Assim como a maior parte do mercado financeiro, há uma expectativa no governo de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) dê continuidade ao processo de corte a conta-gotas da taxa de juros básica (Selic), atualmente em 14,25%. A leitura é que os dados mais recentes de inflação, inclusive o IPCA-15 de julho, dão espaço para que isso ocorra.
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O cenário base é que, além do corte esperado para esta semana, o Copom ainda entregue pelo menos mais uma redução da taxa básica em setembro, pausando o ciclo em 13,75% ao ano pouco antes da disputa eleitoral.
A se confirmar esse cenário, será o mesmo nível de juros com que estava em vigor quando o governo Lula assumiu e também foram disputadas as eleições de 2022.
Há um esforço para evitar adicionar ruídos nesse tema, em meio a uma relação trincada entre o Executivo e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, por conta das discussões em torno da proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia da instituição e da decisão dele de não responsabilizar Roberto Campos Neto pela atuação no caso Master.
Mesmo assim, é evidente a decepção de interlocutores do governo com a postura do Banco Central, que desde 2025 é todo composto de indicados do atual governo. E isso menos pelo que tem sido feito nos últimos meses, dado que a incerteza e volatilidade gerada pela guerra naturalmente impõem maior cautela (o que tem sido destacado pelas fontes), e mais pela avaliação de que houve atraso no início do ciclo.
A visão é que, se o BC tivesse iniciado os cortes em dezembro do ano passado ou mesmo em janeiro, a Selic poderia estar cerca de um ponto abaixo do nível atual, mesmo com uma contenção no ritmo de cortes a partir da crise internacional.
O ciclo atual começou em março e a percepção é de que Galípolo quis ser “mais realista que o rei” e segurou os cortes mesmo quando no mercado havia a percepção majoritária de espaço para redução.
Com juros mais altos, a economia vai perdendo fôlego e só não desacelera mais porque o governo abriu a caixa de ferramentas de medidas e acelerou a execução de gastos nesse primeiro semestre. E essa postura vem sendo apontada pelo BC como fonte de preocupação para o esforço de levar a inflação à meta de 3%.
Além de dificultar o crescimento, juros mais altos pioram o quadro fiscal. Com os encargos financeiros da dívida disparando e um resultado primário bastante negativo, a consequência aparece em uma relação dívida/PIB que encostou em 82% no dado mais recente, e está dez pontos percentuais acima do que estava quando o governo Lula assumiu.

