela guerra tentam voltar ao país, incentivados pelo acordo preliminar de paz assinado na semana passada. Segundo o governo libanês, cerca de 1 milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas desde março.
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— Nossa posição é clara: não sairemos do sul do Líbano até que a ameaça tenha desaparecido. E enquanto o Hezbollah armado estiver aqui e nos ameaçar, permaneceremos aqui — disse Netanyahu às tropas israelenses, segundo um comunicado divulgado por seu gabinete.
O primeiro-ministro acrescentou que o Líbano e Israel são dois Estados soberanos que desejam viver em paz.
— Dizemos ao Irã e ao Hezbollah: saiam deste lugar, vocês não pertencem mais a este lugar (…) Existem dois estados soberanos que querem viver em paz — declarou ele.
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O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, após o início da guerra contra a República Islâmica, o que desencadeou uma campanha de bombardeios israelenses e uma invasão terrestre.
As tropas israelenses operam em uma “zona de segurança” que, segundo decreto, se estende da fronteira até cerca de 10 quilômetros dentro do território libanês.
As autoridades libanesas afirmam que, desde o início da guerra, os ataques israelenses deixaram mais de 4.200 mortos.
O Líbano e Israel assinaram, na sexta-feira passada, um acordo-quadro para uma paz duradoura, sob os auspícios dos Estados Unidos. O acordo compromete o Líbano a restaurar sua soberania sobre seu território por meio do “desarmamento verificado de grupos armados não estatais e do desmantelamento de sua infraestrutura”, o que permitiria uma retirada gradual de Israel.
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Casas danificadas
Segundo o ministro de Assuntos Sociais libanês, Hanine el Sayed, cerca de 40% dos deslocados após o início do conflito já retornaram às suas cidades e vilarejos. Nos abrigos coletivos, o número de pessoas também já sofreu uma queda (de 37 mil para 13 mil no momento). Entretanto, el Sayed afirmou que os números escondem uma lacuna entre aqueles que conseguiram retornar e aqueles que ainda estão deslocados.
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— Essas são famílias que conseguem retomar alguma coisa, pelo menos o mínimo básico — disse ele à agência Reuters. — O fato de as outras não terem retornado significa que elas estão em uma situação muito mais difícil. Dentro de uma semana, aproximadamente, saberemos a dimensão do problema e quantas pessoas não podem retornar porque suas casas foram totalmente danificadas.
Cerca de 90 mil unidades habitacionais foram total ou parcialmente destruídos neste último conflito, somando-se aos danos generalizados causados pelos combates anteriores. Segundo o ministro, o governo precisará de bilhões de dólares para reconstrução.
Uma estimativa da ONU na semana passada apontou prejuízos de aproximadamente US$ 1,38 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões). O estudo comparou imagens de satélite do final de abril, quase dois meses após o início do conflito, com imagens capturadas em outubro de 2025. Por isso, os dados não incluem as semanas finais do conflito.
Com AFP.

