Ir à escola a pé, dar uma caminhada até o parque, shopping ou até ao mercado pode fazer mais pela saúde mental dos adolescentes do que se pensava. Um estudo liderado pelo Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College London, em colaboração com a Universidade de Massachusetts Amherst, mostrou que um maior número de passos diários está associado a menos problemas de saúde mental no início da adolescência.
Como o TDAH muda com a idade? Veja a diferença nos sintomas
Lito Sousa: 90% dos pacientes sobrevivem menos de um ano após o diagnóstico
O estudo acompanhou 5.515 adolescentes participantes do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente dos EUA, eles usaram dispositivos Fitbit por três semanas, entre os 11 e 12 anos de idade. Um ano depois, os pesquisadores avaliaram a saúde mental deles usando o Child Behavior Checklist (CBCL), um questionário amplamente utilizado, preenchido pelos jovens e seus pais, que mede sintomas como ansiedade, baixo astral e problemas de comportamento.
Os resultados mostraram que quanto mais os adolescentes caminhavam, menos problemas de saúde mental apresentavam um ano depois. E o benefício não se estabilizou após um período, ou seja, os pesquisadores não conseguiram mensurar o tempo desse benefício.
Os adolescentes que davam menos de 5.000 passos por dia apresentavam mais sintomas de problemas mentais; aqueles que davam em média cerca de 8.000 apresentavam menos; e aqueles que chegavam a 12.000 ou mais apresentavam o menor número de sintomas de todos. Os resultados foram publicados no JAMA Network Open.
“Os adolescentes não precisam ser atletas de elite para se beneficiarem. Aumentos de 1.000 a 2.000 passos diários, a partir de qualquer ponto de partida, foram associados a uma melhor estrutura cerebral e melhores resultados em saúde mental, e essa associação benéfica continua a se fortalecer a partir daí”, explicou Amanda Paluch, professora associada de cinesiologia da Universidade de Massachusetts Amherst.
Do diagnóstico ao ‘último voo’: veja linha do tempo do tratamento de Lito Sousa
Os adolescentes com maior número de passos também apresentaram tecido cerebral ligeiramente mais espesso em duas áreas envolvidas no movimento e na regulação emocional.
“Este estudo nos fornece algumas das evidências mais claras até o momento de que até mesmo uma medida cotidiana, de baixo custo e acessível de atividade física, como a contagem diária de passos, está ligada ao desenvolvimento cerebral e à saúde mental dos adolescentes. O que é surpreendente é que não observamos esse benefício se estabilizar na faixa observada, mesmo entre os jovens mais ativos em nossa amostra”, diz Divyangana Rakesh, professora sênior de neurociência e psicologia do King’s College London e autora principal do estudo.
A pesquisa utilizou dados do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (Adolescent Brain Cognitive Development Study), o maior estudo de longo prazo sobre desenvolvimento cerebral e saúde infantil nos EUA, realizado em 21 locais.
A contagem de passos foi medida objetivamente por meio de dispositivos vestíveis, em vez de autorrelatos. Sugere-se que esse método seja uma forma mais confiável de capturar a atividade habitual do que as avaliações baseadas em questionários.
Não foi encontrada nenhuma relação entre o número de passos e o desempenho escolar dos adolescentes.
“Estamos começando a entender partes do cérebro que podem estar envolvidas na relação entre o número de passos diários e a saúde mental dos jovens. É preliminar, mas nos dá uma ideia mais clara de onde procurar em seguida”, afirmou Qingyang Li, um dos autores do estudo.
Como desencardir toalha branca? Veja dicas para recuperar a cor
Os pesquisadores afirmam que este estudo é observacional, portanto, não pode demonstrar que caminhar mais melhora diretamente a saúde mental. A relação se manteve mesmo após os pesquisadores considerarem os problemas de saúde mental prévios dos adolescentes, embora afirmem que ainda é possível que aqueles com menos problemas fossem simplesmente mais ativos desde o início.
Outras limitações do estudo, segundo os autores, é que as diferenças cerebrais envolvidas foram pequenas e poucos adolescentes da amostra apresentaram contagens de passos extremamente altas, ou seja, ainda não está claro se o padrão se mantém além do que foi medido neste estudo.
“O objetivo é encontrar maneiras realistas e sustentáveis de se movimentar mais, por meio de oportunidades cotidianas como ir a pé para a escola, brincadeiras ativas e atividades que as crianças realmente gostam, para que esses benefícios sejam acessíveis independentemente do ponto de partida do adolescente”, finalizou Paluch.
Número de passos está associado a menor risco de depressão entre os adolescente, revela estudo do JAMA
