Falta pouco para Deborah Secco, de 45 anos, estrear como apresentadora de reality, um antigo sonho seu. A partir do dia 18 de julho, ela estreia à frente do programa “Terceira metade”, do Globoplay, em que casais buscarão mais uma pessoa para o relacionamento. Tema tabu? Não para Deborah. “É preciso abrir o olhar para uma ética diferente da nossa. Eu sou zero preconceitos”, garante, em uma conversa franca de duas horas, após a sessão de fotos deste ensaio de capa, em São Paulo.
Desde a infância, quando fez os primeiros trabalhos na TV, na novela “Mico preto” (1990) e na série “Confissões de adolescente” (1994), Deborah vive sob escrutínio público. Protagonizou novelas no horário nobre, como “Celebridade” (2004), “América” (2005), “Insensato Coração” (2011) e “Salve-se quem puder” (2020), e filmes polêmicos, na pele de “Bruna Surfistinha” (2011) e da soropositiva Judite, em “Boa sorte” (2014).
Fez da vida um livro tão aberto que, agora, corta um dobrado para manter longe dos holofotes o namoro com o produtor musical Dudu Borges, seu primeiro relacionamento longo desde a separação com o ator e diretor Hugo Moura, pai de sua filha, Maria Flor, de 9 anos. A atriz defende a monogamia na atual relação, mas diz que tudo é conversado. “. Nunca falei que vivo ou vivi um relacionamento aberto. Minhas relações são vivas, com acordos, tudo é bem conversado. O acordo hoje é a monogamia. Amanhã pode ser outro, não sou contra nada”, explica.
A busca pela discrição, entretanto, nem de longe impede Deborah de falar sobre sexo, assunto ainda espinhoso para muitas mulheres. “Fomos treinadas para fingir que gozamos, demorei para desmistificar isso. Quero que a geração da minha filha seja diferente”, pontua. “Mas vejo muitas mulheres ‘cool’ me julgando, olhando torto. Entendi que as pessoas não estão preparadas para essa conversa.”
Apresentar um reality era um desejo antigo?
É uma realização absoluta. E sou totalmente parcial: torço, vibro e fico triste pelos participantes. Temos de tudo ali: pessoas monogâmicas, pessoas poligâmicas, pessoas aprendendo e outras mais livres.
Já transou ou teve uma relação a três? O que pensa das novas dinâmicas?
Cheguei ao reality me achando supermoderna, e saí como uma “careta” (risos). Já me apaixonei e namorei mulheres, mas nunca três pessoas. Existem muitas formas de amar. A Regina Navarro Lins (psicanalista) estará no reality e traz um discurso forte, do amor romântico, de que é preciso um “príncipe encantado” para ser feliz. É preciso desconstruir a visão que oprime o diferente.
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Sua relação com Dudu Borges é monogâmica?
Sim. Nunca falei que vivo ou vivi um relacionamento aberto. Minhas relações são vivas, com acordos, tudo é bem conversado. O acordo hoje é a monogamia. Amanhã pode ser outro, não sou contra nada.
Você já disse que, quando alguém nos trai, o que dói é o ego. O quanto trabalhou para entender mais sobre relações, ciúmes e ego?
Faço análise desde os 12 anos e ainda levo bronca da minha terapeuta (risos). Aprendi rápido a ouvir o que é do ego e o que é da alma. Sobre o ciúme, a gente pensa: ‘Como assim não sou a pessoa mais importante do mundo?’. Mas você entende que é uma dor projetada pelos seus medos.
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Você fala abertamente sobre sexo. Teme ser rechaçada pelas marcas, perder campanhas?
Meu maior presente, minha filha, veio de um ato sexual. Não pode ser algo feio. Quero falar sobre sexo porque o homem está em um lugar mais confortável para isso. Se não me contratam, é porque é errado eu dizer que sinto prazer? Vejo mulheres ‘cool’, feministas, me julgando. Como se eu não fosse adequada para ocupar certos espaços. As pessoas não estão preparadas para essa conversa
Já disse que não via o sexo como um ato prazeroso, mas um ato de serviço. Por quê?
Não senti prazer na primeira relação sexual. E não só eu, todas as minhas amigas. Fomos treinadas a fingir que gozamos. Demorei para desmistificar isso. Muito do meu entendimento veio do meu autoprazer.
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