Pular para o conteúdo
outubro 10, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 4,9886
News

O Congresso e o futuro de nossos filhos

Por · outubro 9, 2026
Quaest: pesquisa mostra disputa em empate técnico para o Senado do Rio; Benedita tem 10% contra 7% de Jordy e 6% de Crivella


Os resultados do primeiro turno das eleições projetam uma sombra tenebrosa sobre os destinos da infância – e da sociedade brasileira. Até esse ano tínhamos um Congresso ultraconservador, antiambiental, que dificultou a aprovação de pautas em favor da educação, da saúde pública e da proteção de crianças de adolescente. No Senado, havia ainda algum equilíbrio, com a predominância de centro direita e algum resquício de discernimento e capacidade de votar uma vez ou outra não só em causa própria ou por “influência” de lobbies, mas de acordo com os interesses públicos.
Como dizia Ulisses Guimarães, só há uma coisa pior do que o Congresso atual: o próximo. Nenhuma profecia no Brasil se realizou tantas vezes consecutivas. Sem exceção.
Qual a predominância da extrema direita radical nas duas casas, sentiremos saudades do Centrão. Já se fala em mudar a Constituição, e certamente não será para proteger os mais pobres e os trabalhadores ou beneficiar a infância. Será para minar e destituir direitos de mães e pais de milhões de crianças que ainda vivem na pobreza desse país. Pessoas que trabalham seis dias por semana e mal tem uma folga pra cuidar de filhos, porque acumulam tantas tarefas para o mesmo dia. Que atravessam cidades engarrafadas pra chegar em casa duas ou três horas depois, exaustos, e não conseguem minimamente cuidar de seus filhos. Para exterminar direitos trabalhistas conquistados há décadas, disfarçados de estímulo ao “empreendedorismo”.
Será para “passar a tesoura”: no SUS, na educação (já se fala até em privatização da educação pública com o sistema de “vouchers”), na ciência, na cultura, e muito especialmente na proteção ambiental. Voltaremos ao tempo de enfraquecimento do Ibama e ICM Bio, com aumento brutal do desmatamento, perseguição e massacre de indígenas – lembram do genocídio ianomâmi, da entrega da Amazônia ao crime organizado, ao garimpo e roubo de madeira e grilagem? Pois é. A passagem da boiada vai piorar.
Se isso continua, a Amazônia chega ao ponto de não retorno em poucos anos, e outros biomas como o Pantanal também. As safras terão perdas gigantescas. O clima no Brasil e no mundo vai se agravar rapidamente e em breve cidades como Cuiabá, Belém, Manaus, Teresina se tornarão praticamente inabitáveis, com 200 a 250 dias de calor excessivo anualmente, a seca da Amazônia e no Nordeste será quase perene, e as enchentes no Sul se tornarão rotina.
No Rio, a se manter o prognóstico eleitoral, o crime organizado mantém o poder e agrava sua infiltração no Estado. É difícil fazer previsões do que sobrará deste estado, o poço é escuro e fundo em demasia. No nível federal a ameaça também é essa: não só a perda de direitos, mas a presença do crime organizado e da milícia na política.
Estamos possivelmente destruindo o futuro de nossos filhos e netos, a marretadas feitas de votos.

O Congresso e o futuro de nossos filhos