O Nubank encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,061 bilhão, alta de 17% no trimestre e 49% na comparação anual. O resultado veio levemente acima das previsões dos analistas ouvidos pelo Valor, de US$ 964,5 milhões. As receitas totais somaram US$ 5,876 bilhões, com alta de 6% no trimestre e 39% em um ano.
“Geramos mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido por trimestre. No Brasil, estamos evoluindo nossa estrutura e adicionando uma licença bancária completa às nossas operações”, afirma, em nota, David Vélez, fundador e CEO global do Nubank.
A fintech chegou a 138,9 milhões de clientes, com alta de 3% no trimestre e 13% em um ano. No Brasil são quase 118 milhões de usuários. São 15,8 milhões no México e mais de 5 milhões na Colômbia. A receita média mensal por cliente ativo (arpac, na sigla em inglês) atingiu aproximadamente US$ 17, de US$ 16 no trimestre anterior e US$ 12 no mesmo período do ano passado.
A rentabilidade (ROE) do grupo chegou a 33%, ante 29% no primeiro trimestre de 2026 e 28% no segundo trimestre de 2025.
A carteira de crédito atingiu a US$ 39,4 bilhões, com alta de 5% no trimestre e 37% em um ano. Enquanto isso, a inadimplência avançou para 6,9%, ante 6,5% e também 6,5% na mesma base de comparação.
O novo vice-presidente financeiro do Nubank, Rob Livingston, diz que há muita preocupação no mercado com as tendências de qualidade dos ativos, mas que o banco é muito conservador na subscrição.
“A inadimplência aumentou 0,35 ponto percentual, principalmente em função da migração sazonal dos atrasos curtos registrados no primeiro trimestre. O desempenho do custo de crédito está melhorando em todas as safras”.
A inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) ficou em 4,8%, de 5,0% no primeiro trimestre e de 4,5% no segundo trimestre do ano passado. Segundo o Nubank, a maior parte dessa melhora veio da sazonalidade, parcialmente compensada pela expansão deliberada em segmentos de maior risco e maior retorno.
Livingston diz que o Desenrola teve um efeito positivo para o Nubank, reduzindo a inadimplência em 5%, ou um efeito de 0,16 pp no índice de atrasos acima de 90 dias, com 1,8 milhão de clientes beneficiados. De qualquer forma, ele diz que mesmo sem o programa o grupo teve um bom desempenho em termos de custo de crédito.
“Não há nada que esteja sendo impulsionado por uma piora no ambiente. Não estamos vendo nada que nos faça desacelerar no crédito”.
O índice de eficiência – quanto menor, melhor – piorou para 19,5% no segundo trimestre, em relação aos 17,6% registrados no primeiro trimestre, mas melhorou ante os 21,3% no segundo trimestre de 2025. Segundo o Nubank, a deterioração ocorreu em função de despesas imobiliárias e de marketing, somadas ao investimento contínuo em expansão internacional.

