A recém-batizada Zona Sudoeste marca não só uma nova nomenclatura geográfica na cidade como também uma divisão espacial que revela desigualdades com o que sobrou da Zona Oeste. Considerando os dados disponíveis no Índice de Progresso Social do Rio de Janeiro (IPS), feito pela prefeitura em 2022, a primeira está acima no ranking, com 3,14 pontos de diferença.
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A média dos índices dos bairros da Zona Sudoeste — formados sob critérios de necessidades humanas básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades — é de 65,6, superior até mesmo à média do Rio de Janeiro, de 64,34. Já a da Zona Oeste é de 62,46 e, portanto, inferior ao resultado do município.
A diferença entre essas regiões é tão alarmante que o primeiro lugar do ranking do IPS, ocupado pela Barra da Tijuca (79), tem uma diferença de 10 pontos em relação ao bairro melhor posicionado da Zona Oeste: Jardim Sulacap (68,8).
A formação dessa nova região foi oficializada ontem, após sanção do prefeito Eduardo Paes. Ela já havia sido aprovada na câmara de vereadores, onde o debate surgiu a partir de proposta do vereador Dr. Gilberto (Solidariedade). Segundo ele, reagrupar os bairros ajudaria o poder público a definir os investimentos prioritários em cada área.
Com isso, definiu-se que pertencem à Zona Sudoeste os bairros Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Barra Olímpica, Anil, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Praça Seca, Pechincha, Rio das Pedras, Tanque, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena e Vila Valqueire.
De acordo com o Censo 2022, a população da Zona Sudoeste é de cerca de 1,1 milhão de pessoas, representando 16% do total do município. O bairro de Jacarepaguá é o mais populoso e marcadamente negro (56%) e feminino (52,4%).
A Barra da Tijuca se sobressai no ranking do IPS, ocupando o primeiro lugar da cidade, com 79,9 de pontuação. O bairro também é protagonista na terceira dimensão do índice, que avalia o nível de oportunidade dos moradores: 73,58. Além disso, está em 5º lugar com maior renda per capita, segundo o Censo 2010.
Em contrapartida, está Grumari, o bairro menos populoso do Rio. Nele, moram 184 pessoas, majoritariamente negras (73%). A região tem o pior IPS da Zona Sudoeste, com 51,23, e abriga uma comunidade quilombola.