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outubro 2, 2026
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Nova York tira caso de promotor local e abre nova investigação sobre denúncia de estupro coletivo em Cornell

Por · outubro 2, 2026
Cornell: o que se sabe sobre estupro coletivo investigado em universidade renomada dos EUA


A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, assumiu nesta sexta-feira a investigação criminal sobre a denúncia de uma estudante que afirma ter sido estuprada por integrantes de uma fraternidade da Universidade Cornell em 2024. A decisão foi anunciada pela governadora Kathy Hochul, que nomeou James como promotora especial depois de afirmar ter perdido a confiança na capacidade da Promotoria do condado de Tompkins de conduzir o caso de forma justa.
Em entrevista coletiva em Manhattan nesta sexta-feira, Hochul fez duras críticas à maneira como a denúncia foi inicialmente investigada e afirmou que informações conhecidas recentemente levantaram “questões ainda mais preocupantes sobre o que foi feito e o que deixou de ser feito” depois que a estudante procurou as autoridades. James, por sua vez, confirmou que o caso agora é alvo de uma investigação criminal em andamento.
— Sei que vocês querem respostas. Eu também quero. Uma investigação abrangente dessa natureza leva tempo, mas meu gabinete está comprometido em levá-la até o fim — afirmou James. — Embora haja limites para o que podemos compartilhar, forneceremos atualizações à medida que estiverem disponíveis.
O caso envolve uma estudante identificada nos documentos judiciais como Jane Doe. Ela tinha 20 anos e cursava o segundo ano da universidade quando disse ter sido estuprada na casa da fraternidade Chi Phi, em 19 de outubro de 2024. Em uma ação apresentada em setembro, ela acusou sete homens e afirmou ter sido pressionada a cheirar cetamina, fumar maconha e consumir bebidas alcoólicas antes de ficar completamente incapacitada. Os homens negaram irregularidades.
A estudante procurou a polícia do campus cerca de três semanas depois do caso e voltou nos dias 14 e 15 de novembro de 2024 para prestar depoimento. Segundo uma transcrição da entrevista obtida pela CBS, mas não divulgada publicamente, ela relatou que estava “completa e totalmente incapacitada” antes de parte da violência sexual e afirmou inequivocamente que havia sido estuprada.
— Sim. Foi coerção, sim — disse a estudante a um policial do campus, segundo a transcrição.
Jane Doe reconheceu ter consumido álcool e drogas naquela noite e relatou lacunas de memória. Ela também disse ter se sentido confortável com um contato sexual inicial com dois dos homens, mas não com o que ocorreu posteriormente, quando outros começaram a entrar no quarto. A estudante afirmou ainda que foi agredida fisicamente.
— E então, é claro, eu estava sendo agredida ao mesmo tempo. Sendo agredida fisicamente com muita, muita força — relatou. — Posso dizer com 100% de certeza que fui estuprada.
A forma como essas declarações foram transmitidas às autoridades tornou-se um dos principais pontos de questionamento sobre a investigação inicial. Hochul afirmou nesta sexta-feira que as palavras da estudante dizendo ter “100% de certeza” de que havia sido estuprada não constaram do relato enviado pela polícia do campus à Promotoria. A governadora classificou as informações disponíveis sobre a primeira apuração como “muito contraditórias e conflitantes”.
— Em que mundo a polícia ouviria de uma vítima que ela havia sido literalmente estuprada coletivamente por cinco homens em uma casa de fraternidade enquanto estava intoxicada e não levaria essas acusações ao conhecimento do promotor? — questionou Hochul.
A governadora disse estar “profundamente perturbada” com a atuação da polícia de Cornell e classificou como uma falha o envio de um “registro parcial” à Promotoria. Segundo Hochul, o fato de o promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, não ter entrevistado Jane Doe depois de receber um relatório de seis páginas da polícia é “exatamente a razão pela qual estamos aqui hoje e pela qual tomei a medida ontem à noite”.
— Alguém sabia mais do que estava deixando que as pessoas soubessem — afirmou Hochul.
Van Houten vinha defendendo a decisão de seu gabinete de não apresentar acusações criminais. Segundo o promotor, o primeiro relato recebido pelas autoridades não incluía alegações de que a estudante havia sido drogada, ficado incapacitada a ponto de não poder consentir ou sido forçada a manter relações sexuais. Ele afirmou à CBS News que nunca viu a transcrição da entrevista da jovem antes de decidir não apresentar acusações e que seu gabinete se baseou em uma declaração redigida por um policial do campus e assinada pela denunciante.
— Não havia pontos de interrogação. Não havia necessidade de buscar informações adicionais porque tínhamos todas as informações que a polícia coletou de Jane Doe por meio do relato muito detalhado e abrangente que ela forneceu — disse Van Houten à CNN nesta semana.
Diante das novas informações apresentadas na ação judicial e da crescente repercussão do caso nos últimos dias, Van Houten anunciou a reabertura da investigação. Hochul, porém, afirmou na quinta-feira que havia perdido a confiança na capacidade do promotor de supervisionar o processo de forma justa e assinou um decreto nomeando James como promotora especial independente. A procuradora-geral disse nesta sexta-feira que ainda não havia conversado com Van Houten.
Com a medida, James passa a dirigir a investigação e poderá apresentar provas a um grande júri, se considerar necessário. Seu gabinete afirmou que vai revisar os fatos, reunir provas e entrevistar testemunhas e que, caso haja fundamento, poderá apresentar acusações.
— Todo nova-iorquino merece saber que, quando denuncia um crime, ele será investigado de maneira completa e justa — afirmou James. — A governadora confiou esta investigação ao meu gabinete, e não tratamos essa responsabilidade levianamente.

Nova York tira caso de promotor local e abre nova investigação sobre denúncia de estupro coletivo em Cornell